sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Gripe A


Uma das coisas positivas da Gripe A é pôr as pessoas a lavar as mãos - hábito que os portugueses pouco cultivam!

domingo, 2 de agosto de 2009

M. S. Lourenço (1936-2009)


Foi meu professor de Lógica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa no ano lectivo de 1986-1987. Nessa altura, para mim, ainda não era M.S. Lourenço mas apenas o Prof. Manuel Lourenço. Dava as aulas teóricas da Cadeira expondo a «Teoria Clássica da Dedução» com ar distante, entediado talvez - tendo plena consciência do desinteresse da maior parte dos alunos pela disciplina. Só mais tarde percebi a importância da Lógica, a importância de Manuel Lourenço como verdadeiro fundador dos estudos de Lógica em Portugal e a importância de M. S. Lourenço. Do grupo de «O Tempo e Modo», M. S. Lourenço foi um notável poeta, um escritor de uma escrita inaudita em Portugal - O Doge, atribuído ao Arquiduque Alexis-Christian Von Ratselhaft und Gribskov e Os Degraus do Parnaso - e grande tradutor de Wittgenstein - o Tractatus e as Investigações Filosóficas -, de Goedel e de Joyce. Estudioso de Wittgenstein - tema da sua tese de doutoramento, Espontaneidade da Razão. A Analítica Conceptual da Refutação do Empirismo na Filosofia de Wittgenstein, era, reconhecidamente, um dos mais importantes filósofos no âmbito da Lógica e da Filosofia da Matemática . Andou por Inglaterra - onde foi aluno de Michel Dummett e de G. E. M. Anscombe -, EUA e Áustria. Era dos professores mais cultos e cosmopolitas do Curso. Morreu ontem. Era pai do escritor e grande helenista Frederico Lourenço.

Página de M. S. Lourenço na Internet (onde pode ser lida uma grande entrevista conduzida por Miguel Tamen)

P.S.: Desidério Murcho, que foi meu contemporâneo no Departamento de Filosofia da Faculdade de Letras de Lisboa, presta-lhe uma significativa homenagem na Crítica.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Michael Jackson (1958-2009)


Nada a dizer... - nunca gostei da sua persona artística e não admiro a sua obra, mas reconheço a importância da sua contribuição para a história do pop, o seu talento e a sua longa carreira. R.I.P.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Registos Centrais

Actualizado Life on Mars?, de David Bowie

It's a God awful small affair
To the girl with the mousey hair
But her mummy is yelling, "No!"
And her daddy has told her to go
But her friend is no where to be seen
Now she walks through her sunken dream
To the seat with the clearest view
And she's hooked to the silver screen
But the film is a sadd'ning bore
For she's lived it ten times or more
She could spit in the eyes of fools
As they ask her to focus on

Sailors
Fighting in the dance hall
Oh man!
Look at those cavemen go
It's the freakiest show
Take a look at the lawman
Beating up the wrong guy
Oh man!
Wonder if he'll ever know
He's in the best selling show
Is there life on Mars?

It's on America's tortured brow
That Mickey Mouse has grown up a cow
Now the workers have struck for fame
'Cause Lennon's on sale again
See the mice in their million hordes
From Ibiza to the Norfolk Broads
Rule Britannia is out of bounds
To my mother, my dog, and clowns
But the film is a sadd'ning bore
'Cause I wrote it ten times or more
It's about to be writ again
As I ask you to focus on

Sailors
Fighting in the dance hall
Oh man!
Look at those cavemen go
It's the freakiest show
Take a look at the lawman
Beating up the wrong guy
Oh man!
Wonder if he'll ever know
He's in the best selling show
Is there life on Mars?

The Beatles - Something In The Way She Moves, de George Harrison (Abbey Road - 1968)

Dia de Portugal, Dia de Camões

Um país que tem como dia nacional o dia do seu poeta nacional. Um país que tem um poeta que fundou a língua e fundou a pátria. Um país que é Camões

Busque Amor novas artes, novo engenho
Pera matar-me, e novas esquivanças,
Que não pode tirar-me as esperanças,
Que mal me tirará o que eu não tenho.

Olhai de que esperanças me mantenho!
Vede que perigosas seguranças!
Que não temo contrastes nem mudanças,
Andando em bravo mar, perdido o lenho.

Mas, enquanto não pode haver desgosto
Onde esperança falta, lá me esconde
Amor um mal, que mata e não se vê,

Que dias há que na alma me tem posto
Um não sei quê, que nasce não sei onde,
Vem não sei como e dói não sei porquê.

domingo, 7 de junho de 2009

Der Zauberberg




Finalmente!
Vou reler o meu Romance, o Romance por antonomásia, o Romance absoluto.

David Carradine (1936-2009)

quinta-feira, 21 de maio de 2009

João Bénard da Costa (1935-2009)


Há pessoas a quem devemos tanto, que determinaram de tal modo o nosso modo de pensar que, o momento do seu desaparecimento- talvez não paradoxalmente - acaba por nos devolvê-los na condição de Obra. Com João Bénard da Costa aprendi muito e apenas através dos seus textos e das suas intervenções na Cinemateca. Relembro as suas «folhas» - mais tarde editadas - onde dissecava Hitchcock, Capra, Buñuel, Ford, Cukor, Lubitsh, Walsh, Wilder e tantos, tantos outros. Relembro a sua mítica paixão pelo Johnny Guitar de Nicholas Ray, os seus magníficos textos sobre o Musical, as suas frases lapidares como esta sobre Katharine Hepburn : «ela foi a melhor e a mais importante actriz da história do cinema». Mais há, sobretudo o seu grande amor pelo Cinema, o magnífico Português do seu discurso, a sua condição de «vencido do Catolicismo», O Tempo e o Modo, Mounier, a Cinemateca, Os Filmes da Minha Vida/Os Meus Filmes da Vida, O Cinema Português Nunca Existiu, Muito Lá de Casa e muito mais. Obrigado, João Bénard!

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Amálias

A pior coisa que poderemos fazer à memória de Amália Rodrigues é tentar, em vão, repeti-la no seu mesmo registo como o fazem incessantemente algumas fabulosas e outras tão-somente "bonitinhas" novas vozes do Fado. Daí a importância de um projecto como o Amália Hoje, de Nuno Gonçalves, com Sónia Tavares (The Gift), Paulo Praça e Fernando Ribeiro (Moonspell) que, ao forçar a memória de Amália a um estranhamento pop, lhe devolve outrossim toda a modernidade e todo o cosmpolitismo que a diva, ela própria, sempre evidenciou e foi o seu grande conseguimento.


terça-feira, 12 de maio de 2009

Poe




De uma assentada ficámos com a Poesia Completa e com Todos os Contos (2 vols.) de Edgar Allan Poe. Se lhes juntarmos a antologia de Helena Barbas - Poética (Textos Teóricos) - ficamos com a Obra quase completa do Autor. À parte as célebres traduções de Fernando Pessoa, Poe era muito mal tratado em edição portuguesa e estava disperso. Vou "afundar-me" em Poe - e confirmar que o meu Mestre Bloom não tem razão quando dizia que os seus contos "estão horrivelmente escritos (como também os seus poemas) e ganham ao ser traduzidos, até para inglês" e chamando-lhe "o abominável Poe" (Harold Bloom, Como Ler e Porquê, Lisboa, Caminho, 2001, pp. 34 e 49).

terça-feira, 5 de maio de 2009

Lugares, I - Roma, Campo dei Fiori




Um dos meus lugares preferidos, o Campo dei Fiori, na minha Cidade preferida. A estátua inquietante de Giordano Bruno no meio da confusão do mercado. Do lado esquerdo, a excelente livraria Fahrenheit 451, a lembrar outras fogueiras.

sábado, 11 de abril de 2009

Os Russos


E que dizer dos Russos? Antes tinhamos edições mal amanhadas do francês. Hoje, graças aos esforços de Nina e Filipe Guerra, por um lado, e de António Pescada, por outro, possuímos traduções directa do russo de obras fundamentais como Guerra e Paz, Anna Karénina, A Morte de Ivan Illitch e Sonata de Kreutzer de Tolstói, algum Turguenév, quase todo o Gógol, quase todo o Dostoiévski, quase todo o Tchékhov, Margarida e o Mestre, O Doutor Jivago e muitos outros.
Spasiba!

Clássicos

O mesmo se diga da Literatura. Os últimos anos têm propiciado o aparecimento de primeiras traduções, ou traduções refrescadas, de Homero (Ilíada, Odisseia, por Frederico Lourenço), Hesíodo, Ésquilo, Sófocles (na MinervaCoimbra), Eurípides, Menandro, Apuleio, Horácio (as Odes, por Pedro Braga Falcão), Petrónio (O Satyricon, por Delfim F. Leão), Ovídio (A Arte de Amar, Amores, por Carlos Ascenso André; Metamorfoses, por Paulo Farmhouse Alberto), etc.
Fora do âmbito das humanidades clássicas greco-latinas, têm surgido traduções de Dante e Petrarca (por Vasco Graça Moura), do Quijote (duas edições, uma por José Bento e outra por Miguel Serras Pereira), do Orlando Furioso de Ariosto, a Edição da Obra Dramática Completa de Shakespeare (na Campo das Letras, que agora faliu...), Milton (Paraíso Perdido), William Blake, Lautréamont, Walt Whitman, Pablo Neruda (por Albano Martins), Poe e muito, muito mais.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Filosofia


Vão longe os tempos em que os principais textos da literatura mundial e da Filosofia se liam em traduções francesas ou inglesas. Quando comecei o curso, Platão tinha poucas traduções, Aristóteles nem se fala e no que diz respeito a Kant começava-se a dar os primeiros passos com a Crítica da Razão Prática (de Artur Morão) e, principalmente, com a Crítica da Razão Pura (de Manuela Pinto dos Santos e Alexandre Fradique Morujão). Passados 20 anos, o panorama é completamente diferente: Platão está praticamente todo traduzido (falta uma edição de conjunto, com unidade de procedimentos interpretativos), Santo Agostinho, Espinosa, o essencial de Kant também, Nietzsche, Wittgenstein, etc.
Gostaria de chamar a atenção para um acontecimento editorial e cultural da máxima relevância - e que deveria teria mais destaque, não fosse a normal tradicional desatenção ao que é mesmo importante - e que é a Edição da Obras Completas de Aristóteles, dirigida por António Pedro Mesquita na INCM. Trata-se da primeira edição numa única colecção, à escala mundial, da Obra Completa do Estagirita, constituindo o primeiro volume uma «Introdução Geral» à Obra, da autoria do coordenador da edição e que constitui uma apresentação do «estado da arte» dos estudos aristotélicos. E que é também capaz, de num momento de síntese, de afirmar: « o aristotelismo é a ontologia natural do Ocidente - e por isso, e ele também um fim que não finda, isto é, o melhor fim. Este destino dá que pensar. Teria Aristóteles presentido que, enquanto Alexandre estava a construir um império, ele andava construindo uma civilização para ele? Ninguém decerto o saberá jamais - o que, evidentemente, é nesta matéria de importância alguma.»

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Património




O Centro de Arqueologia de Almada é uma das mais importantes organizações não-governamentais portuguesas de defesa do património histórico e ambiental. Com uma valiosa produção bibliográfica, edita, desde 1982, a revista Al-Madan, provavelmente a melhor revista da especialidade.

Património


Novo livro dos meus primos Francisco Silva e Elisabete Gonçalves e do Centro de Arqueologia de Almada prosseguindo o levantamento patrimonial do concelho de Almada. História local rigorosa e cientificamente ancorada. Uma edição da Junta de Freguesia do Pragal.