domingo, 21 de fevereiro de 2010

Funchal




A mais bela das cidades portuguesas, depois de Lisboa.
Quero rever-te, uma vez mais. Entrar na Sé, na Livraria Esperança, percorrer o Largo do Colégio, o Mercado, a cidade-velha. Põe-te boa. As melhoras!

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Kathryn Grayson (1922-2010)

i Portoghesi



La brutta fama che i Portoghesi hanno guadagnato a Roma, quella di entrare nei posti senza pagare (significato comune di questa espressione), è totalmente ingiusta ed ha una giustificazione storica che riscatta la fama che il popolo lusitano ha dappertutto, di essere gente umile ma onorata.

Succede che non sempre siamo stati umili… Una volta, al tempo di Giovanni V il Magnifico, il Portogallo era considerato una delle nazioni più ricche dell’Europa, valle a dire del mondo di allora. Infatti, il XVIII secolo fu tempo di fastose ambasciate al papa, quella del Marchese di Fontes (1713), e quella di Mello e Castro (1718) – quest’ultimo abitando vicino a Piazza Argentina.

Probabilmente fu lui a realizzare a Teatro Argentina degli spettacoli ai quali, naturalmente, la comunità portoghese residente a Roma, per entrare, non doveva pagare il biglietto. E così, con la furbizia che gli è caratteristica, il romano che voleva entrare senza pagare negli spettacoli faceva finta di essere portoghese…

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Quando a Escola era "risonha e franca" - Inscrições VIII


Cinzas

Memento homo, quia pulvis es et in pulverem reverteris (Gn 3, 19)

Liturgia da Quarta-Feira de Cinzas, Missale Romanum

Essenciais, 3

"Para ensinar há uma formalidadezinha a cumprir - saber"

Eça de Queirós, Notas Contemporâneas

Os Poemas, III

Acabou nosso carnaval
Ninguém ouve cantar canções
Ninguém passa mais brincando feliz
E nos corações
Saudades e cinzas foi o que restou

Pelas ruas o que se vê
É uma gente que nem se vê
Que nem se sorri
Se beija e se abraça
E sai caminhando
Dançando e cantando cantigas de amor

E no entanto é preciso cantar
Mais que nunca é preciso cantar
É preciso cantar e alegrar a cidade

A tristeza que a gente tem
Qualquer dia vai se acabar
Todos vão sorrir
Voltou a esperança
É o povo que dança
Contente da vida, feliz a cantar
Porque são tantas coisas azuis
E há tão grandes promessas de luz
Tanto amor para amar de que a gente nem sabe

Quem me dera viver pra ver
E brincar outros carnavais
Com a beleza dos velhos carnavais
Que marchas tão lindas
E o povo cantando seu canto de paz
Seu canto de paz

Vinicius de Moraes, Marcha da Quarta-Feira de Cinzas

[Infelizmente não existe na Rede nenhuma versão de qualidade]

Dire Straits - Money for nothing, de Brothers in Arms



Mark Knopfler com Eric Clapton - é o sétimo céu!

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

O pós-socratismo

Agora que o pós-cavaquismo está definido, quem será o rosto do pós-socratismo?
- António Costa?
- António José Seguro?
Talvez apostasse no segundo - até para permitir o paralelismo rotativista com Pedro Passos Coelho. Na última legislatura, o prestígio que lhe adveio das alterações que protagonizou quanto ao próprio funcionamento do Parlamento permitu-lhe ultrapassar o «Tó Zé».
Agora que Alegre ou será Presidente ou não será nada - será sempre um grande poeta -, tudo o mais é a violência do passado (Gama, João Soares), o bloco central de interesses (Vitorino) ou a irrelevância (Sérgio Sousa Pinto).
Que dirá o Velho?

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

O bloqueio das forças

Alguém ainda se lembra das «forças de bloqueio» (do Presidente da República ao Tribunal de Contas)? Do «deixem-nos governar»? De quando a «qualidade da Democracia» não era tão invocada a torto e a direito? Tudo isto num contexto em que não havia televisões privadas, Internet e mesmo as rádios livres começavam a dar os primeiros passos? Alguém se lembra de um Ministro Adjunto que ditava a grelha do Telejornal? Francisco José Viegas lembra-o, e bem!
Suma summarum: é indiscutível que também este Governo lida muito mal com a liberdade de informação. Mas qual não lidou: Soares (aqueles telejornais... o Velho ele-próprio já o reconheceu)? Barroso e Santana (lembram-se de Marcelo?)? Deixem-me rir.

A histeria

Tem toda a razão Constança Cunha e Sá: «se a liberdade de expressão está, de facto, em causa, não se percebe porque é que a Oposição, nomeadamente, o PSD do dr. Rangel, não tira daí as devidas consequências e apresenta uma moção de censura na Assembleia da República. Ou, melhor, percebe-se: porque a Oposição sabe que, por pior que seja o eng. Sócrates, não existe qualquer alternativa ao seu famigerado Governo. Daí que apelar ao Presidente da República para que demita o primeiro-ministro, na situação em que o País se encontra, seja um exercício fútil que dificilmente pode ser levado a sério. Ou seja mais um sinal da histeria que por aí abunda».
E se como diz Miguel Serras Pereira o que estamos a assistir é «ao branqueamento antecipado de um próximo governo “de verdade”, e das suas previsíveis tentativas de berlusconização do regime por via presidencial ou “mista” (coligação da Presidência e forças político-partidárias eventualmente recombinadas), e de “limitação económica” agravada dos direitos sociais e liberdades», há todas as razões do mundo para não fazermos dos inimigos dos nossos inimigos nossos amigos.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Glorioso

Para os meus amigos do SCP

Nada me dá mais gosto do que ganhar aos lagartos.



Grandes Actrizes Portuguesas III - Catarina Avelar

Automatonofobia





Descobri o conceito de uma fobia de que parece que sofro: automatonofobia! O problema é que o conteúdo empírico do conceito aponta para coisas de que não tenho, em princípio, medo: estátuas de cera - só tenho medo das de pedra -, bonecos, palhaços...

A propósito. Há três sítios de horror. Dois em Roma: um é o museu-atelier Canova Tadolini, na Via del Babuino - onde me aventurei um dia, sozinho, sabe-se lá porquê, e de repente me vi rodeado de estátuas por tudo o que é sítio; o outro, é o cruzamento da Piazza delle Quattro Fontane, onde uma noite, também sozinho, apanhei um grande susto. Um outro, em Lisboa, a «Casa das Estátuas», acho que perto de Santa Engrácia e que nunca vi, graças a Deus, a não ser numa reportagem do Expresso.

Pessoas que me irritam, 2


Mas é mesmo bonita!

Euskadi


Diz-me um amigo basco:

«Supongo que despues de esto, la prensa y los partidos politicos españoles intentaran influiir y presionar a Portugal y su opinion publica en contra de ETA y del nacionalismo vasco (cosas muy diferentes). Estas noticias, a mi no me gustan, porque cuando voy a Portugal, intento y lo logro, escapar y olvidar de la presión y ambiente muy cargado que vivimos en el Pais Vasco...Y temo que ahora esto cambie.»

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Memórias do JI

O jardim-de-infância onde eu andei foi notícia numa publicação da Câmara Municipal de Almada. Parece que alguém fez uma tese sobre a experiência de fundação de um creche e jardim-de-infância, antes do 25 de Abril, por funcionárias autárquicas. Tem fotos e tudo. Sou fácil de identificar: sou o único que aparece em todas.

Leituras

Há que ler: apurar a distância de valter hugo mãe a e. e. cummings.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Acordo ortográfico

Um dos melhores contra-exemplos às virtualidades do acordo ortográfico é lapidarmente exibido por Ana Cristina Leonardo:«Aliás, não sei como as luminárias que tiraram o "p" a EGIPTO, suponho que com base no extraordinário argumento que não se pronuncia, resolvem a questão da palavra EGÍPCIO — será que nos vão obrigar a ler "EGÍTIO"?!

Os Poemas, II

INSCRIÇÃO

Eu vi a luz em um país perdido.
A minha alma é lânguida e inerme.
Oh! Quem pudesse deslizar sem ruído!
No chão sumir-se, como faz um verme...

Camilo Pessanha, Clepsidra

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Casa de Fados

Magistral!
Trata-de de uma das cenas finais de Fados de Carlos Saura.
De entre os mais actuais e mais conhecidos, alçados, com toda a justiça, ao mainstream - Ricardo Ribeiro, Pedro Moutinho, Ana Sofia Varela, Carminho - a grande Maria da Nazaré. Os fadistas das "casas de fado" tendem a ser esquecidos. Aqui fica.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Conselho de Estado

A composição do Conselho de Estado não tem pés nem cabeça: não estão lá, por exemplo, nem o Procurador-Geral da República nem o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça. Não estão presentes os líderes dos restantes partidos com assento parlamentar (pelo menos o CDS, o PCP e o BE). Cavaco não teve a grandeza de, ao contrário do que fez Sampaio, nomear os líderes dos restantes partidos. De que interessa ser aconselhado por "amigos"? Para isso, pode ter conversas pessoais e informais e tem os "conselheiros" que não são "de Estado".

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

The Girl from Ipanema, de Tom Jobim



Nunca gostei de Astrud Gilberto, da sua vózita infantil, da sua desafinação, do seu timbre desagradável, dos disparates que sempre disse e fez e das horríveis coisas que cantou dos anos setenta em diante. Mas há Stan Getz, Tom Jobim e há a memória presente/ausente de João Gilberto. De Astrud bem se pode dizer com propriedade: em terra de cegos... (de «gringo», como eles dizem).
Aliás, as mulheres de João Gilberto tinham vozinhas pequenas - mas Miúcha é mais afinada, tem uma voz menos "suja", embora tenha um timbre meloso irritante. E, claro, sempre é irmã de Chico Buarque e mãe de Bebel, a melhor das três mulheres Gilberto.
Aqui fica a versão em Inglês, com o poema de Vinicius completamente assassinado.

De lembrar que The Girl from Ipanema ganhou o Grammy em 1965.

Manuel Serra (1931-2010)


A propósito da morte de Manuel Serra - nunca tantos deveram tanto a tão poucos. Há quantos anos eu não via este cartaz!

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

J. D. Salinger (1919-2010)


Queixume

Um Presidente da República queixa-se na abertura solene do ano judicial das péssimas leis que ele próprio promulga. Termos Chefes de Estado que sempre tarde e a más horas percebem que o rei - sans blague - vai nu tornou-se uma tradição nacional.

sábado, 23 de janeiro de 2010

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Essenciais 2 - Haiti - O injustificável

Sed cum ad poenas ventum est parvulorum, magnis, mihi crede, coartor angustiis, nec quid respondeam prorsus invenio [...]. Deus bonus est, Deus justus est, Deus omnipotens est; hoc dubitare omnino dementis est. Tantorum ergo malorum, quae fiunt in parvulis, caussa justa dicatur." (Santo Agostinho, "De origine animae hominis", Carta a São Jerónimo)

O Haiti de Bond



Era um país que não existia ou que se limitava a fazer parte do folclore regional: vodu, santeria, papa doc, baby doc, etc. O filme do 007 acabava por explorar esse cliché. Para lá do cliché não havia mais nada. Como se viu.

Inscrições VII


Não morro de amores pelas ditas, mas que teria a Comissão da Liberdade Religiosa a dizer disto?

Ordem de Cristo


Em Portugal, todos os antigos primeiros-ministros são condecorados com a Ordem de Cristo, mesmo que tenham sido exonerados do cargo em curto espaço de tempo por manifesta inadequação a essas altas funções.

No Reino Unido, nem todos os antigos primeiros-ministros são elevados à Câmara de Lordes, mesmo aqueles a quem «the Nation and the Commonwealth» tanto ficou a dever.

Coisas!

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Eric Rohmer (1920-2010)

Registos Centrais I

Como cada vez estou mais bissexto a escrever o que quer que seja, só cá venho para os obituários. Até que um dia nem para isso venha.

sábado, 2 de janeiro de 2010

Manuel Barbosa da Costa Freitas O.F.M. (1928-2010)


O Padre Costa Freitas foi meu professor de Filosofia da Religião na Faculdade de Letras de Lisboa no ano lectivo de 1987-1988 onde era professor catedrático convidado. Mais tarde, acolheu-me de forma muito simpática quando, episodicamente, leccionei na Universidade Católica, onde o Prof. Manuel Costa Freitas era professor ordinário (equivalente a catedrático nas universidades estatais). A sua obra está dispersa por centenas de artigos recolhidos na obra O Ser e os Seres. Itinerários Filosóficos (Lisboa, Verbo, 2 vols., 2004). Era doutorado pelo Pontifício Ateneu Antoniano de Roma (da Ordem Franciscana, de que era sacerdote) com uma dissertação sobre Leonardo Coimbra. Era especialista no pensamento medieval, designadamente o pensamento franciscano e em autores como S. Boaventura, Duns Escoto, Michel Henry, bem como em temas como o ateísmo.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Natal - Kalenda

Vinte e Cinco de Dezembro. Oitava Lua.

Tendo transcorrido muitos séculos desde a criação do mundo,

Quando no princípio Deus tinha criado o céu e a terra e tinha feito o Homem à sua imagem;

E muitos séculos de quando, depois do dilúvio, o Altíssimo tinha feito resplandecer o arco-íris, sinal da Aliança e da Paz;

Vinte e um séculos depois da partida de Abraão, nosso pai na fé, de Ur dos Caldeus;

Treze séculos depois da saída de Israel do Egipto, sob a guia de Moisés;

Cerca de mil anos depois da unção de David como rei de Israel;

Na sexagésima quinta semana, segundo a profecia de Daniel;

Na época da centésima nonagésima quarta Olimpíada;

No ano setecentos e cinquenta e dois da fundação da cidade de Roma;

No quadragésimo segundo ano do Império de César Octaviano Augusto;

Quando em todo o mundo reinava a paz, Jesus Cristo, Deus Eterno e Filho do Eterno Pai, querendo santificar o mundo com a sua vinda, tendo sido concebido por obra do Espírito Santo, tendo transcorrido nove meses, (aqui eleva-se a voz, e todos se ajoelham) nasce em Belém da Judeia da Virgem Maria, feito homem:

Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo a natureza humana.

Graças a Deus.

"Kalenda" (in Martirológio Romano)


domingo, 20 de dezembro de 2009

sábado, 19 de dezembro de 2009

Jennifer Jones (1919-2009)



João Bénard, que falta cá fazes!

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

sábado, 21 de novembro de 2009

Salvemos o Lince



As escolas portuguesas estão cheias de tesouros. Uma recente visita a uma delas permitiu-me recordar e fotografar sofrivelmente o cartaz que tantas vezes vi e que constituiu a primeira campanha de salvaguarda do património ambiental em Portugal: «Salvem o Lince e a Serra da Malcata». Aqui fica.

sábado, 14 de novembro de 2009

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Anselmo Duarte (1920-2009)

Ministra da Cultura



Já tinha havido uma Ministra assim tão bonita?

terça-feira, 10 de novembro de 2009

É a Constituição

Uma das lacunas da nossa Constituição é o não apontar claramente para matérias da competência exclusiva do Governo - com excepção das relativas à sua própria organização e funcionamento. A inexistência de uma «reserva da competência administrativa» vai causar muita confusão nesta legislatura. Ao mesmo tempo, vão ser muito interessantes os pronunciamentos do Tribunal Constitucional.
Há uma norma ainda não evocada no debate público mais recente, blogosfera incluída, e que se prende com uma disposição contida no artigo 167º da nossa lei fundamental, a qual reza assim:

«2. Os Deputados, os grupos parlamentares, as Assembleias Legislativas das regiões autónomas e os grupos de cidadãos eleitores não podem apresentar projectos de lei, propostas de lei ou propostas de alteração que envolvam, no ano económico em curso, aumento das despesas ou diminuição das receitas do Estado previstas no Orçamento.»

Como isto dá para quase tudo, aguardemos o que se segue!

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Essenciais, 1

"A experiência de voltar a viver a ferida do passado é mais forte do que a vontade de esquecer. E assim a existência do ressentimento mostra como é artificial o corte entre o passado e o presente, que deste modo vivem um no outro, tornando-se o passado um presente mais presente que o presente."
Marco Ferro, O Ressentimento na História

terça-feira, 3 de novembro de 2009

domingo, 25 de outubro de 2009

Caim

Quem comenta o "caso Saramago" já se deu ao trabalho de ler A Religião nos Limites da Simples Razão de Kant? É que, de facto, a Bíblia é, em muitas passagens, um «manual de maus costumes»!

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Agustina


Hoje que Agustina faz anos, adquiri uma das suas «obras invisíveis». Quando me tornei leitor de Agustina Bessa-Luís - em 1982, ano de Os Meninos de Ouro - sempre persegui fervorosamente o livro Embaixada a Calígula, editado em 1961 pela Livraria Bertrand. Nunca o encontrei. O facto de ser um livro de «literatura de viagens» e o facto de parte substancial da obra se fixar em Itália, outra das minhas obsessões - tudo isso me compelia para a obra e ela era inacessível.
Foi agora reeditada no âmbito da Opera Omnia em boa hora editada pela Guimarães.
Vou ler...








Esta era a capa original da edição que não se encontra em lado nenhum

domingo, 11 de outubro de 2009

As autárquicas

Lá fui votar e uma vez mais fui votar para a Assembleia de Freguesia e para dois «parlamentos» municipais: a Câmara Municipal e a Assembleia Municipal. O facto de não votarmos nem para a Junta de Freguesia - que emana da respectiva assembleia - nem para o Governo - que emana da Assembleia da República - torna a situação ainda mais caricata. Ao nível do município temos duas «assembleias», sendo que a propriamente dita tem diminutos poderes.
Apesar do novo texto da Constituição, os partidos ainda não se entenderem quanto à alteração da lei ordinária que permitiria uma única eleição a nível municipal, a da Assembleia. Assim, o 1.º candidato do partido mais votado seria eleito Presidente da Câmara Municipal e escolheria a vereação de acordo com o equilíbrio de forças presentes na Assembleia Municipal, dotada esta de poderes acrescidos de fiscalização. O melhor seria mesmo abolir a designação «Câmara Municipal» porque, de facto, «câmara» corresponde a «assembleia». Mas o nome tem longa tradição e é dos mais reconhecidos popularmente. E porque não chamar Alcaide ao Presidente da Câmara?
Por outro lado, a existência de câmaras municipais em que o vereador responsável, por exemplo, pelos lixos é de cor política diferente da do Presidente resulta em quê? Trata do lixo e dá votos à maioria ou não trata do lixo e não cumpre com as funções que lhe foram confiadas?

O fecho das urnas


Mas porque será que as eleições nos Açores não se iniciam uma hora mais cedo, de modo a podermos ter sondagens à boca das urnas logo às 19 horas?

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Nos dez anos da morte de Amália (6 de Outubro de 1999) - Gaivota, de Alain Oulman e Alexandre O'Neill



AMÁLIA

Na tua voz há tudo o que não há,
há tudo o que se diz e não se diz.
Há os sítios da saudade em tua voz,
o passado, o futuro, o nunca, o já,
há as sílabas da alma, e há um país.
Porque tu, mais que tu, és todos nós.

Na tua voz embarca-se e não mais,
não mais senão o mar e a despedida,
há um rastro de naufrágio em tua voz
onde há navios a sair do cais,
nessa voz por mil vozes repartida.
Porque tu, mais que tu, és todos nós.

Há mar e mágoa, e a sombra de uma nau,
a Gaivota de O'Neil e o rio Tejo,
saudade de saudade em tua voz,
um eco de Camões e o escravo Jau,
amor, ciúme, cinza e vão desejo.
Porque tu, mais que tu, és todos nós.

Manuel Alegre

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Anunciado Óscar honorário para Lauren Bacall


A mais bela mulher da história do cinema, "o mais belo animal do mundo", não é Marilyn Monroe ou Ava Gardner, Sofia Loren ou Catherine Deneuve. É, pura e simplesmente, Betty Joan Perske e passou à história e ao mito com o nome de LAUREN BACALL.

domingo, 13 de setembro de 2009

Honras de Panteão


Mas porque razão não teve Jorge de Sena Honras de Panteão?

sábado, 12 de setembro de 2009

Jorge de Sena - Regresso à Pátria


Não sei, meus filhos, que mundo será o vosso.
É possível, porque tudo é possível, que ele seja
aquele que eu desejo para vós. Um simples mundo,
onde tudo tenha apenas a dificuldade que advém
de nada haver que não seja simples e natural.
Um mundo em que tudo seja permitido,
conforme o vosso gosto, o vosso anseio, o vosso prazer,
o vosso respeito pelos outros, o respeito dos outros por vós.
E é possível que não seja isto, nem seja sequer isto
o que vos interesse para viver. Tudo é possível,
ainda quando lutemos, como devemos lutar,
por quanto nos pareça a liberdade e a justiça,
ou mais que qualquer delas uma fiel
dedicação à honra de estar vivo.
Um dia sabereis que mais que a humanidade
não tem conta o número dos que pensaram assim,
amaram o seu semelhante no que ele tinha de único,
de insólito, de livre, de diferente,
e foram sacrificados, torturados, espancados,
e entregues hipocritamente â secular justiça,
para que os liquidasse «com suma piedade e sem efusão de sangue.»
Por serem fiéis a um deus, a um pensamento,
a uma pátria, uma esperança, ou muito apenas
à fome irrespondível que lhes roía as entranhas,
foram estripados, esfolados, queimados, gaseados,
e os seus corpos amontoados tão anonimamente quanto haviam vivido,
ou suas cinzas dispersas para que delas não restasse memória.
Às vezes, por serem de uma raça, outras
por serem de urna classe, expiaram todos
os erros que não tinham cometido ou não tinham consciência
de haver cometido. Mas também aconteceu
e acontece que não foram mortos.
Houve sempre infinitas maneiras de prevalecer,
aniquilando mansamente, delicadamente,
por ínvios caminhos quais se diz que são ínvios os de Deus.
Estes fuzilamentos, este heroísmo, este horror,
foi uma coisa, entre mil, acontecida em Espanha
há mais de um século e que por violenta e injusta
ofendeu o coração de um pintor chamado Goya,
que tinha um coração muito grande, cheio de fúria
e de amor. Mas isto nada é, meus filhos.
Apenas um episódio, um episódio breve,
nesta cadela de que sois um elo (ou não sereis)
de ferro e de suor e sangue e algum sémen
a caminho do mundo que vos sonho.
Acreditai que nenhum mundo, que nada nem ninguém
vale mais que uma vida ou a alegria de té-1a.
É isto o que mais importa - essa alegria.
Acreditai que a dignidade em que hão-de falar-vos tanto
não é senão essa alegria que vem
de estar-se vivo e sabendo que nenhuma vez alguém
está menos vivo ou sofre ou morre
para que um só de vós resista um pouco mais
à morte que é de todos e virá.
Que tudo isto sabereis serenamente,
sem culpas a ninguém, sem terror, sem ambição,
e sobretudo sem desapego ou indiferença,
ardentemente espero. Tanto sangue,
tanta dor, tanta angústia, um dia
- mesmo que o tédio de um mundo feliz vos persiga -
não hão-de ser em vão. Confesso que
multas vezes, pensando no horror de tantos séculos
de opressão e crueldade, hesito por momentos
e uma amargura me submerge inconsolável.
Serão ou não em vão? Mas, mesmo que o não sejam,
quem ressuscita esses milhões, quem restitui
não só a vida, mas tudo o que lhes foi tirado?
Nenhum Juízo Final, meus filhos, pode dar-lhes
aquele instante que não viveram, aquele objecto
que não fruíram, aquele gesto
de amor, que fariam «amanhã».
E. por isso, o mesmo mundo que criemos
nos cumpre tê-lo com cuidado, como coisa
que não é nossa, que nos é cedida
para a guardarmos respeitosamente
em memória do sangue que nos corre nas veias,
da nossa carne que foi outra, do amor que
outros não amaram porque lho roubaram.

Jorge de Sena, Carta a Meus Filhos sobre os Fuzilamentos de Goya (25/6/1959), in Metamorfoses, Lisboa, 1963

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Biblioteca

O ficheiro da minha biblioteca pode ser consultado neste sítio.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Mário Soares sobre Manuela Ferreira Leite

O artigo de ontem de Mário Soares no Diário de Notícias mostra o que se pode esperar de um futuro Governo liderado por Manuela Ferreira Leite:

«A entrevista que a dra. Manuela Ferreira Leite concedeu à RTP1, que vi e ouvi com a maior atenção, constituiu, para mim, uma profunda decepção. Não esperava muito, confesso, dadas as intervenções que tem feito, desde que é líder do PSD. Mas foi pior do que supunha. De uma banalidade que, algumas vezes, roçou o patético.

Só falou dela própria. É uma pessoa séria, decidida, que tem o culto da verdade, que só faz o que deve e não abre concessões para ninguém, sejam amigos ou não. Já o sabíamos. Mas tudo isto é o pressuposto para qualquer político, que tenha princípios éticos e não seja um oportunista. Não precisava, portanto, de o dizer, muito menos tê-lo dito à saciedade. Seria mais subtil - e ficar-lhe-ia com certeza melhor - se mandasse dizer a outrem todos os auto-elogios com que entendeu dever mimosear-se...

Mas isso é uma questão de forma, mais ou menos elegante. O pior foi o conteúdo. Quanto à definição das políticas que entende dever promover, não se dignou dizer-nos nada de concreto. Um deserto de ideias. Como irão então decidir-se os eleitores nas escolhas a fazer? Não deu qualquer elemento novo. Limitou-se a apresentar a sua personalidade de moralista, como paladina da verdade e pura como uma vestal, em contraste com a do seu principal adversário, José Sócrates, a quem não se impediu de chamar "mentiroso" (sic), um termo pouco próprio num debate democrático entre adversários políticos. Com um olhar de mazinha ao canto do olho, que me surpreendeu...

Sendo economista de profissão e antiga ministra das Finanças, funções em que, aliás, não se destacou especialmente, esperar-se- -ia que Manuela Ferreira Leite revelasse algumas ideias novas para vencer a crise, que é, afinal, o que os portugueses querem acima de tudo saber. Mas não. Atirou a questão para um programa que há-de vir, para depois de Agosto, porque agora os portugueses não têm disposição para essas leituras. Manuela Ferreira Leite fala por si. Mas, que diabo, se não quer falar das questões de que é especialista, por as julgar enfadonhas em Agosto, será que trazia na manga do impecável vestido bege, que lhe ficava tão bem, alguns apontamentos sobre cultura, educação, ciência, ambiente, Europa, justiça, administração, Segurança Social, luta contra a criminalidade, defesa, luta contra o terrorismo, imigração, política no sentido mais estrito, relações partidárias, reforço da democracia? Nada! Realmente, não disse nada de jeito, sobre nenhum dos temas da actualidade que refiro. Então, perguntar-se-á: para que concedeu esta entrevista à RTP1, agora, em meados de Agosto, se não tinha ou não queria dizer nada? Apenas para se mostrar no seu encantador new look? Nesse aspecto, aceito que, dentro do possível, não tenha estado mal. Mas o pior é que não disse, aos seus compatriotas, nada do que eles esperavam e desejavam ouvir... Nesse aspecto, a entrevista foi uma verdadeira ocasião perdida!»

Mário Soares está melhor do que nunca. Os meus sublinhados sublinham a mordacidade com que trata M.F.L. Chapeau!

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Gripe A


Uma das coisas positivas da Gripe A é pôr as pessoas a lavar as mãos - hábito que os portugueses pouco cultivam!

domingo, 2 de agosto de 2009

M. S. Lourenço (1936-2009)


Foi meu professor de Lógica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa no ano lectivo de 1986-1987. Nessa altura, para mim, ainda não era M.S. Lourenço mas apenas o Prof. Manuel Lourenço. Dava as aulas teóricas da Cadeira expondo a «Teoria Clássica da Dedução» com ar distante, entediado talvez - tendo plena consciência do desinteresse da maior parte dos alunos pela disciplina. Só mais tarde percebi a importância da Lógica, a importância de Manuel Lourenço como verdadeiro fundador dos estudos de Lógica em Portugal e a importância de M. S. Lourenço. Do grupo de «O Tempo e Modo», M. S. Lourenço foi um notável poeta, um escritor de uma escrita inaudita em Portugal - O Doge, atribuído ao Arquiduque Alexis-Christian Von Ratselhaft und Gribskov e Os Degraus do Parnaso - e grande tradutor de Wittgenstein - o Tractatus e as Investigações Filosóficas -, de Goedel e de Joyce. Estudioso de Wittgenstein - tema da sua tese de doutoramento, Espontaneidade da Razão. A Analítica Conceptual da Refutação do Empirismo na Filosofia de Wittgenstein, era, reconhecidamente, um dos mais importantes filósofos no âmbito da Lógica e da Filosofia da Matemática . Andou por Inglaterra - onde foi aluno de Michel Dummett e de G. E. M. Anscombe -, EUA e Áustria. Era dos professores mais cultos e cosmopolitas do Curso. Morreu ontem. Era pai do escritor e grande helenista Frederico Lourenço.

Página de M. S. Lourenço na Internet (onde pode ser lida uma grande entrevista conduzida por Miguel Tamen)

P.S.: Desidério Murcho, que foi meu contemporâneo no Departamento de Filosofia da Faculdade de Letras de Lisboa, presta-lhe uma significativa homenagem na Crítica.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Michael Jackson (1958-2009)


Nada a dizer... - nunca gostei da sua persona artística e não admiro a sua obra, mas reconheço a importância da sua contribuição para a história do pop, o seu talento e a sua longa carreira. R.I.P.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Registos Centrais

Actualizado Life on Mars?, de David Bowie

It's a God awful small affair
To the girl with the mousey hair
But her mummy is yelling, "No!"
And her daddy has told her to go
But her friend is no where to be seen
Now she walks through her sunken dream
To the seat with the clearest view
And she's hooked to the silver screen
But the film is a sadd'ning bore
For she's lived it ten times or more
She could spit in the eyes of fools
As they ask her to focus on

Sailors
Fighting in the dance hall
Oh man!
Look at those cavemen go
It's the freakiest show
Take a look at the lawman
Beating up the wrong guy
Oh man!
Wonder if he'll ever know
He's in the best selling show
Is there life on Mars?

It's on America's tortured brow
That Mickey Mouse has grown up a cow
Now the workers have struck for fame
'Cause Lennon's on sale again
See the mice in their million hordes
From Ibiza to the Norfolk Broads
Rule Britannia is out of bounds
To my mother, my dog, and clowns
But the film is a sadd'ning bore
'Cause I wrote it ten times or more
It's about to be writ again
As I ask you to focus on

Sailors
Fighting in the dance hall
Oh man!
Look at those cavemen go
It's the freakiest show
Take a look at the lawman
Beating up the wrong guy
Oh man!
Wonder if he'll ever know
He's in the best selling show
Is there life on Mars?

The Beatles - Something In The Way She Moves, de George Harrison (Abbey Road - 1968)

Dia de Portugal, Dia de Camões

Um país que tem como dia nacional o dia do seu poeta nacional. Um país que tem um poeta que fundou a língua e fundou a pátria. Um país que é Camões

Busque Amor novas artes, novo engenho
Pera matar-me, e novas esquivanças,
Que não pode tirar-me as esperanças,
Que mal me tirará o que eu não tenho.

Olhai de que esperanças me mantenho!
Vede que perigosas seguranças!
Que não temo contrastes nem mudanças,
Andando em bravo mar, perdido o lenho.

Mas, enquanto não pode haver desgosto
Onde esperança falta, lá me esconde
Amor um mal, que mata e não se vê,

Que dias há que na alma me tem posto
Um não sei quê, que nasce não sei onde,
Vem não sei como e dói não sei porquê.

domingo, 7 de junho de 2009

Der Zauberberg




Finalmente!
Vou reler o meu Romance, o Romance por antonomásia, o Romance absoluto.

David Carradine (1936-2009)

quinta-feira, 21 de maio de 2009

João Bénard da Costa (1935-2009)


Há pessoas a quem devemos tanto, que determinaram de tal modo o nosso modo de pensar que, o momento do seu desaparecimento- talvez não paradoxalmente - acaba por nos devolvê-los na condição de Obra. Com João Bénard da Costa aprendi muito e apenas através dos seus textos e das suas intervenções na Cinemateca. Relembro as suas «folhas» - mais tarde editadas - onde dissecava Hitchcock, Capra, Buñuel, Ford, Cukor, Lubitsh, Walsh, Wilder e tantos, tantos outros. Relembro a sua mítica paixão pelo Johnny Guitar de Nicholas Ray, os seus magníficos textos sobre o Musical, as suas frases lapidares como esta sobre Katharine Hepburn : «ela foi a melhor e a mais importante actriz da história do cinema». Mais há, sobretudo o seu grande amor pelo Cinema, o magnífico Português do seu discurso, a sua condição de «vencido do Catolicismo», O Tempo e o Modo, Mounier, a Cinemateca, Os Filmes da Minha Vida/Os Meus Filmes da Vida, O Cinema Português Nunca Existiu, Muito Lá de Casa e muito mais. Obrigado, João Bénard!

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Amálias

A pior coisa que poderemos fazer à memória de Amália Rodrigues é tentar, em vão, repeti-la no seu mesmo registo como o fazem incessantemente algumas fabulosas e outras tão-somente "bonitinhas" novas vozes do Fado. Daí a importância de um projecto como o Amália Hoje, de Nuno Gonçalves, com Sónia Tavares (The Gift), Paulo Praça e Fernando Ribeiro (Moonspell) que, ao forçar a memória de Amália a um estranhamento pop, lhe devolve outrossim toda a modernidade e todo o cosmpolitismo que a diva, ela própria, sempre evidenciou e foi o seu grande conseguimento.


terça-feira, 12 de maio de 2009

Poe




De uma assentada ficámos com a Poesia Completa e com Todos os Contos (2 vols.) de Edgar Allan Poe. Se lhes juntarmos a antologia de Helena Barbas - Poética (Textos Teóricos) - ficamos com a Obra quase completa do Autor. À parte as célebres traduções de Fernando Pessoa, Poe era muito mal tratado em edição portuguesa e estava disperso. Vou "afundar-me" em Poe - e confirmar que o meu Mestre Bloom não tem razão quando dizia que os seus contos "estão horrivelmente escritos (como também os seus poemas) e ganham ao ser traduzidos, até para inglês" e chamando-lhe "o abominável Poe" (Harold Bloom, Como Ler e Porquê, Lisboa, Caminho, 2001, pp. 34 e 49).

terça-feira, 5 de maio de 2009

Lugares, I - Roma, Campo dei Fiori




Um dos meus lugares preferidos, o Campo dei Fiori, na minha Cidade preferida. A estátua inquietante de Giordano Bruno no meio da confusão do mercado. Do lado esquerdo, a excelente livraria Fahrenheit 451, a lembrar outras fogueiras.

sábado, 11 de abril de 2009

Os Russos


E que dizer dos Russos? Antes tinhamos edições mal amanhadas do francês. Hoje, graças aos esforços de Nina e Filipe Guerra, por um lado, e de António Pescada, por outro, possuímos traduções directa do russo de obras fundamentais como Guerra e Paz, Anna Karénina, A Morte de Ivan Illitch e Sonata de Kreutzer de Tolstói, algum Turguenév, quase todo o Gógol, quase todo o Dostoiévski, quase todo o Tchékhov, Margarida e o Mestre, O Doutor Jivago e muitos outros.
Spasiba!

Clássicos

O mesmo se diga da Literatura. Os últimos anos têm propiciado o aparecimento de primeiras traduções, ou traduções refrescadas, de Homero (Ilíada, Odisseia, por Frederico Lourenço), Hesíodo, Ésquilo, Sófocles (na MinervaCoimbra), Eurípides, Menandro, Apuleio, Horácio (as Odes, por Pedro Braga Falcão), Petrónio (O Satyricon, por Delfim F. Leão), Ovídio (A Arte de Amar, Amores, por Carlos Ascenso André; Metamorfoses, por Paulo Farmhouse Alberto), etc.
Fora do âmbito das humanidades clássicas greco-latinas, têm surgido traduções de Dante e Petrarca (por Vasco Graça Moura), do Quijote (duas edições, uma por José Bento e outra por Miguel Serras Pereira), do Orlando Furioso de Ariosto, a Edição da Obra Dramática Completa de Shakespeare (na Campo das Letras, que agora faliu...), Milton (Paraíso Perdido), William Blake, Lautréamont, Walt Whitman, Pablo Neruda (por Albano Martins), Poe e muito, muito mais.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Filosofia


Vão longe os tempos em que os principais textos da literatura mundial e da Filosofia se liam em traduções francesas ou inglesas. Quando comecei o curso, Platão tinha poucas traduções, Aristóteles nem se fala e no que diz respeito a Kant começava-se a dar os primeiros passos com a Crítica da Razão Prática (de Artur Morão) e, principalmente, com a Crítica da Razão Pura (de Manuela Pinto dos Santos e Alexandre Fradique Morujão). Passados 20 anos, o panorama é completamente diferente: Platão está praticamente todo traduzido (falta uma edição de conjunto, com unidade de procedimentos interpretativos), Santo Agostinho, Espinosa, o essencial de Kant também, Nietzsche, Wittgenstein, etc.
Gostaria de chamar a atenção para um acontecimento editorial e cultural da máxima relevância - e que deveria teria mais destaque, não fosse a normal tradicional desatenção ao que é mesmo importante - e que é a Edição da Obras Completas de Aristóteles, dirigida por António Pedro Mesquita na INCM. Trata-se da primeira edição numa única colecção, à escala mundial, da Obra Completa do Estagirita, constituindo o primeiro volume uma «Introdução Geral» à Obra, da autoria do coordenador da edição e que constitui uma apresentação do «estado da arte» dos estudos aristotélicos. E que é também capaz, de num momento de síntese, de afirmar: « o aristotelismo é a ontologia natural do Ocidente - e por isso, e ele também um fim que não finda, isto é, o melhor fim. Este destino dá que pensar. Teria Aristóteles presentido que, enquanto Alexandre estava a construir um império, ele andava construindo uma civilização para ele? Ninguém decerto o saberá jamais - o que, evidentemente, é nesta matéria de importância alguma.»

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Património




O Centro de Arqueologia de Almada é uma das mais importantes organizações não-governamentais portuguesas de defesa do património histórico e ambiental. Com uma valiosa produção bibliográfica, edita, desde 1982, a revista Al-Madan, provavelmente a melhor revista da especialidade.

Património


Novo livro dos meus primos Francisco Silva e Elisabete Gonçalves e do Centro de Arqueologia de Almada prosseguindo o levantamento patrimonial do concelho de Almada. História local rigorosa e cientificamente ancorada. Uma edição da Junta de Freguesia do Pragal.