quarta-feira, 7 de abril de 2010

Continua o disparate

"Ora contro la Chiesa viene brandita l'accusa della pedofilia. Prima ci sono state le battaglie del modernismo contro Pio X, poi l'offensiva contro Pio XII per il suo comportamento durante l'ultimo conflitto mondiale e infine quella contro Paolo VI per l'Humanae vitae."

Cardeal Angelo Sodano, entrevista a L'Osservatore Romano, 6-7 de Abril de 2010

E, a propósito de Pio XII, muito haveria a esclarecer. Sobretudo: porque razão arrepiou caminho relativamente ao que o seu predecessor havia prescrito na Mit brennender Sorge, a propósito do nacional-socialismo? Porque escolheu o silêncio? O silêncio, sempre o mesmo silêncio.

E é evidente que as duas situações - com Pacelli ou, agora, com Ratzinger mas também com Wojtila - nada tem a ver com a questão do Modernismo ou da Humanae Vitae.

P.S.: A colecção dos 12 volumes dos Actes et Documents du Saint-Siège relatifs à la Seconde Guerre Mondiale, publicados a partir de 1965, por vontade de Paulo VI, preparados por uma equipa especializada de quatro historiadores jesuítas estão disponíveis aqui.

Divas V



Divas IV



segunda-feira, 5 de abril de 2010

Renúncia, já se ouve

Caso seja preciso, convém lembrar que:

«§ 2. Se acontecer que o Romano Pontífice renuncie ao seu ofício, requere-se para a validade dessa renúncia que esta seja livremente feita e devidamente manifestada, mas não que seja aceite por alguém.»

Can. 332 do Código do Direito Canónico e Can. 44 do Código de Cânones das Igrejas Orientais


Os animais

Eu até gosto da senhora, mas porque é que a Hélia Correia tem de aparecer nas entrevistas sempre com o gatinho a marinhar por ela acima ou ao colo? E a minha alergia?

O Sistema

O Sistema está a reorganizar-se e a reconfigurar-se: da Federação às eleições para a Liga, passando por alguns desempenhos da arbitragem. É o Sistema que regressa, depois de ter andado distraído ou assustado.

Proporções

A histeria afecta, hoje, vozes autorizadas da Igreja Católica. A propósito do silenciamento de actos pedófilos praticados por membros do clero surgiram três tipos de reacções:

- as que reduziram tais comportamentos a «questões internas»;
- as que tentaram relativizar, afirmando que outras igrejas e outras instituições também as praticaram;
- as que tentaram transformar as acusações numa campanha contra a Igreja.

Entre as primeiras, temos o pronunciamento do sinistro Cardeal Saraiva Martins, a que me referi em anterior post e sobre o qual Fernanda Câncio escreve um artigo arrasador.
O segundo tipo de reacções é difuso e abunda nas declarações de bispos, padres e leigos. A ideia é de que a pedofilia é praticada no seio das famílias e também no protestantismo, por exemplo, e não se vê ninguém a atacar tais instituições. Em primeiro lugar, não existe A Família e, portanto, não pode ser escrutinada enquanto tal. Também não existe a «Igreja protestante», sendo que cada congregação evangélica, reformada, baptista ou de outra denominação é autónoma. E, ao contrário do que se diz, têm sido bastantes as acusações de actos sexuais com menores feitas a pastores evangélicos, designadamente nos Estados Unidos da América. Só a Igreja Católica possui uma estrutura supranacional hierarquizada. E é, justamente, esta estrutura - que vai do pároco ao bispo, do religioso ao seu superior, da conferência episcopal às congregações romanas e ao próprio Papa - que, durante anos, silenciou as acusações e transferiu padres permitindo a perpetuação dos crimes noutro local. Os que silenciaram foram promovidos e mandados recolher a Roma, como seja o caso do Cardeal Bernard Law, antigo Arcebispo de Boston e actual Arcipreste da Basílica Papal de Santa Maria Maior.
O terceiro tipo de reacções são exemplarmente representadas pela inenarrável comparação feita pelo Pregador da Casa Pontífica, Raniero Cantalamessa O.F.M. Cap., entre as acusações feitas à Igreja e as perseguições anti-semitas. Socorrendo-se de uma carta de um seu amigo judeu, afirma: «Tenho acompanhado com desgosto o ataque violento e concêntrico contra a Igreja, o Papa e todos os féis do mundo inteiro. O recurso ao estereótipo, a passagem da responsabilidade pessoal para a coletividade me lembram os aspectos mais vergonhosos do anti-semitismo.»
Mas esta gente perdeu o sentido das proporções?

quarta-feira, 31 de março de 2010

Submarinos

(The Beatles, Yellow Submarine)

Diz acertadamente Ana Gomes no Causa Nossa:

«Sei que a aquisição dos submarinos foi feita através de um negócio corrompido, com um preço grotescamente inflaccionado (mais de 35%, já aqui o escrevi) à custa do erário público – ou seja, à custa dos contribuintes que pagam impostos e a quem agora vão ser pedidos mais; e dos portugueses mais pobres, agora em risco de perder apoios sociais.
Mas também sei que a aquisição dos submarinos foi preparada pelo governo PSD/CDS encabeçado pelo Dr. Barroso e decidida pelo curto governo PDS/CDS do Dr. Santana Lopes, passando pelo crivo da Ministra das Finanças Dra. Manuela Ferreira Leite, depois de uma negociação conduzida sob a responsabilidade do Ministro da Defesa Paulo Portas, que entregou o “encargo negocial” que devia ser assegurado pelo Estado (para isso pagamos a quadros públicos no MDN) a uma empresa - a ESCOM, do Grupo BES – que só pela sua intervenção se cobrou (nos cobrou) uns astronómicos 30 milhões de euros. Uma negociação que passou pela AR – a compra foi aprovada em Lei de Programação Militar – logo, terá de ter passado pelos partidos com assento parlamentar, incluindo o PS certamente (como, é questão pertinente, sobre a qual nada sei mas não desisti de saber).
E também sei que este negócio fraudulento, tornado suspeito pelos súbitos depósitos nas contas do CDS feitas por devotos acompanhantes de um tal Jacinto Leite Capelo Rego, desencadeou uma investigação judicial que se arrasta há anos na obscuridade.
Ah, e também sei que os chamados “offsets” – os contratos de contrapartidas, supostos trazer tecnologia inovativa para dinamizar diversas indústrias nacionais – negociados com os fabricantes dos submarinos pela “especializada” ESCOM, deram entretanto com os burrinhos na água: segundo a estatal CPC - Comissão de Contrapartidas, em Dezembro de 2009 nem 25% estavam ainda em execução, tornando o contrato dos submarinos "inexequível". Incumprimento que também se verifica a nivel preocupante nas contrapartidas dos helicópteros EH101, que o Ministro Paulo Portas também teve a responsabilidade de negociar: como me observou um chefe militar (e qualquer soldado raso percebe) - “mas já viu alguma empresa séria e sustentável vender-lhe material, e ainda lhe entregar máquinas e tecnologia de valor superior ao que você acordou pagar?".»

E Ana Gomes anda a dizê-lo há muito tempo. Mas parece que era a única. Aguardemos.

Google Books e Biblioteca Digital Camões

Google Books é uma das grandes iniciativas na Rede e que poderá, num futuro mais ou menos próximo, aproximar-se do Youtube em termos de importância, que não em termos de popularidade: haverá sempre mais pessoas a ver filmes e ouvir música do que a ler.
Aspirando a ser a maior biblioteca do mundo (virtualmente, A Biblioteca), a Google Livros contém um acervo considerável de livros à escala mundial que podem ser visualizados integralmente - obras do domínio público e obras autorizadas - ou parcialmente.
Obras que nunca consegui ler ou que, para o fazer, teria de me deslocar a uma biblioteca estão hoje disponíveis na Rede e podem ser «arrumadas» nas Prateleiras que cada pessoa pode ter na sua conta.
Hoje foi o dia de poder ler as Rimas de Luís de Camões, com o texto estabelecido e prefaciado por Álvaro Júlio da Costa Pimpão e editadas em Coimbra em 1953 «Por Ordem da Universidade nos «Acta Universitatis Conimbrigensis» e de consultar as Obras Médicas de Pedro Hispano, editadas por Maria Helena da Rocha Pereira na mesma colecção. Já estão na minha Prateleira.

A Biblioteca Digital Camões, do Instituto Camões, também disponibiliza para download (em PDF) um conjunto de obras, de que destacaria a célebre «Biblioteca Breve» do antigo ICALP e as recentes edições ne varietur dos Opera Omnia de Agustina Bessa-Luís.

A disponibilização de livros na Rede permite preservar os espécimes físicos e os constrangimentos dos horários e do funcionamento das bibliotecas e arquivos. E proteger-nos dos ácaros.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Conceito do dia - A tirania do auxílio

A tirania do auxílio

"– A tirania do auxílio. Havia entre nós quem, em vez de mandar nos outros, em vez de se impor aos outros, pelo contrário os auxiliava em tudo quanto podia. Parece o contrário, não é verdade? Pois olhe que é o mesmo. É a mesma tirania nova. É do mesmo modo ir contra os princípios anarquistas.

– Essa é boa! Em quê?

– Auxiliar alguém, meu amigo, é tomar alguém por incapaz; se esse alguém não é incapaz, é ou fazê-lo tal, ou supô-lo tal, e isto é, no primeiro caso uma tirania, e no segundo um desprezo. Num caso cerceia-se a liberdade de outrem; no outro caso parte-se, pelo menos inconscientemente, do princípio de que outrem é desprezível e indigno ou incapaz de liberdade."
 
Fernando Pessoa, O Banqueiro Anarquista

Essenciais, 6

"Mas julgar mulheres é vão emprego, pois delas tudo são memórias e não culpas."

Agustina Bessa-Luís, Adivinhas de Pedro e Inês

domingo, 28 de março de 2010

A iniquidade

As declarações de D. José Saraiva Martins C.M.F., Prefeito emérito da Congregação para a Causa dos Santos e Cardeal-Bispo de Palestrina, de que "Não devemos ficar demasiado escandalizados se alguns bispos sabiam e mantiveram o segredo. É isso que acontece em todas as famílias. Não se lava a roupa suja em público." são eloquentes de um determinado modo de ser e de estar na Igreja. Desde quando actos pedófilos praticados por membros do Clero e silenciados pelos respectivos Bispos e pela própria Santa Sé são «roupa suja»? Estas declarações não provêm de um obscurso clérigo mas da 7ª figura da Igreja Católica Apostólica Romana (por ordem de precedência do Colégio dos Cardeais). Vindo de alguém que tem como motto como «Príncipe da Igreja» Veritas in Caritate, tais palavras só podem significar que desta Igreja há muito que a Igreja de Cristo se ausentou.

sábado, 27 de março de 2010

quinta-feira, 25 de março de 2010

Cien Años de Soledad, de Gabriel García Márquez

"Muchos años después, frente al poletón de fusilamiento, el coronel Aureliano Buendía había de recordar aquella tarde remota en que su padre lo llevó a conocer el hielo. Macondo era entonces una aldea de veinte casas de barro y cañabrava construidas a la orilla de un río de aguas diáfanas que se precipitaban por un lecho de piedras pulidas, blancas y enormes como huevos prehistóricos. El mundo era tan reciente, que muchas cosas carecían de nombre, y para mencionarlas había que que señalarlas con el dedo."

Moby Dick, de Herman Melville

"Call me Ishmael. Some years ago—never mind how long precisely—having little or no money in my purse, and nothing particular to interest me on shore, I thought I would sail about a little and see the watery part of the world. It is a way I have of driving off the spleen and regulating the circulation. Whenever I find myself growing grim about the mouth; whenever it is a damp, drizzly November in my soul; whenever I find myself involuntarily pausing before coffin warehouses, and bringing up the rear of every funeral I meet; and especially whenever my hypos get such an upper hand of me, that it requires a strong moral principle to prevent me from deliberately stepping into the street, and methodically knocking people's hats off—then, I account it high time to get to sea as soon as I can. This is my substitute for pistol and ball. With a philosophical flourish Cato throws himself upon his sword; I quietly take to the ship. There is nothing surprising in this. If they but knew it, almost all men in their degree, some time or other, cherish very nearly the same feelings towards the ocean with me."

Há páginas assim. E percebemos que alguém se esgotou absolutamente no acto de Dizer.

quarta-feira, 24 de março de 2010

segunda-feira, 22 de março de 2010

O ministério-Fenprof

Depois do consulado Maria de Lurdes Rodrigues que, se outros méritos não tivesse tido, conseguiu reduzir ao mínimo a influência sindical na 5 de Outubro, eis que o ministério-Fenprof está de volta. Ou muito me engano ou o país ainda vai pagar um preço demasiado alto por deixar Mário Nogueira co-governar: o Estatuto da Carreira Docente, o diploma sobre avaliação do desempenho docente e o Estatuto do Aluno arriscam-se a ter a marca Fenprof. E mais o que ainda a diante se verá...
N.B.: A enésima versão do Estatuto da Carreira Docente tem uma virtude: retira da alçada disciplinar dos Directores das escolas os membros docentes do Conselho Geral, pelas infracções que cometerem no exercício dessas funções. Não se percebendo o porquê de serem apenas os membros docentes, é de aplaudir uma alteração que poderá revitalizar este tipo de órgão ao tornar o uso da palavra mais livre e, portanto, potencialmente, de maior qualidade.

P.S.: Este versão foi abandonada. O ministério-Fenprof está activo. Temo que se tenha deitado fora o bébé com a água do banho.

Mahalia Jackson - He's Got the Whole World in His Hands

Frank Sinatra - Fly Me Too The Moon

domingo, 21 de março de 2010

O respeitinho

Na Carta Pastoral que, anteontem, o Papa Bento XVI enviou aos católicos da Irlanda lê-se a dado passo que há uma «tendência na sociedade a favorecer o clero e outras figuras com autoridade e uma preocupação inoportuna pelo bom nome da Igreja e para evitar os escândalos, que levaram como resultado à malograda aplicação das penas canónicas em vigor e à falta da tutela da dignidade de cada pessoa.» (sublinhado meu).

Em Portugal também há essa tendência, à mistura com o célebre «respeitinho».

(Texto completo da Carta aqui)

Divas II

Divas I

sábado, 20 de março de 2010

Peixe de águas profundas

Jaime Gama, de uma assentada, meteu na ordem o tenebroso José Lello e lembrou a um "menino de ouro" do ISCTE - João Mata, Secretário de Estado da Educação - regras de boa educação e de respeito perante o órgão representativo dos cidadãos portugueses. Muito bem!



Artigo 89.º do Regimento da Assembleia da República


«Modo de usar a palavra

1 - No uso da palavra, os oradores dirigem-se ao Presidente e à Assembleia e devem manter-se de pé.»

Artigo 177.º, n.º 1 da Constituição:

«(Participação dos membros do Governo)


1. Os Ministros têm o direito de comparecer às reuniões  plenárias da Assembleia da República, podendo ser coadjuvados ou substituídos pelos Secretários de Estado, e uns e outros usar da palavra, nos termos do Regimento.»

quarta-feira, 17 de março de 2010

segunda-feira, 15 de março de 2010

Peter Graves (1926-2010)



Good Morning, Mr. Phelps

Peter Graves não conseguiu cumprir a sua última Missão Impossível

Inscrições IX


Junto ao Palácio das Necessidades

A invejazinha nacional

Última palavra de Os Lusíadas, a inveja portuguesa é a causa eficiente do verdadeiro desporto nacional: a má-língua, a calúnia, o boato e o innuendo. Um dos acontecimentos que fazem o the talk of the town são as ajudas de custo pagas a Inês de Medeiros. Gostava de saber quanto é que isso custa de verdadeiramente significativo ao erário público. Inês de Medeiros mora efectivamente em Paris e não vai à cidade-luz para se passear nos Champs-Élysées. Vai a casa, vai ver os filhos, vai tratar de assuntos. E os senhores Deputados que vivem em Lisboa e recebem ajudas de custo para se deslocaram ao seu círculo eleitoral? Põem lá os «butes»? Não me parece. Inês de Medeiros deverá ser impedida de ser Deputada por residir em Paris? E por residir em Paris deverá ser prejudicada financeiramente?

Nem sequer discuto se Inês de Medeiros é boa Deputada. Desconfio, até, que não seja grande coisa. O que não falta são maus Deputados. Mas reajo à invejazinha nacional que está no fundo destes pronunciamentos. Inês de Medeiros é uma figura importante do panorama cinematográfico europeu. Uma visita ao Internet Movie Database chega para se ter uma ideia.

Ter sucesso no estrangeiro - sucesso verdadeiro, não o sucesso "mítico" daqueles que dizem que estiverem em Nova Iorque a fazer qualquer coisa em que ninguém reparou - é algo interdito, quase um crime para os portugueses que cá ficam. José Saramago tem sofrido dessa inveja. Maria de Medeiros também não pôde - para o medíocre que ninguém conhece em Badajoz - ser Directora do Teatro Nacional D. Maria II. Só pôde fazer cerca de 80 filmes, alguns dos quais com Quentin Tarantino, Philip Kaufman, Bigas Luna, Oliveira e outras pessoas sem nenhuma importância.

N.B.: as 'de Medeiros' são vagamente minhas primas.

A lei da rolha

Agora que se fala da "lei da rolha" convém lembrar que Marçal Grilo foi o Ministro que a revogou expressamente quando substituiu Manuela Ferreira Leite na pasta da Educação. Eram outros tempos e gente de outro nível.

domingo, 14 de março de 2010

Zizi Possi e Chico Buarque - Pedaço de Mim, de Chico Buarque (de Ópera do Malandro)



Terrível e belo:

«Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu»

Chico Buarque

sexta-feira, 12 de março de 2010

Maria Helena da Rocha Pereira, II

Pacheco Pereira presta, hoje, na Sábado, uma significativa homenagem a Maria Helena da Rocha Pereira:

"A Senhora, que uma vez disse que vivia com os gregos, os antigos, é frágil como uma pena. Quase que não se vê no meio das pessoas, mas sabe-se que ela lá está. Vai-se lá por causa dela, haja chuva, trovões, tempestades, coisa que ela conhece certamente bem dos poemas antigos que, como ninguém, estudou em Portugal. Dentro dela estão as grandes tempestades homéricas, mas também as palavras de Píndaro, de Anacreonte, a sabedoria de Sólon, a prosa esplêndida de Platão. Fala baixo o que impõe o silêncio absoluto que tão raro é. E descreve a Grécia arcaica com a familiaridade de quem viveu sempre lá. Ocasionalmente fala em grego, porque, para o que quer dizer, essas são as palavras precisas. E não precisa de falar muito para dizer muito. Diz com ironia, para comentar Esparta na sua decadência, que havia pelo menos uma qualidade que tinham mantido: os espartanos falavam sempre pouco.
A Senhora, Maria Helena da Rocha Pereira, ganhou mais um prémio. Se houvesse uns Jogos Olímpicos na categoria do saber, Píndaro escreveria sobre ela."

Bravos e olés!


Eu já gostava de Gabriela Canavilhas. Para além de ser uma mulher muito bonita e com incomparável panache, é uma excelente pianista e uma grande dirigente. Salvou o Museu de Arte Popular da demolição que a desastrosa Pires de Lima havia decidido e teve a coragem de dignificar essa arte maior que é a Festa Brava ao criar a Secção de Tauromaquia no âmbito do Conselho Nacional de Cultura. E teve, sobretudo, a coragem de enfrentar o politicamente correcto das posições dos «amigos dos animais» (há uma estranha parecença entre estes e os «movimentos pela Vida»). Os sinistros Moutinhos e Sampaios que se preocupem com os cãezinhos metidos em apartamentos e com os seres humanos que têm que os aturar.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Mozart - Eine kleine Nachmusik, K. 525

Precedentes

O Presidente da República relembrou ontem, e bem, que não pode demitir o Governo «por falta de confiança política». Haverá quem pense que existe o precedente Sampaio. Mas a verdade é que não existe nenhum precedente Sampaio. O Governo de Santana Lopes não foi demitido. O Presidente Jorge Sampaio - aliás de acordo com o seu pensamento, expresso em diversos pronunciamentos, embora altamente discutível - dissolveu a Assembleia da República por entender que a maioria nela contida já não correspondia à expressão da vontade popular. Como aliás se veio a confirmar na eleição imediata, em que a coligação governamental averbou uma pesada derrota; resultado contrário poderia ter levado à renúncia do Chefe de Estado. O Governo foi automaticamente demitido por efeito do início da nova legislatura (artigo 195.º, n.º 1, alínea a) da Constituição) e não directamente. Há coisas que vale a pena relembrar porque andam muito esquecidas.
De facto, o Presidente da República só pode demitir o Governo  «quando tal se torne necessário para assegurar o regular funcionamento das instituições democráticas, ouvido o Conselho de Estado» (ibidem, n.º 2). Ora acontece que Sampaio não demitiu o Governo, antes dissolveu a Assembleia da República, o que é um poder que o Presidente pode exercer livremente - dentro de certos limites temporais, apenas - , ouvido o Conselho de Estado. E também convém lembrar que este órgão se mostrou, por maioria, favorável à dissolução do Parlamento. Quem falou em «golpe de Estado constitucional» ou está de má-fé ou não sabe do que fala.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Barbra Streisand - Cry me a river / Julie London - Cry me a river



«La Streisand», provavelmente a maior cantora viva, aqui em grande desprendimento, em contraponto à interpretação clássica de Ella Fitzgerald e de Julie London


Quem me dera voltar a ouvir Cry me a river pela enorme Leny Andrade, a melhor versão que ouvi até hoje e que ainda não consegui encontrar na Rede. As modernas interpretações de Diana Krall ou Michael Buble são meras citações.

Pinocadas


É estranho que os Deputados estejam preocupados que o Primeiro-Ministro minta ao Parlamento mas nunca se preocuparam que o Primeiro-Ministro tivesse mentido ao País. Porque não houve comissão de inquérito aos títulos académicos, ao caso Freeport - agora que ele saiu da alçada judicial - e a tantas outras coisas? Telhados de vidro?

[desenho de Pinocchio de Enrico Mazzanti para a edição original de Pinnocchio de Carlo Collodi]

segunda-feira, 8 de março de 2010

Maria Helena da Rocha Pereira



Neste Dia Internacional da Mulher - que continua a ter toda a pertinência, ao contrário do que por aí se diz - e coincidindo com o facto de lher ter sido, hoje, atribuído o prémio Vida Literária (APE/CGD), presto homenagem a um dos maiores intelectuais portugueses, a Professora Maria Helena da Rocha Pereira. O pouco que sei da cultura clássica devo-o à leitura dos seus decisivos Estudos de História da Cultura Clássica (2 vols., I. Cultura Grega; II. Cultura Romana) e às traduções coligidas em Hélade. Antologia da Cultura Grega e Romana. Antologia da Cultura Romana. Nunca consegui ler a sua tese de doutoramento Concepções Helénicas de Felicidade no Além, de Homero a Platão, que me teria sido muito útil para um melhor entendimento do Fédon. As suas traduções da Antígona de Sófocles e da República de Platão constituem monumentos da língua portuguesa, naquele sentido de que falava Wittgenstein, ao aproximar tradução e criação literárias.

Grande entrevista ao Expresso, aqui

Atribuído o Óscar honorário a Lauren Bacall - muito mais do que apenas Bogie



Óscar honorário para Lauren Bacall

(ver o post anterior sobre a Bacall, aquando do anúncio do Óscar)



sábado, 6 de março de 2010

Registos Centrais

No post sobre Dona Ivone Lara, Alguém me avisou foi substituído por Acreditar.

O post sobre «A mais terna das canções» - João e Maria - foi retirado. Voltará!

Johnny Alf (1929-2010)



sexta-feira, 5 de março de 2010

Fahrenheit 451

A Leya procedeu à transformação em pasta de papel de milhares de livros de Jorge de Sena, Eduardo Lourenço, Eugénio de Andrade e Vasco Graça Moura, entre outros, publicados pela ASA.

Citando Miguel Esteves Cardoso, «espero que a Leya se foda»

Os meus jornais


O Público faz hoje 20 anos. Comprei-o no primeiro dia e tornou-se o meu jornal desde então. Várias vezes me zanguei com  ele - como durante o alinhamento de José Manuel Fernandes com a vergonhosa guerra do Golfo II. Mas o balanço é claramente positivo. Parabéns!

Quando era pequeno, lá em casa lia-se o República. Depois, passou-se a ler o Diário de Lisboa. Quando passei a comprar jornais, lia o Sete e o JL. Fixei-me também no Expresso (ainda o leio) e lia esporadicamente o Independente.

Rogério Fernandes († 2010)




Duas obras suas, O Pensamento Pedagógico em Portugal a A Pedagogia Portuguesa Contemporânea, podem ser descarregadas aqui.

quarta-feira, 3 de março de 2010

As minhas escolas, I




Há uns tempos visitei a Escola onde fiz o «ciclo preparatório» e o 7.º ano «unificado»: a D. António da Costa, em Almada, ou a «a António». Continua a ser uma grande escola. Gostei muito, embora estas visitas a locais onde se foi em larga medida feliz desperte em mim não sei bem se alguma «inquietante estranheza».

terça-feira, 2 de março de 2010

Caetano Veloso - Carolina, de Chico Buarque

O ultramontanismo


Ou muito me engano, ou a visita de Bento XVI vai revelar-nos em todo o seu esplendor a «maioria silenciosa» ultramontana, miguelista, integralista, salazarenta, direitista, vinda directamente de não-sei-quantos cafés, táxis, paróquias, movimentos, agapes e por aí fora.

Espero que não! Pelo Papa, pela Igreja portuguesa que tem sabido renovar-se na tradição e pelos bispos portugueses que não merecem ser «priores dessa freguesia». E que freguesia!

Facta

Num país em que tanto se fala de cor, em que as teses são sustentadas em aparências, em que o desprezo pelo factual e pelo histórico quase se tornou uma virtude, o trabalho de António Barreto e da Fundação Francisco Manuel dos Santos constitui uma importante iniciativa para um conhecimento seguro do nosso país. O Pordata. Base de Dados Portugal Contemporâneo é um trabalho ciclópico e que vai determinar muito do que a partir de agora dissermos sobre a realidade portuguesa actual e é um desafio às nossas percepções e aos nossos preconceitos.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Chico Buarque e Nana Caymmi . Até pensei, de Chico Buarque

Até pensei

Junto à minha rua havia um bosque
Que um muro alto proibia
Lá todo balão caía
Toda maçã nascia
E o dono do bosque nem via
Do lado de lá tanta aventura
E eu a espreitar na noite escura
A dedilhar essa modinha
A felicidade
Morava tão vizinha
Que, de tolo
Até pensei que fosse minha

Junto a mim morava minha amada
Com olhos claros como o dia
Lá o meu olhar vivia
De sonho e fantasia
E a dona dos olhos nem via
Do lado de lá tanta ventura
E eu a esperar pela ternura
Que a enganar nunca me vinha
Eu andava pobre
Tão pobre de carinho
Que, de tolo
Até pensei que fosses minha

Toda a dor da vida
Me ensinou essa modinha
Que, de tolo
Até pensei que fosse minha

(Para ouvir, clique aqui)

Jorge Palma - Encosta-te a mim

Madeira

Só nos faltava agora a beatificação de Alberto João Jardim!

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Pink Floyd - Another Brick in the Wall

A perfídia


Em declarações à Agência Lusa, Ramos-Horta disse que a principal virtude do Dalai Lama é ser contra qualquer acto de violência no Tibete, mas que a admiração pelo líder tibetano "não retira legitimidade à soberania chinesa em relação ao Tibete".
Deve ser das companhias. E como diria Octávio Machado, eu sei do que falo...

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Conservatório Independente

José Sócrates é um bom actor; Armando Vara um canastrão.

A histeria, ainda e sempre

Constança Cunha e Sá, lapidar:

"[...] se os políticos, para variar, se têm saído mal de todo este imbróglio — basta ver a incompetência da generalidade dos deputados a quem está entregue esta Comissão — não se pode dizer que os jornalistas tenham primado pela elevação.

O que se assistiu nesta primeira semana de audições é apenas um sinal do que nos espera nos próximos tempos: uma série de egos desorbitados, várias acusações fúteis e os previsíveis ajustes de contas de que ninguém sai a ganhar. [...] Ora, eu não estou, nem nunca estive “vendida” aos interesses do eng.º Sócrates, mas considero que a actuação de Mário Crespo na Comissão de Ética foi um exercício deplorável que enxovalha o jornalismo e a Assembleia da República. Um exemplo, como já disse, da histeria que hoje em dia reina em Portugal."

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Enigma


Que vidas teriam sido as de Cesarião e Napoleão II? O «Rei de Roma» e o suposto filho de Roma. Quem foram? O que foram? Acidentes? Vítimas sacrificiais para que o Espírito se realize?

Reuniram-se os alexandrinos
para verem os filhos de Cleópatra:
Cesarião e seus irmãos mais jovens,
Alexandre e Ptolomeu, que
por vez primeira ao Ginásio levados
reis seriam proclamados,
em parada militar brilhante.

Alexandre foi proclamado rei da Armênia, de Média e de Patia.
Ptolomeu, rei da Cecília, Síria e Fenícia.
Cesarião de pé, na frente deles,
vestido com seda cor-de-rosa,
um ramalhete de jacintos nos braços,
na cintura uma dupla fila de ametistas e safiras,
as sandálias atadas com brancas fitas,
com amarelas pétalas bordadas.
A ele coube o maior dos títulos:
proclamaram-nos Rei dos Reis.

Os Alexandrinos certamente compreenderam
que tudo aquilo eram palavras de faz-de-conta.

O dia estava quente, porém, e poético,
com céu de pálido azul.
O Ginásio de Alexandria era uma obra-prima.
As vestes dos cortesãos, esplêndidas,
Cesarião era todo charme e beleza
(filho de Cleópatra, sangue dos Lágids).
Os alexandrinos, em multidões, ao festival acorreram
e entusiasmados saudavam em grego,
em egípcio, em hebraico alguns,
encantados com a beleza do espetáculo,
embora soubessem, naturalmente,
o que tudo aquilo valia,
eram aqueles reinos palavras vazias.

K. Kaváfis, «Os Reis de Alexandria» (1912)

Essenciais, 4

"Somos como anões aos ombros de gigantes, pois podemos ver mais coisas do que eles e mais distantes, não devido à acuidade da nossa vista ou à altura do nosso corpo, mas porque somos mantidos e elevados pela estatura de gigantes." Bernardo de Chartres, referido por João de Salisbúria, Metalogicon, III, 4.

Grandes Figuras Portuguesas I



Os anões

A crise do pessoal político em Portugal levou a que, nos últimos anos, se agigantassem alguns anões. Ao invés de se colocarem às cavalitas dos gigantes, como preconizava o grande Bernardo de Chartres, deram em atacá-los.
Um dos anões do momento é Paulo Rangel. A criatura deu em dizer que Fernando Nobre é igual a Pintasilgo. Sejam quais forem as reservas que a candidatura de Nobre a Presidente da República nos suscitem, quem é Paulo Rangel ao lado do fundador da AMI? É que a envergadura cívica, moral, inclusivamente política, no sentido mais englobante da palavra, de Fernando Nobre não tem medida de comparação com a do pequeno Paulo. E falar de Pintasilgo com essa ligeireza só se desculpa à luz da muita ignorância e da relativa juventude do putativo líder do segundo maior partido português. Uma atenta e demorada consulta do arquivo histórico de Maria de Lurdes Pintasilgo pode ensinar muita coisa e pode, sobretudo, ensinar-nos a melhor respeitar os melhores de nós.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Funchal




A mais bela das cidades portuguesas, depois de Lisboa.
Quero rever-te, uma vez mais. Entrar na Sé, na Livraria Esperança, percorrer o Largo do Colégio, o Mercado, a cidade-velha. Põe-te boa. As melhoras!

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Kathryn Grayson (1922-2010)

i Portoghesi



La brutta fama che i Portoghesi hanno guadagnato a Roma, quella di entrare nei posti senza pagare (significato comune di questa espressione), è totalmente ingiusta ed ha una giustificazione storica che riscatta la fama che il popolo lusitano ha dappertutto, di essere gente umile ma onorata.

Succede che non sempre siamo stati umili… Una volta, al tempo di Giovanni V il Magnifico, il Portogallo era considerato una delle nazioni più ricche dell’Europa, valle a dire del mondo di allora. Infatti, il XVIII secolo fu tempo di fastose ambasciate al papa, quella del Marchese di Fontes (1713), e quella di Mello e Castro (1718) – quest’ultimo abitando vicino a Piazza Argentina.

Probabilmente fu lui a realizzare a Teatro Argentina degli spettacoli ai quali, naturalmente, la comunità portoghese residente a Roma, per entrare, non doveva pagare il biglietto. E così, con la furbizia che gli è caratteristica, il romano che voleva entrare senza pagare negli spettacoli faceva finta di essere portoghese…

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Quando a Escola era "risonha e franca" - Inscrições VIII


Cinzas

Memento homo, quia pulvis es et in pulverem reverteris (Gn 3, 19)

Liturgia da Quarta-Feira de Cinzas, Missale Romanum

Essenciais, 3

"Para ensinar há uma formalidadezinha a cumprir - saber"

Eça de Queirós, Notas Contemporâneas

Os Poemas, III

Acabou nosso carnaval
Ninguém ouve cantar canções
Ninguém passa mais brincando feliz
E nos corações
Saudades e cinzas foi o que restou

Pelas ruas o que se vê
É uma gente que nem se vê
Que nem se sorri
Se beija e se abraça
E sai caminhando
Dançando e cantando cantigas de amor

E no entanto é preciso cantar
Mais que nunca é preciso cantar
É preciso cantar e alegrar a cidade

A tristeza que a gente tem
Qualquer dia vai se acabar
Todos vão sorrir
Voltou a esperança
É o povo que dança
Contente da vida, feliz a cantar
Porque são tantas coisas azuis
E há tão grandes promessas de luz
Tanto amor para amar de que a gente nem sabe

Quem me dera viver pra ver
E brincar outros carnavais
Com a beleza dos velhos carnavais
Que marchas tão lindas
E o povo cantando seu canto de paz
Seu canto de paz

Vinicius de Moraes, Marcha da Quarta-Feira de Cinzas

[Infelizmente não existe na Rede nenhuma versão de qualidade]

Dire Straits - Money for nothing, de Brothers in Arms



Mark Knopfler com Eric Clapton - é o sétimo céu!

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

O pós-socratismo

Agora que o pós-cavaquismo está definido, quem será o rosto do pós-socratismo?
- António Costa?
- António José Seguro?
Talvez apostasse no segundo - até para permitir o paralelismo rotativista com Pedro Passos Coelho. Na última legislatura, o prestígio que lhe adveio das alterações que protagonizou quanto ao próprio funcionamento do Parlamento permitu-lhe ultrapassar o «Tó Zé».
Agora que Alegre ou será Presidente ou não será nada - será sempre um grande poeta -, tudo o mais é a violência do passado (Gama, João Soares), o bloco central de interesses (Vitorino) ou a irrelevância (Sérgio Sousa Pinto).
Que dirá o Velho?

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

O bloqueio das forças

Alguém ainda se lembra das «forças de bloqueio» (do Presidente da República ao Tribunal de Contas)? Do «deixem-nos governar»? De quando a «qualidade da Democracia» não era tão invocada a torto e a direito? Tudo isto num contexto em que não havia televisões privadas, Internet e mesmo as rádios livres começavam a dar os primeiros passos? Alguém se lembra de um Ministro Adjunto que ditava a grelha do Telejornal? Francisco José Viegas lembra-o, e bem!
Suma summarum: é indiscutível que também este Governo lida muito mal com a liberdade de informação. Mas qual não lidou: Soares (aqueles telejornais... o Velho ele-próprio já o reconheceu)? Barroso e Santana (lembram-se de Marcelo?)? Deixem-me rir.

A histeria

Tem toda a razão Constança Cunha e Sá: «se a liberdade de expressão está, de facto, em causa, não se percebe porque é que a Oposição, nomeadamente, o PSD do dr. Rangel, não tira daí as devidas consequências e apresenta uma moção de censura na Assembleia da República. Ou, melhor, percebe-se: porque a Oposição sabe que, por pior que seja o eng. Sócrates, não existe qualquer alternativa ao seu famigerado Governo. Daí que apelar ao Presidente da República para que demita o primeiro-ministro, na situação em que o País se encontra, seja um exercício fútil que dificilmente pode ser levado a sério. Ou seja mais um sinal da histeria que por aí abunda».
E se como diz Miguel Serras Pereira o que estamos a assistir é «ao branqueamento antecipado de um próximo governo “de verdade”, e das suas previsíveis tentativas de berlusconização do regime por via presidencial ou “mista” (coligação da Presidência e forças político-partidárias eventualmente recombinadas), e de “limitação económica” agravada dos direitos sociais e liberdades», há todas as razões do mundo para não fazermos dos inimigos dos nossos inimigos nossos amigos.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Glorioso

Para os meus amigos do SCP

Nada me dá mais gosto do que ganhar aos lagartos.



Grandes Actrizes Portuguesas III - Catarina Avelar

Automatonofobia





Descobri o conceito de uma fobia de que parece que sofro: automatonofobia! O problema é que o conteúdo empírico do conceito aponta para coisas de que não tenho, em princípio, medo: estátuas de cera - só tenho medo das de pedra -, bonecos, palhaços...

A propósito. Há três sítios de horror. Dois em Roma: um é o museu-atelier Canova Tadolini, na Via del Babuino - onde me aventurei um dia, sozinho, sabe-se lá porquê, e de repente me vi rodeado de estátuas por tudo o que é sítio; o outro, é o cruzamento da Piazza delle Quattro Fontane, onde uma noite, também sozinho, apanhei um grande susto. Um outro, em Lisboa, a «Casa das Estátuas», acho que perto de Santa Engrácia e que nunca vi, graças a Deus, a não ser numa reportagem do Expresso.

Pessoas que me irritam, 2


Mas é mesmo bonita!

Euskadi


Diz-me um amigo basco:

«Supongo que despues de esto, la prensa y los partidos politicos españoles intentaran influiir y presionar a Portugal y su opinion publica en contra de ETA y del nacionalismo vasco (cosas muy diferentes). Estas noticias, a mi no me gustan, porque cuando voy a Portugal, intento y lo logro, escapar y olvidar de la presión y ambiente muy cargado que vivimos en el Pais Vasco...Y temo que ahora esto cambie.»

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Memórias do JI

O jardim-de-infância onde eu andei foi notícia numa publicação da Câmara Municipal de Almada. Parece que alguém fez uma tese sobre a experiência de fundação de um creche e jardim-de-infância, antes do 25 de Abril, por funcionárias autárquicas. Tem fotos e tudo. Sou fácil de identificar: sou o único que aparece em todas.

Leituras

Há que ler: apurar a distância de valter hugo mãe a e. e. cummings.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Acordo ortográfico

Um dos melhores contra-exemplos às virtualidades do acordo ortográfico é lapidarmente exibido por Ana Cristina Leonardo:«Aliás, não sei como as luminárias que tiraram o "p" a EGIPTO, suponho que com base no extraordinário argumento que não se pronuncia, resolvem a questão da palavra EGÍPCIO — será que nos vão obrigar a ler "EGÍTIO"?!

Os Poemas, II

INSCRIÇÃO

Eu vi a luz em um país perdido.
A minha alma é lânguida e inerme.
Oh! Quem pudesse deslizar sem ruído!
No chão sumir-se, como faz um verme...

Camilo Pessanha, Clepsidra

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Casa de Fados

Magistral!
Trata-de de uma das cenas finais de Fados de Carlos Saura.
De entre os mais actuais e mais conhecidos, alçados, com toda a justiça, ao mainstream - Ricardo Ribeiro, Pedro Moutinho, Ana Sofia Varela, Carminho - a grande Maria da Nazaré. Os fadistas das "casas de fado" tendem a ser esquecidos. Aqui fica.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Conselho de Estado

A composição do Conselho de Estado não tem pés nem cabeça: não estão lá, por exemplo, nem o Procurador-Geral da República nem o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça. Não estão presentes os líderes dos restantes partidos com assento parlamentar (pelo menos o CDS, o PCP e o BE). Cavaco não teve a grandeza de, ao contrário do que fez Sampaio, nomear os líderes dos restantes partidos. De que interessa ser aconselhado por "amigos"? Para isso, pode ter conversas pessoais e informais e tem os "conselheiros" que não são "de Estado".

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

The Girl from Ipanema, de Tom Jobim



Nunca gostei de Astrud Gilberto, da sua vózita infantil, da sua desafinação, do seu timbre desagradável, dos disparates que sempre disse e fez e das horríveis coisas que cantou dos anos setenta em diante. Mas há Stan Getz, Tom Jobim e há a memória presente/ausente de João Gilberto. De Astrud bem se pode dizer com propriedade: em terra de cegos... (de «gringo», como eles dizem).
Aliás, as mulheres de João Gilberto tinham vozinhas pequenas - mas Miúcha é mais afinada, tem uma voz menos "suja", embora tenha um timbre meloso irritante. E, claro, sempre é irmã de Chico Buarque e mãe de Bebel, a melhor das três mulheres Gilberto.
Aqui fica a versão em Inglês, com o poema de Vinicius completamente assassinado.

De lembrar que The Girl from Ipanema ganhou o Grammy em 1965.

Manuel Serra (1931-2010)


A propósito da morte de Manuel Serra - nunca tantos deveram tanto a tão poucos. Há quantos anos eu não via este cartaz!

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

J. D. Salinger (1919-2010)


Queixume

Um Presidente da República queixa-se na abertura solene do ano judicial das péssimas leis que ele próprio promulga. Termos Chefes de Estado que sempre tarde e a más horas percebem que o rei - sans blague - vai nu tornou-se uma tradição nacional.

sábado, 23 de janeiro de 2010

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Essenciais 2 - Haiti - O injustificável

Sed cum ad poenas ventum est parvulorum, magnis, mihi crede, coartor angustiis, nec quid respondeam prorsus invenio [...]. Deus bonus est, Deus justus est, Deus omnipotens est; hoc dubitare omnino dementis est. Tantorum ergo malorum, quae fiunt in parvulis, caussa justa dicatur." (Santo Agostinho, "De origine animae hominis", Carta a São Jerónimo)

O Haiti de Bond



Era um país que não existia ou que se limitava a fazer parte do folclore regional: vodu, santeria, papa doc, baby doc, etc. O filme do 007 acabava por explorar esse cliché. Para lá do cliché não havia mais nada. Como se viu.

Inscrições VII


Não morro de amores pelas ditas, mas que teria a Comissão da Liberdade Religiosa a dizer disto?

Ordem de Cristo


Em Portugal, todos os antigos primeiros-ministros são condecorados com a Ordem de Cristo, mesmo que tenham sido exonerados do cargo em curto espaço de tempo por manifesta inadequação a essas altas funções.

No Reino Unido, nem todos os antigos primeiros-ministros são elevados à Câmara de Lordes, mesmo aqueles a quem «the Nation and the Commonwealth» tanto ficou a dever.

Coisas!

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Eric Rohmer (1920-2010)

Registos Centrais I

Como cada vez estou mais bissexto a escrever o que quer que seja, só cá venho para os obituários. Até que um dia nem para isso venha.

sábado, 2 de janeiro de 2010

Manuel Barbosa da Costa Freitas O.F.M. (1928-2010)


O Padre Costa Freitas foi meu professor de Filosofia da Religião na Faculdade de Letras de Lisboa no ano lectivo de 1987-1988 onde era professor catedrático convidado. Mais tarde, acolheu-me de forma muito simpática quando, episodicamente, leccionei na Universidade Católica, onde o Prof. Manuel Costa Freitas era professor ordinário (equivalente a catedrático nas universidades estatais). A sua obra está dispersa por centenas de artigos recolhidos na obra O Ser e os Seres. Itinerários Filosóficos (Lisboa, Verbo, 2 vols., 2004). Era doutorado pelo Pontifício Ateneu Antoniano de Roma (da Ordem Franciscana, de que era sacerdote) com uma dissertação sobre Leonardo Coimbra. Era especialista no pensamento medieval, designadamente o pensamento franciscano e em autores como S. Boaventura, Duns Escoto, Michel Henry, bem como em temas como o ateísmo.