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quarta-feira, 16 de junho de 2010

Amália - La Tarantela

E já que ando em maré de língua napolitana, eis Amália a cantar em Nápoles como se tivesse lá nascido:



Projecto para o Verão: férias no Sul de Itália e/ou na Sicília - quero ver o "mundo" de Lampedusa, Pirandello, Vittorini, Sciascia e do grande Andrea Camilleri.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Amália sempre

Amália, para além da consolidação do cânone fadista, foi responsável por fixar interpretações canónicas no âmbito do folclore português e pela fixação definitiva de interpretações das marchas de lisboa.
No primeiro caso, podemos dizer que há Amália e há as outras e que se deixam resumir em Maria Teresa de Noronha, Lucília do Carmo, Hermínia Silva, Beatriz da Conceição e Argentina Santos. Sem elas, não haveria Mariza, Aldina Duarte, Ana Moura, Carminho ou Raquel Tavares.
No segundo caso, há as interpretações enxutas da tradição folclórica nacional, acompanhadas das excelentes orquestrações de Joaquim Luís Gomes na sequência dos famosos concertos no Lincoln Center de Nova Iorque e no Hollywood Bowl de Los Angeles, sob a direcção de André Kostelanetz. Interpretações contidas, sem sotaques regionais, sem sombra de rancho folclórico, sem mácula. As posteriores séries de folclore acompanhado à guitarra e à viola não resultariam tão bem.
No terceiro caso, estamos em presença de interpretações definitivas na exacta medida em que depois de Amália o ter feito ninguém mais o deve fazer. Não morro de amores por marchas populares de Lisboa e por tudo o que lhe está associado, mas as versões de Amália são sublimes e estão para este género como José Afonso está para o fado de Coimbra: não mexam mais que só pode ficar pior!



O LP Marchas de Lisboa, de 1969 (33 RPM, Columbia, PMX5014, Stereo) - editado na sequência de anteriores EP's - tem, na capa, o meu tio Celestino Silva ao lado da Amália. O meu tio Celestino - tio por afinidade - é irmão do saudoso Varela Silva, cunhado de Amália pelo casamento com Celeste Rodrigues. Começou, tal como ele, na Guilherme Cossoul e é, actualmente, actor na Companhia de Teatro de Almada.

P.S.: Esta raridade já cá canta - estava num leilão na Net.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Nos dez anos da morte de Amália (6 de Outubro de 1999) - Gaivota, de Alain Oulman e Alexandre O'Neill



AMÁLIA

Na tua voz há tudo o que não há,
há tudo o que se diz e não se diz.
Há os sítios da saudade em tua voz,
o passado, o futuro, o nunca, o já,
há as sílabas da alma, e há um país.
Porque tu, mais que tu, és todos nós.

Na tua voz embarca-se e não mais,
não mais senão o mar e a despedida,
há um rastro de naufrágio em tua voz
onde há navios a sair do cais,
nessa voz por mil vozes repartida.
Porque tu, mais que tu, és todos nós.

Há mar e mágoa, e a sombra de uma nau,
a Gaivota de O'Neil e o rio Tejo,
saudade de saudade em tua voz,
um eco de Camões e o escravo Jau,
amor, ciúme, cinza e vão desejo.
Porque tu, mais que tu, és todos nós.

Manuel Alegre

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Amálias

A pior coisa que poderemos fazer à memória de Amália Rodrigues é tentar, em vão, repeti-la no seu mesmo registo como o fazem incessantemente algumas fabulosas e outras tão-somente "bonitinhas" novas vozes do Fado. Daí a importância de um projecto como o Amália Hoje, de Nuno Gonçalves, com Sónia Tavares (The Gift), Paulo Praça e Fernando Ribeiro (Moonspell) que, ao forçar a memória de Amália a um estranhamento pop, lhe devolve outrossim toda a modernidade e todo o cosmpolitismo que a diva, ela própria, sempre evidenciou e foi o seu grande conseguimento.