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terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Resistência

Habituados a viver no seio de uma ampla maioria católica e, dentro desta, apenas e só da Igreja Latina, é-nos difícil imaginar a situação vivida pelas minorias significativas de cristãos - e não apenas de católicos - que convivem com outras religiões claramente maioritárias, designadamente no Médio Oriente. Mais grave ainda do que o relativo desconhecimento que, no Ocidente, temos desta situação, é a própria dificuldade de nos vermos como minoria.
O recente atentado contra fiéis da Igreja Ortodoxa Copta - umas das «Antigas Igrejas do Oriente - em Alexandria, vem chamar a atenção para a situação aflitiva em que vivem estas comunidades religiosas um pouco por todo o Oriente. Greco-Ortodoxos, Maronitas (católicos), Assírios (Igreja Assíria do Oriente) e Caldeus (católicos), Sírios e Greco-Melquitas, Arménios e Coptas (ortodoxos e católicos), Sírio-Malabares e Sírio-Malankares na Índia e Greco-Católicos na Ucrânia, Latinos no Oriente e na Terra Santa, na Rússia e na China constituem-se como autênticas igrejas da Resistência no seio de esmagadoras maiorias muçulmanas, hindus ou mesmo de outras denominações cristãs (caso da Igreja Ortodoxa Russa que pretende ter o monopólio da pregação no Oriente eslavo) ou vítimas do poder totalitário do Estado (caso da situação da Igreja Católica Romana na China).

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Bento XVI no Reino Unido - Passagens canónicas

"Albeit the king's Majesty justly and rightfully is and ought to be the supreme head of the Church of England, and so is recognized by the clergy of this realm in their convocations, yet nevertheless, for corroboration and confirmation thereof, and for increase of virtue in Christ's religion within this realm of England, and to repress and extirpate all errors, heresies, and other enormities and abuses heretofore used in the same, be it enacted, by authority of this present Parliament, that the king, our sovereign lord, his heirs and successors, kings of this realm, shall be taken, accepted, and reputed the only supreme head in earth of the Church of England, called Anglicans Ecclesia; and shall have and enjoy, annexed and united to the imperial crown of this realm, as well the title and style thereof, as all honors, dignities, preeminences, jurisdictions, privileges, authorities, immunities, profits, and commodities to the said dignity of the supreme head of the same Church belonging and appertaining; and that our said sovereign lord, his heirs and successors, kings of this realm, shall have full power and authority from time to time to visit, repress, redress, record, order, correct, restrain, and amend all such errors, heresies, abuses, offenses, contempts and enormities, whatsoever they be, which by any manner of spiritual authority or jurisdiction ought or may lawfully be reformed, repressed, ordered, redressed, corrected, restrained, or amended, most to the pleasure of Almighty God, the increase of virtue in Christ's religion, and for the conservation of the peace, unity, and tranquility of this realm; any usage, foreign land, foreign authority, prescription, or any other thing or things to the contrary hereof notwithstanding."

Acto de Supremacia, de Henrique VIII de Inglaterra (1534)

Bento XVI no Reino Unido

"The Roman Catholic religion, with its train of priests and friers, is more expensive than ours: Even though unaccompanied with its natural attendants of inquisitors, and stakes, and gibbets, it is less tolerating: And not content with dividing the sacerdotal from the regal office (which must be prejudicial to any state), it bestows the former on a foreigner, who has always a separate interest from that of the public, and may often have an opposite one."

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Regresso a Roma e o que adiante se verá

Balanço muito positivo da visita do Papa. À parte um ou dois recados, nem sombra de ultramontanismo e de integrismo.
Negativo: o tom acrítico da totalidade da imprensa e o seu tom festivo e celebratório. É necessário os jornalistas dizerem «o Santo Padre» e «Sua Santidade»? Também negativo, o modo como os críticos do Papa e da Igreja foram remetidos à condição de párias da Pátria. Igualmente negativo, a perseguição de Cavaco ao Bispo de Roma. Pelos vistos, o Trono preciso mais do Altar do que o contrário.

Nas próximas visitas a Chipre - em que os católicos romanos estão em esmagadora minoria - e, sobretudo, no Reino Unido - é que elas vão doer. Aguardemos.

P.S.: Na Grã-Bretanha - em que a comunidade católica romana é minoritária mas forte e expressiva - será interessante assistir às consequências dos casos de pedofilia, de que o caso Dawkins é um epifenómeno significativo, e aos efeitos reais da Anglicanorum Coetibus nas relações entre a Igreja Católica e a Igreja de Inglaterra e com a Comunhão Anglicana em geral.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

O Papa em Portugal



Bispo de Roma, Vigário de Jesus Cristo, Sucessor do Príncipe dos Apóstolos, Sumo Pontífice da Igreja Universal, [Patriarca do Ocidente], Primaz da Itália, Arcebispo Metropolita da Província Romana, Soberano do Estado da Cidade do Vaticano, Servo dos Servos de Deus

*
Bons discursos de Bento XVI: a vocação histórica de Portugal no encontro de culturas e a natureza verdadeiramente "patriarcal" da Igreja portuguesa (fundadora de Igrejas locais pelo mundo e pelas terras de Missão); o valores da cultura e da civilização; o ecumenismo e o diálogo inter-religioso; a renovação da Igreja e a expiação dos seus pecados internos.
Tirando alguns pronunciamentos em blogues e, sobretudo, em comentários em blogues, não há sinais de ultramontanismo. Ainda bem.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Estatística vaticana

Parece que havia, no final de 2008, 1 bilião e 166 milhões de católicos baptizados, segundo o Annuarium Statisticum Ecclesiae do Ufficio Centrale di Statistica della Chiesa. Será? E os praticantes? Eu sei que há um sentido teológico-sacramental no facto de se ser, justamente, baptizado. Mas não há possibilidades de saber, a nível global, o grau de participação efectiva. Eu sei que, localmente, se tem apurado essa taxa. Convinha agora saber à escala planetária.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

O Regabofe

Gabinete do Primeiro-Ministro

Despacho n.º 7127/2010

Considerando a importância que reveste a visita a Portugal de Sua Santidade o Papa Bento XVI;
Considerando o interesse de grande número de portugueses em poderem estar presentes nas celebrações;
Considerando as contingências de segurança necessárias nestas ocasiões e o seu impacto na mobilidade dos cidadãos e no tráfego rodoviário dos locais onde vão ocorrer as celebrações;
Considerando a tradição existente no sentido da concessão de tolerância de ponto aquando das visitas a Portugal de Sua Santidade o Papa João Paulo II:
Determino, ao abrigo da alínea d) do artigo 199.º da Constituição e no uso dos poderes delegados pelo n.º 4 do artigo 6.º da Lei Orgânica do XVIII Governo Constitucional, aprovada pelo Decreto-Lei n.º 321/2009, de 11 de Dezembro, o seguinte:
1 — É concedida tolerância de ponto aos trabalhadores que exercem funções públicas na administração central e nos institutos públicos, no concelho de Lisboa, durante a parte da tarde do dia 11 de Maio de
2010.
2 — É concedida tolerância de ponto aos trabalhadores que exercem funções públicas na administração central e nos institutos públicos, em todo o território nacional, no dia 13 de Maio de 2010.
3 — É concedida tolerância de ponto aos trabalhadores que exercem funções públicas na administração central e nos institutos públicos, no concelho do Porto, durante a parte da manhã do dia 14 de Maio de 2010.

Considerando que só o terceiro "Considerando" é válido, considero que o "grande número de portugueses" que querem ir a Fátima deveria meter um dia de férias, como forma de sacrifício. E dado que vão à Cova da Iria, esse sacrifício podia ser consagrado ao "Imaculado Coração de Maria". Mas assim não é. Cavaco e Sócrates terão tirado o curso de acólitos?

*

O Bollettino da «Sala Stampa» da Santa Sé publicou ontem um conjunto de informações estatísticas sobre Portugal a propósito da visita do Papa. Parece que há 9.368 milhões de católicos num total de 10.610 milhões de habitantes. Será?

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Na Cova dos Leões

Afinal, parece que também vai haver tolerância de ponto nos dias 11 da parte da tarde (em Lisboa) e 14 da parte da manhã (no Porto), bem como o já anunciado dia 13 (em todo o país).
Para os nossos índices de produtividade não está mal! Toda Nação deverá convergir para Fátima. O Trono e o Altar reconciliados.

O ponto

Eu contra mim falo, mas terá alguma justificação conceder «tolerância de ponto» no dia 13 de Maio, a propósito da visita do Papa? Justamente no dia 13, dando o Estado caução ao, assim chamado, "acontecimento" de Fátima. Talvez se admitisse nos dias 11 ou 12 em Lisboa ou no dia 14 no Porto - e apenas em virtude dos grandes congestionamentos previsíveis. Agora, para o pessoal ir à Cova da Iria? Então e o sacrifício? Não podem pôr um dia de férias? O pessoal que vai trabalhar para a Festa do Avante! «mete» férias...
Para a confusão ser total já só falta mesmo amnistia e perdão genérico.
Como diz o Douta Ignorância: "A tolerância de ponto anunciada a propósito da visita do Papa é apenas uma evidência da nossa falta de capacidade para distinguir o que é de Deus e o que é de César. Não é o papel de um Estado laico improvisar feriados por motivos destes. Ou bem que se entende isto, ou mais vale oficializar o retrocesso".

terça-feira, 13 de abril de 2010

Verdade e Reconciliação

Bem a Conferência Episcopal Portuguesa - na sequência aliás de intervenções correctas do Cardeal-Patriarca de Lisboa e de D. Carlos Moreira Azevedo bem como do Bispo do Porto. Bem o Arcebispo Primaz, ao falar da necessidade de «restabelecer a justiça, purificar a memória e reafirmar, humildemente, o compromisso da Igreja de fidelidade a Deus e de serviço aos homens», «perante a grave lesão da dignidade pessoal das vítimas dos casos de pedofilia». Um instrumento que se tem mostrado eficaz nessa purificação da memória têm sido - lembre-se o processo de transição na África do Sul - as Comissões de Verdade e Reconciliação. E, dada a gravidade da questão, com efeitos à escala global, porque não um Concílio Ecuménico ou, pelo menos, uma assembleia especial do Sínodo dos Bispos?
Muito mal o Cardeal Secretário de Estado. Eduardo Pitta é, como sempre, magistral. O pior é que se calhar para Tarcisio Bertone isso não seria castigo - era bem capaz de gostar!

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Continua o disparate

"Ora contro la Chiesa viene brandita l'accusa della pedofilia. Prima ci sono state le battaglie del modernismo contro Pio X, poi l'offensiva contro Pio XII per il suo comportamento durante l'ultimo conflitto mondiale e infine quella contro Paolo VI per l'Humanae vitae."

Cardeal Angelo Sodano, entrevista a L'Osservatore Romano, 6-7 de Abril de 2010

E, a propósito de Pio XII, muito haveria a esclarecer. Sobretudo: porque razão arrepiou caminho relativamente ao que o seu predecessor havia prescrito na Mit brennender Sorge, a propósito do nacional-socialismo? Porque escolheu o silêncio? O silêncio, sempre o mesmo silêncio.

E é evidente que as duas situações - com Pacelli ou, agora, com Ratzinger mas também com Wojtila - nada tem a ver com a questão do Modernismo ou da Humanae Vitae.

P.S.: A colecção dos 12 volumes dos Actes et Documents du Saint-Siège relatifs à la Seconde Guerre Mondiale, publicados a partir de 1965, por vontade de Paulo VI, preparados por uma equipa especializada de quatro historiadores jesuítas estão disponíveis aqui.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Renúncia, já se ouve

Caso seja preciso, convém lembrar que:

«§ 2. Se acontecer que o Romano Pontífice renuncie ao seu ofício, requere-se para a validade dessa renúncia que esta seja livremente feita e devidamente manifestada, mas não que seja aceite por alguém.»

Can. 332 do Código do Direito Canónico e Can. 44 do Código de Cânones das Igrejas Orientais


Proporções

A histeria afecta, hoje, vozes autorizadas da Igreja Católica. A propósito do silenciamento de actos pedófilos praticados por membros do clero surgiram três tipos de reacções:

- as que reduziram tais comportamentos a «questões internas»;
- as que tentaram relativizar, afirmando que outras igrejas e outras instituições também as praticaram;
- as que tentaram transformar as acusações numa campanha contra a Igreja.

Entre as primeiras, temos o pronunciamento do sinistro Cardeal Saraiva Martins, a que me referi em anterior post e sobre o qual Fernanda Câncio escreve um artigo arrasador.
O segundo tipo de reacções é difuso e abunda nas declarações de bispos, padres e leigos. A ideia é de que a pedofilia é praticada no seio das famílias e também no protestantismo, por exemplo, e não se vê ninguém a atacar tais instituições. Em primeiro lugar, não existe A Família e, portanto, não pode ser escrutinada enquanto tal. Também não existe a «Igreja protestante», sendo que cada congregação evangélica, reformada, baptista ou de outra denominação é autónoma. E, ao contrário do que se diz, têm sido bastantes as acusações de actos sexuais com menores feitas a pastores evangélicos, designadamente nos Estados Unidos da América. Só a Igreja Católica possui uma estrutura supranacional hierarquizada. E é, justamente, esta estrutura - que vai do pároco ao bispo, do religioso ao seu superior, da conferência episcopal às congregações romanas e ao próprio Papa - que, durante anos, silenciou as acusações e transferiu padres permitindo a perpetuação dos crimes noutro local. Os que silenciaram foram promovidos e mandados recolher a Roma, como seja o caso do Cardeal Bernard Law, antigo Arcebispo de Boston e actual Arcipreste da Basílica Papal de Santa Maria Maior.
O terceiro tipo de reacções são exemplarmente representadas pela inenarrável comparação feita pelo Pregador da Casa Pontífica, Raniero Cantalamessa O.F.M. Cap., entre as acusações feitas à Igreja e as perseguições anti-semitas. Socorrendo-se de uma carta de um seu amigo judeu, afirma: «Tenho acompanhado com desgosto o ataque violento e concêntrico contra a Igreja, o Papa e todos os féis do mundo inteiro. O recurso ao estereótipo, a passagem da responsabilidade pessoal para a coletividade me lembram os aspectos mais vergonhosos do anti-semitismo.»
Mas esta gente perdeu o sentido das proporções?

domingo, 28 de março de 2010

A iniquidade

As declarações de D. José Saraiva Martins C.M.F., Prefeito emérito da Congregação para a Causa dos Santos e Cardeal-Bispo de Palestrina, de que "Não devemos ficar demasiado escandalizados se alguns bispos sabiam e mantiveram o segredo. É isso que acontece em todas as famílias. Não se lava a roupa suja em público." são eloquentes de um determinado modo de ser e de estar na Igreja. Desde quando actos pedófilos praticados por membros do Clero e silenciados pelos respectivos Bispos e pela própria Santa Sé são «roupa suja»? Estas declarações não provêm de um obscurso clérigo mas da 7ª figura da Igreja Católica Apostólica Romana (por ordem de precedência do Colégio dos Cardeais). Vindo de alguém que tem como motto como «Príncipe da Igreja» Veritas in Caritate, tais palavras só podem significar que desta Igreja há muito que a Igreja de Cristo se ausentou.

domingo, 21 de março de 2010

O respeitinho

Na Carta Pastoral que, anteontem, o Papa Bento XVI enviou aos católicos da Irlanda lê-se a dado passo que há uma «tendência na sociedade a favorecer o clero e outras figuras com autoridade e uma preocupação inoportuna pelo bom nome da Igreja e para evitar os escândalos, que levaram como resultado à malograda aplicação das penas canónicas em vigor e à falta da tutela da dignidade de cada pessoa.» (sublinhado meu).

Em Portugal também há essa tendência, à mistura com o célebre «respeitinho».

(Texto completo da Carta aqui)

terça-feira, 2 de março de 2010

O ultramontanismo


Ou muito me engano, ou a visita de Bento XVI vai revelar-nos em todo o seu esplendor a «maioria silenciosa» ultramontana, miguelista, integralista, salazarenta, direitista, vinda directamente de não-sei-quantos cafés, táxis, paróquias, movimentos, agapes e por aí fora.

Espero que não! Pelo Papa, pela Igreja portuguesa que tem sabido renovar-se na tradição e pelos bispos portugueses que não merecem ser «priores dessa freguesia». E que freguesia!

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Cinzas

Memento homo, quia pulvis es et in pulverem reverteris (Gn 3, 19)

Liturgia da Quarta-Feira de Cinzas, Missale Romanum

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Natal - Kalenda

Vinte e Cinco de Dezembro. Oitava Lua.

Tendo transcorrido muitos séculos desde a criação do mundo,

Quando no princípio Deus tinha criado o céu e a terra e tinha feito o Homem à sua imagem;

E muitos séculos de quando, depois do dilúvio, o Altíssimo tinha feito resplandecer o arco-íris, sinal da Aliança e da Paz;

Vinte e um séculos depois da partida de Abraão, nosso pai na fé, de Ur dos Caldeus;

Treze séculos depois da saída de Israel do Egipto, sob a guia de Moisés;

Cerca de mil anos depois da unção de David como rei de Israel;

Na sexagésima quinta semana, segundo a profecia de Daniel;

Na época da centésima nonagésima quarta Olimpíada;

No ano setecentos e cinquenta e dois da fundação da cidade de Roma;

No quadragésimo segundo ano do Império de César Octaviano Augusto;

Quando em todo o mundo reinava a paz, Jesus Cristo, Deus Eterno e Filho do Eterno Pai, querendo santificar o mundo com a sua vinda, tendo sido concebido por obra do Espírito Santo, tendo transcorrido nove meses, (aqui eleva-se a voz, e todos se ajoelham) nasce em Belém da Judeia da Virgem Maria, feito homem:

Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo a natureza humana.

Graças a Deus.

"Kalenda" (in Martirológio Romano)


domingo, 15 de março de 2009

Almada e o Vaticano

A minha terra no Bollettino da Sala Stampa della Santa Sede, de 14/03/2009! Eis o comunicado:

«NOMINA DELL’INVIATO SPECIALE ALLA CELEBRAZIONE DEL 50° ANNIVERSARIO DELL’INAUGURAZIONE DEL SANTUARIO DI CRISTO RE (ALMADA, PORTOGALLO, 17 MAGGIO 2009)

Il Santo Padre ha nominato l’Em.mo Card. José Saraiva Martins, C.M.F., Prefetto emerito della Congregazione delle Cause dei Santi, Suo Inviato Speciale alla celebrazione del 50° anniversario dell’inaugurazione del Santuario di Cristo Re ad Almada (Portogallo) il 17 maggio 2009.»

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Jornalismo de investigação

Não costumo ler livros de «jornalismo de investigação». Qualquer coisa na transposição do jornal ou da revista para o formato livro desperta em mim um cuidado redobrado. Afinal, a charlatanice é sempre possível, sobretudo num meio em que não há conselhos de redacção, ERC (acho eu!) ou controlo dos pares a intervir. Claro que tudo isto é um disparate: há grandes livros de jornalismo de investigação nos países civilizados, sobretudo anglo-saxónicos, e nunca será demais lembrar esse livro seminal que é In Cold Blood de Truman Capote. Em Portugal há pouco e não é bom. Acabei de ler Em Nome de Deus, de David Yallop (2006) sobre a morte do pobre João Paulo I. As teorias da conspiração nunca me interessaram particularmente e acabam por ser frequentemente ridículas. Neste caso, o livro é convincente, reunindo o Autor matéria factual - não diria probatória, mas enfim - suficiente e, apesar de me ter perdido no emaranhado de relações - P2, Opus Dei, bancos, investimentos, financiamentos, pessoas - a trama acaba por ser convincente. A lição é conhecida: os responsáveis pela morte serão altos dignitários da Cúria Romana, entre os quais o Cardeal Villot, à época Secretário de Estado, Marcinkus, chefe do «Banco do Vaticano», P2 e tutti quanti. Interessante é a crítica feroz a João Paulo II, conhecedor das mudanças que o seu Predecessor pretendia operar e causa eficiente da sua morte, por nada ter feito para apurar a verdade e, pelo contrário, de ter mantido e promovido alguns dos responsáveis pelo assassinato do Papa Luciani. «Woytila nada fez. Temos um papa que censura publicamente os padres da Nicarágua pelo seu envolvimento na política e que, ao mesmo tempo, abençoa a entrega, secreta e ilegal, de grandes somas ao Solidariedade. É um papado com dois padrões - um para o papa e outro para o resto da humanidade. O papado de João Paulo II tem sido uma benesse para os traficantes, os corruptos, para a ladroagem internacional [...] mantendo, simultaneamente, uma imagem altamente propagandeada, à laia de estrela rock. Os homens que estão por detrás do «beijoqueiro das pistas de aterragem» têm por função garantir a continuação do negócio de sempre e velar para que os lucros aumentem.» (p. 365 da ed. Dom Quixote).