quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Os clássicos

Um país civilizado é aquele cujos clássicos estão permanentemente disponíveis, seja em edições de referência, seja em edições acessíveis ao grande público mas assentes em textos rigorosamente fixados. Alguma coisa tem sido feita, mérito de alguns investigadores, universidades e casas editoras. A Imprensa Nacional tem cumprido o seu papel. No entanto, permanecem, indesculpavelmente, algumas zonas de sombra. Uma delas é Alexandre Herculano. Figura incontornável da literatura e da historiografia portuguesas, não tem no mercado livreiro actual edições de referência dignas desse nome. As edições das suas obras dirigidas por Vitorino Nemésio encontram-se esgotadas, para já não falar da inexistência de uma autêntica obra completa, tarefa nunca concluída, permanecendo por editar muitos textos dispersos. Num período em que o romance histórico se tornou moda, a ausência de Herculano no nosso tempo é um mistério por esclarecer. O mesmo acontece com Almeida Garrett, do qual, no entanto, se iniciou a publicação da Edição Crítica (na INCM). Escândalo dos escândalos: de Camilo Castelo Branco não existe uma edição de conjunto (a edição da Lello não está, propriamente, ao alcance do grande público, dado o seu elevadíssimo custo e não é uma edição completa, muito menos crítica), sendo hoje inacessíveis muitos dos volumes das Obras dirigidas por Jacinto do Prado Coelho para a Parceria A. M. Pereira.
Para não ir além do século XX, autores como Fialho de Almeida e Ramalho Ortigão tornaram-se invisíveis, dado o desparecimento das edições da Livraria Clássica Editora.
Valham-nos os alfarrabistas e os recentemente por mim descobertos leilões na Net.


(Edição crítica do Eurico - já a tinha e comprei outra para oferecer ao meu primo Xico)

Bento XVI no Reino Unido - Passagens canónicas

"Albeit the king's Majesty justly and rightfully is and ought to be the supreme head of the Church of England, and so is recognized by the clergy of this realm in their convocations, yet nevertheless, for corroboration and confirmation thereof, and for increase of virtue in Christ's religion within this realm of England, and to repress and extirpate all errors, heresies, and other enormities and abuses heretofore used in the same, be it enacted, by authority of this present Parliament, that the king, our sovereign lord, his heirs and successors, kings of this realm, shall be taken, accepted, and reputed the only supreme head in earth of the Church of England, called Anglicans Ecclesia; and shall have and enjoy, annexed and united to the imperial crown of this realm, as well the title and style thereof, as all honors, dignities, preeminences, jurisdictions, privileges, authorities, immunities, profits, and commodities to the said dignity of the supreme head of the same Church belonging and appertaining; and that our said sovereign lord, his heirs and successors, kings of this realm, shall have full power and authority from time to time to visit, repress, redress, record, order, correct, restrain, and amend all such errors, heresies, abuses, offenses, contempts and enormities, whatsoever they be, which by any manner of spiritual authority or jurisdiction ought or may lawfully be reformed, repressed, ordered, redressed, corrected, restrained, or amended, most to the pleasure of Almighty God, the increase of virtue in Christ's religion, and for the conservation of the peace, unity, and tranquility of this realm; any usage, foreign land, foreign authority, prescription, or any other thing or things to the contrary hereof notwithstanding."

Acto de Supremacia, de Henrique VIII de Inglaterra (1534)

Bento XVI no Reino Unido

"The Roman Catholic religion, with its train of priests and friers, is more expensive than ours: Even though unaccompanied with its natural attendants of inquisitors, and stakes, and gibbets, it is less tolerating: And not content with dividing the sacerdotal from the regal office (which must be prejudicial to any state), it bestows the former on a foreigner, who has always a separate interest from that of the public, and may often have an opposite one."

terça-feira, 7 de setembro de 2010

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Itália - Inscrições



Das centenas de fotos que trouxe de Itália, destaco três menos comuns: a muito procurada Fontana dei Libri romana - leitmotiv deste blogue - e que, afinal, estava perto da Piazza Navona; a memória de Garibaldi em Verona; o local de execução de Savonarola na Cidade das Flores.

José Pacheco Pereira teve a amabilidade de as publicar no seu blogue.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

De novo na Bota

Itália, cá vou eu outra vez:  Lombardia, Veneto, Emilia-Romagna,Toscânia, Úmbria, Lazio.


No fim, regresso à minha Cidade Eterna

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Apontamento

A pior ilusão é imaginar que os inimigos dos nossos inimigos, nossos amigos serão.

Rádio, V


Nunca abotoe um botão de um elevador em andamento…
Há várias maneiras de um homem se abotoar. Por exemplo: com milhares de contos!
Homem desabotoado vale por dois!
-Tem-se abotoado bem, ele… ah...!?
-Pois: abotoou-se e depois habituou-se…


Os Hunos foram os primeiros a considerarem-se hunos e indivisíveis. Indivisíveis porque eram primos.


As receitas dos médicos são as despesas dos doentes.


Um semideus é deus da cintura para cima ou da cintura para baixo?


Um domingo nunca vem só: traz a semana inteira.


As pilhas podem dar à luz: pilha és, mãe serás!


Até o tempo mal empregado se desconta para a Caixa!


Penso, logo rápido.


Uma carta de apresentação apresenta-se bem e o defeito que tem é ser tão usada.


Uma mulher fartava-se de lhe dizer:
- Não te Descartes marido, não te Descartes…
Ficou célebre como filósofo e matemático do século XVII…


Um carteiro quando faz batota, mete as cartas do 1º. esquerdo no 4º. frente.


Quando a família real joga às cartas todos estão proibidos de dizer: - Só me saem duques!



Pão com Manteiga, 2 (Lisboa, 1981)

A rádio, IV

Falta falar da Antena 2, antigo «Programa 2» da Emissora Nacional. Para além de ter contribuido fortemente para a minha educação musical - relembro O Canto e os Seus Intérpretes, de Maria Helena de Freitas -, a «Emissora 2» passava teatro radiofónico de qualidade, com adaptações notáveis de obras literárias e peças de teatro propriamente ditas. Relembro uma excepcional adaptação de Bastardos do Sol, de Urbano Tavares Rodrigues. Durante anos recebia uma revistinha com a programação do mês seguinte. Assinalava tudo aquilo que queria ouvir - e nem sempre cumpria. Mas era muito estimulante.

Na música erudita a minha grande referência é, ainda e sempre, o António Cartaxo. Como acontece relativamente a alguns outros (João Bénard, Victorino d'Almeida, Maria Helena de Freitas, David Mourão-Ferreira, Eduardo Prado Coelho), devo-lhe muito em sabedoria que não conservei.

A rádio, III

A melhor rádio que ouvi, ouvi-a a partir de 1979, na Rádio Comercial, nos bons velhos tempos da RDP - Rádio Comercial, que sucedeu ao Rádio Clube Português. Programas fabulosos: a 24ª Hora, os Cinco Minutos de Jazz, o Rock em Stock, o Café-Concerto, As Noites Longas do FM Stereo, O Som da Frente, O Calor da Noite, Musicando, A Grafonola Ideal e a Febre de Sábado de ManhãCantores do Rádio, TNT - Todos no Top, O Vapor, Morrison Hotel, Pedras Rolantes, o Pão com Manteiga - era a "doce mania de rádio". E claro, havia os programas que vinham do antigamente: o Quando o Telefona Toca - que também havia na Renascença - e os Parodiantes de Lisboa.

Depois veio a TSF - Rádio Jornal. Fixei-me nela. A rádio deixou de me fazer a companhia sistemática dos tempos antigos. Talvez volte...

P.S.: E o Em Órbita! Tentava gravar sempre - em cassetes - aqueles concertos fabulosos dos English Baroque Soloists, com direcção de John Eliot Gardiner.

A rádio, II

Quando despertei para a rádio era isto que se ouvia: a Emissora Nacional "de Radiodifusão" (só se dizia, "a Emissora Nacional", ou "a Emissora"), a Rádio Renascença ("Emissora Católica Portuguesa"), o Rádio Clube Português e os Emissores Associados de Lisboa (os chamados "postos pequenos")


A rádio

Hoje que a rádio em Portugal faz 75 anos, aqui deixo uma imagem da minha «telefonia» mais preciosa: o Grundig 945 W que a minha avó Teresa me ofereceu (a imagem não é do meu exemplar - foi retirada da Net - mas está igualzinho).

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Fernando Savater sobre a proibição das corridas de touros na Catalunha


Brilhante Fernando Savater, na sequência, aliás, de vários textos seus sobre o assunto:

"Por supuesto, no es el caso presentar argumentos a favor o en contra de mantener las corridas de toros, como suele decirse: quienes tienen que justificar la insólita medida son los que han decidido prohibirlas parlamentariamente. Hay gente a la que le gustan los toros y otros muchos que no han pisado una plaza en su vida o que sienten repugnancia por la fiesta: es la diversidad de los hijos de Dios. Pero que un Parlamento prohíba una costumbre arraigada, una industria, una forma de vida popular... es algo que necesita una argumentación muy concluyente. La que hemos oído hasta la fecha dista mucho de serlo.
¿Son las corridas una forma de maltrato animal? A los animales domésticos se les maltrata cuando no se les trata de manera acorde con el fin para el que fueron criados. No es maltrato obtener huevos de las gallinas, jamones del cerdo, velocidad del caballo o bravura del toro. Todos esos animales y tantos otros no son fruto de la mera evolución sino del designio humano (precisamente estudiar la cría de animales domésticos inspiró a Darwin El origen de las especies). Lo que en la naturaleza es resultado de tanteos azarosos combinados con circunstancias ambientales, en los animales que viven en simbiosis con el hombre es logro de un proyecto más o menos definido. Tratar bien a un toro de lidia consiste precisamente en lidiarlo. No hace falta insistir en que, comparada con la existencia de muchos animales de nuestras granjas o nuestros laboratorios, la vida de los toros es principesca. Y su muerte luchando en la plaza no desmiente ese privilegio, lo mismo que seguimos considerando en conjunto afortunado a un millonario que tras sesenta o setenta años a cuerpo de rey pasa su último mes padeciendo en la UCI.
¿Son inmorales las corridas de toros? Dejemos de lado esa sandez de que el aficionado disfruta con la crueldad y el sufrimiento que ve en la plaza: si lo que quisiera era ver sufrir, le bastaría con pasearse por el matadero municipal. Puede que haya muchos que no encuentren simbolismo ni arte en las corridas, pero no tienen derecho a establecer que nadie sano de espíritu puede verlos allí. La sensibilidad o el gusto estético (esa "estética de la generosidad" de la que hablaba Nietzsche) deben regular nuestra relación compasiva con los animales, pero desde luego no es una cuestión ética ni de derechos humanos (no hay derechos "animales"), pues la moral trata de las relaciones con nuestros semejantes y no con el resto de la naturaleza. Precisamente la ética es el reconocimiento de la excepcionalidad de la libertad racional en el mundo de las necesidades y los instintos. No creo que cambiar esta tradición occidental, que va de Aristóteles a Kant, por un conductismo zoófilo espiritualizado con pinceladas de budismo al baño María suponga progreso en ningún sentido respetable del término ni mucho menos que constituya una obligación cívica.
¿Es papel de un Parlamento establecer pautas de comportamiento moral para sus ciudadanos, por ejemplo diciéndoles cómo deben vestirse para ser "dignos" y "dignas" o a que espectáculos no deber ir para ser compasivos como es debido? ¿Debe un Parlamento laico, no teocrático, establecer la norma ética general obligatoria o más bien debe institucionalizar un marco legal para que convivan diversas morales y cada cual pueda ir al cielo o al infierno por el camino que prefiera? A mí esta prohibición de los toros en Cataluña me recuerda tantas otras recomendaciones o prohibiciones semejantes del Estatut, cuya característica legal más notable es un intervencionismo realmente maníaco en los aspectos triviales o privados de la vida de los ciudadanos.
En cambio no estoy de acuerdo en que se trate de una toma de postura antiespañola. No señor, todo lo contrario. El Parlamento de Cataluña prohíbe los toros pero de paso reinventa el Santo Oficio, con lo cual se mantiene dentro de la tradición de la España más castiza y ortodoxa." (El Pais, 20/07/2010)

Pino Donaggio - Io che non vivo senza te



A tradição melódica da canção italiana

terça-feira, 27 de julho de 2010

A. O. S. (m. 27/07/1970 - 27/07/2010)

Nenhuma virtude. Nenhuma!

Divas, X


Divas, IX



Sem ofensa à sacrossanta memória de Katharine Hepburn - Meryl é a maior actriz da história do cinema