segunda-feira, 7 de junho de 2010

Licença Graciosa

Pedro Sales certeiro, sobre as «férias de Estado» de Cavaco na Capadócia.

Ao mesmo tempo, o Ministro da Economia, Vieira da Silva, perdeu uma boa oportunidade de estar calado. Isto de um Ministro vir a correr tecer comentários ao que diz o Chefe de Estado chega a ser ridículo.

O problema não é os portugueses passarem férias no estrangeiro. Antigamente - "antigamente, sim", dizia a Agustina - ia-se de férias a Paris, a Londres, ver a Civilização. O problema é que os portugueses trocaram o Algarve da sua transumância por lugares chamados Punta Cana, Porto Galinhas e quejandos.

sábado, 5 de junho de 2010

Registos Centrais

Actualizado o post de desagravo a Chico Buarque, depois da ofensa do apedeuta.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Celeste Rodrigues - Meu Corpo, de Fernando Tordo e José Carlos Ary dos Santos



Eu ao colo da minha mãe e, na ponta, dois irmãos de Amália, Filipe Roberdão e Celeste Rodrigues.
(Na sequência do que escrevi aqui)

terça-feira, 1 de junho de 2010

Gaza


Revista de Blogues

Importantíssima análise de André Freire sobre o conteúdo da demagógica proposta de redução do número de Deputados à Assembleia da República. Os verdadeiros números e os verdadeiros alvos. Facta.

Análise certeira de Ana Gomes sobre Israel e o ataque à embarcação humanitária turca.

Nem há palavras para a atitude dos amiguinhos dos sionistas que polulam nos blogues portugueses de direita e extrema direita (do Blasfémias ao 31 da Armada).

Sião

Todos os dias Israel perde o respeito pela sua memória. Ignomínia. Vergonha. E: shame on you, amiguinhos portugueses dos sionistas.
Sobre a posição de Portugal nem é bom falar: "Trata-se de uma política de Estado: ser capacho de todos os regimes, sem qualquer excepção. De Caracas a Washington, de Pequim a Luanda, de Moscovo a Bruxelas, de Telavive a Rabat, o governo português mantém sempre a coerente posição de não ter posição sobre nada, esperando que a sua irrelevância seja premiada com umas migalhas. No caso da Europa, ficou quase sozinho, não acompanhando sequer a posição oficial da União".

Ferreira Gullar - Poema Sujo (1976)

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Ferreira Gullar (n. 1930) - Prémio Camões 2010



Traduzir-se


Uma parte de mim

é todo mundo:

outra parte é ninguém:

fundo sem fundo.


Uma parte de mim

é multidão:

outra parte estranheza

e solidão.


Uma parte de mim

pesa, pondera:

outra parte

delira.


Uma parte de mim

almoça e janta:

outra parte

se espanta.


Uma parte de mim

é permanente:

outra parte

se sabe de repente.


Uma parte de mim

é só vertigem:

outra parte,

linguagem.


Traduzir uma parte

na outra parte

— que é uma questão

de vida ou morte —

será arte?

Revista de Blogues

Excelente blogue, o de Maria do Rosário Pedreira. Chama-se Horas Extraordinárias - as horas que passamos a ler.

Acto de desagravo

O meu ídolo Chico Buarque teve de aturar «o faroleiro que contava vantagem», o apedeuta José Sócrates.



Casório

Está feito. Agora só espero que não me convidem para casamentos, independentemente da modalidade. Tenho sempre umas mentirolas guardadas para não ir.

Denis Hopper (1936-2010)

domingo, 30 de maio de 2010

sábado, 29 de maio de 2010

PR

Parece que a Direita beata se zangou com Cavaco e procura um candidato alternativo. Bagão Félix? Não acredito, até pela consideração que tem pelo algarvio. Uma outra Direita parece inclinar-se para Pedro Santana Lopes. Era bem feito, mas não acredito que o Vereador tenha hipóteses, agora que o mito da sua invencibilidade foi, finalmente, vencido.
À Esquerda, as coisas vão de mal a pior. Algo similar e não menos maquiavélico transparece dos pronunciamentos de Mário Soares. Fernando Nobre não tem condições de partida. Manuel Alegre tem dito alguma coisa nos últimos tempos? Não tenho reparado.
Estamos bonitos!
O Blasfémias acerta em cheio quanto ao Bagão.

(bandeira do Presidente da República, com as armas nacionais sob um rectângulo verde)

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Grandes Actrizes Portuguesas IV - Cecília Guimarães

Uma grande actriz portuguesa, infelizmente pouco recordada, condenados que somos a só reconhecer «Eunice & Ruy». Privei com Dona Cecília Guimarães quando participei na peça As Suplicantes (Companhia de Teatro de Almada, 1990-1991) em que ela brilhava. Como não lembrar a sua Juliana - que obteve um prémio de representação - em O Primo Basílio (1959) de António Lopes Ribeiro?



P.S.: Há demasiados filmes invisíveis em Portugal. O acima referido é um deles. Mesmo alguns que ainda existiram em VHS nunca foram transpostos para o DVD e o Blu-Ray. Há Oliveiras a que não temos acesso (o fabuloso Benilde ou a Virgem-Mãe, com os fabulosos Glória de Mattos e Varela Silva); mas também se tornaram invisíveis a generalidade dos filmes de António de Macedo, Manuel Guimarães (à excepção de O Crime da Aldeia Velha), Alberto Seixas Santos, Ernesto de Sousa, mesmo Paulo Rocha, Eduardo Geada, Alfredo Tropa. Nem a filmes tão importantes como Sem Sombra de Pecado de José Fonseca e Costa e A Estrangeira de João Mário Grillo temos acesso. Ironia: diz-se mal do cinema português quando a generalidade dos filmes portugueses não são vistos por ninguém! Voltarei a este assunto.

Centenário da República, II


Lisboa, esquina da Praça do Comércio (Terreiro do Paço) com a Rua do Arsenal

Centenário da República, I

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Grandes Actores Portugueses I - Varela Silva


Amália sempre

Amália, para além da consolidação do cânone fadista, foi responsável por fixar interpretações canónicas no âmbito do folclore português e pela fixação definitiva de interpretações das marchas de lisboa.
No primeiro caso, podemos dizer que há Amália e há as outras e que se deixam resumir em Maria Teresa de Noronha, Lucília do Carmo, Hermínia Silva, Beatriz da Conceição e Argentina Santos. Sem elas, não haveria Mariza, Aldina Duarte, Ana Moura, Carminho ou Raquel Tavares.
No segundo caso, há as interpretações enxutas da tradição folclórica nacional, acompanhadas das excelentes orquestrações de Joaquim Luís Gomes na sequência dos famosos concertos no Lincoln Center de Nova Iorque e no Hollywood Bowl de Los Angeles, sob a direcção de André Kostelanetz. Interpretações contidas, sem sotaques regionais, sem sombra de rancho folclórico, sem mácula. As posteriores séries de folclore acompanhado à guitarra e à viola não resultariam tão bem.
No terceiro caso, estamos em presença de interpretações definitivas na exacta medida em que depois de Amália o ter feito ninguém mais o deve fazer. Não morro de amores por marchas populares de Lisboa e por tudo o que lhe está associado, mas as versões de Amália são sublimes e estão para este género como José Afonso está para o fado de Coimbra: não mexam mais que só pode ficar pior!



O LP Marchas de Lisboa, de 1969 (33 RPM, Columbia, PMX5014, Stereo) - editado na sequência de anteriores EP's - tem, na capa, o meu tio Celestino Silva ao lado da Amália. O meu tio Celestino - tio por afinidade - é irmão do saudoso Varela Silva, cunhado de Amália pelo casamento com Celeste Rodrigues. Começou, tal como ele, na Guilherme Cossoul e é, actualmente, actor na Companhia de Teatro de Almada.

P.S.: Esta raridade já cá canta - estava num leilão na Net.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Dilema I

Onde vota quem não faz nenhuma tenção de votar em Cavaco Silva?

P.S.: Sampaio também avançou sem autorização do partido!

Registos Centrais

Actualizado o post sobre Escola Primária - 1.ª e 2.ª classes.

terça-feira, 25 de maio de 2010

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Passagens Canónicas, III - Livro dos Actos dos Apóstolos

"Quando chegou o dia de Pentecostes, os Apóstolos estavam todos reunidos no mesmo lugar. Subitamente, fez-se ouvir, vindo do Céu, um rumor semelhante a forte rajada de vento, que encheu toda a casa onde se encontravam. Viram então aparecer uma espécie de línguas de fogo, que se iam dividindo, e poisou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que se exprimissem. Residiam em Jerusalém judeus piedosos, procedentes de todas as nações que há debaixo do céu. Ao ouvir aquele ruído, a multidão reuniu-se e ficou muito admirada, pois cada qual os ouvia falar na sua própria língua. Atónitos e maravilhados, diziam: «Não são todos galileus os que estão a falar? Então, como é que os ouve cada um de nós falar na sua própria língua? Partos, medos, elamitas, habitantes da Mesopotâmia, da Judeia e da Capadócia, do Ponto e da Ásia, da Frígia e da Panfília, do Egipto e das regiões da Líbia, vizinha de Cirene, colonos de Roma, tanto judeus como prosélitos, cretenses e árabes, ouvimo-los proclamar nas nossas línguas as maravilhas de Deus»."
Actos, 2 , 1-11
(ontem foi Domingo de Pentecostes)

Registos Centrais - A Fazenda

O post sobre a trapalhada das novas tabelas de retenção na fonte de IRS foi actualizado.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Registos Centrais

Colocada uma nova foto de Catherine Deneuve em Divas VI.
A propósito. A Deneuve, tal como 'Jimmy' Stewart, era uma querida e tinha um ar doce. Jacques Demy captou-o, designadamente em Les Parapluies de Cherbourg e em Les Demoiselles de Rochefort. Com os anos tornou-se não apenas distante e gélida - epítetos consagrados na sua legenda - mas pura e simplesmente antipática.

A Fazenda


O Ministro de Estado e das Finanças acaba de aprovar as novas tabelas de retenção na fonte de IRS, expediente encontrado para proceder ao aumento da tributação em sede desse imposto antes da aprovação na Assembleia da República da lei que decrete o agravamento fiscal. O que é interessante é que o despacho que foi aprovado ontem foi, hoje, publicado, em suplemento ao Diário da República de ontem e entra em vigor hoje.
Já estive a ver que, no meu intervalo de remuneração, subo um ponto e meio de retenção.
Porra!

P.S.: Afinal só se aplica aos vencimentos a partir de Junho, de acordo com a alteração publicada aqui.

Os feriados

Uma proposta das Deputadas Rosário Carneiro e Teresa Venda e um abaixo-assinado subscrito por Medina Carreira visam limitar os feriados nacionais, com a extinção de quatro deles (5 de Outubro, 1.º de Dezembro, Corpo de Deus e Todos-os-Santos), a passagem a feriado móvel de outros, a fim de impedir as famosas «pontes» (Carnaval, 25 de Abril, 1.º de Maio, 10 de Junho, Assunção e Imaculada Conceição), os quais seriam encostados ao fim de semana.
Não se percebe como é que o Carnaval - que não é feriado nacional - poderá ser «móvel». Por outro lado, faz-me um bocadinho de impressão tornar «móveis» o 25 de Abril e o 1.º de Maio (este, um feriado «internacional»), bem como a extinção dos dias da Implantação da República e da Restauração da Independência.
Penso que uma solução viável seria:
- A suspensão por um período conveniente (e não a extinção) dos feriados nacionais do 5 de Outubro e do 1.º de Dezembro;
- A extinção dos feriados nacionais do Corpo de Deus (Festa móvel), da Assunção (15 de Agosto) e do dia de Todos-os-Santos. Uma possível extinção do feriado da Imaculada Conceição esbarra, provavelmente, com o facto de esta ser a «Padroeira de Portugal». As romagens aos cemitérios que se fazem no dia 1 de Novembro, a propósito do dia 2 (Fiéis Defuntos) podem ser feitas em qualquer outra altura;
- A forte limitação à concessão de tolerâncias de ponto;
- Converter o Dia de Portugal em feriado móvel.

Não sei é se a extinção de feriados religiosos não desencadeará outra Maria da Fonte!

Astor Piazzolla - Libertango

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Divas VII



Dizem que os olhos da Taylor são violeta - o meu daltonismo não me permite apreciar essa diferença. Hélas!

Aviso

Ainda não percebi o que é que o Governo está à espera para propôr ao Parlamento uma lei que impeça as progressões nas carreiras da função pública nos próximos anos ou, como nas experiências de 2005 e 2006, «a não contagem de tempo de serviço». A não acontecer, a execução orçamental será desastrosa.
A não admissão de pessoal não resolve o que quer que seja. As aposentações não desoneram o Tesouro, apenas transferem responsabilidades dos serviços para a Caixa Geral de Aposentações. E essas mesmas aposentações - que crescem vertiginosamente - acabarão por paralisar os serviços. O que nalgumas casos até não será mau!

P.S.: O Comunicado do Conselho de Ministros de hoje não faz qualquer menção a progressões na carreira, mas apenas a recrutamento.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Israel no seu labirinto

Ao impedir a entrada no país a Noam Chomsky, Israel perdeu completamente o respeito por si próprio.

Feira do Livro

A Feira do Livro de Lisboa é, cada vez mais, um cadáver adiado. Contribui para isso o desaparecimento de alguns editores, o estado moribundo de alguns - Livros do Brasil, Europa-América - e a concentração que, em vez de somar, comprime. A Leya é menor do que a soma das partes. A babel é muito menor do que a soma das partes.
É um facto que há algumas editoras novas e algumas com grande actividade editorial. O que é certo é que a existência das Fnac, a multiplicação de feiras e mercados do livro e de iniciativas semelhantes ao longo de todo o ano, bem como a possibilidade de comprar livros na Internet, retira muita da razão de ser de uma grande Feira do Livro.
Desforrei-me nos alfabarrabistas. É sempre bom encontrar aquele livro e falar com pessoas que amam os livros e sabem de livros.
*
Um fenómeno interessante dos últimos tempos é a ressurreição de velhas editoras e chancelas, Assim de fugida, lembro-me da Portugália, da Arcádia, grandes casas editoras do passado, bem como da Parceria A. M. Pereira. Se somarmos a  isso o renovamento da Guimarães, da Ática, da Verbo, da Ulisseia, da Sá da Costa estaremos em presença de uma feliz reconfiguração do panorama editorial português ou tratar-se-á de mera dispersão? Serão reeditados os respectivos fundos?
Era bom que alguém ressuscitasse a Moraes!

terça-feira, 18 de maio de 2010

Chico


O número especial da revista franco-brasileira Brazuka dedicado ao meu ídolo Chico Buarque pode ser descarregado gratuitamente aqui

Os pequenos estadistas

De Jugular:

"discurso patético - patético o ar enojado, patética e enojante a vitimização. já sabíamos que lhe custa muito perceber como funciona a democracia e que ser presidente tem regras, mas é sempre bom que o torne claro. [...] é: esta coisa chata, chatérrima, chama-se democracia, sr presidente."


A propósito: Cavaco era assim tão cioso de grandes consensos nacionais quando legislava e executava do alto das suas maiorias absolutas?

segunda-feira, 17 de maio de 2010

domingo, 16 de maio de 2010

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Regresso a Roma e o que adiante se verá

Balanço muito positivo da visita do Papa. À parte um ou dois recados, nem sombra de ultramontanismo e de integrismo.
Negativo: o tom acrítico da totalidade da imprensa e o seu tom festivo e celebratório. É necessário os jornalistas dizerem «o Santo Padre» e «Sua Santidade»? Também negativo, o modo como os críticos do Papa e da Igreja foram remetidos à condição de párias da Pátria. Igualmente negativo, a perseguição de Cavaco ao Bispo de Roma. Pelos vistos, o Trono preciso mais do Altar do que o contrário.

Nas próximas visitas a Chipre - em que os católicos romanos estão em esmagadora minoria - e, sobretudo, no Reino Unido - é que elas vão doer. Aguardemos.

P.S.: Na Grã-Bretanha - em que a comunidade católica romana é minoritária mas forte e expressiva - será interessante assistir às consequências dos casos de pedofilia, de que o caso Dawkins é um epifenómeno significativo, e aos efeitos reais da Anglicanorum Coetibus nas relações entre a Igreja Católica e a Igreja de Inglaterra e com a Comunhão Anglicana em geral.

Saldanha Sanches (1944-2010)





Entrevista na Pública, aqui (com a devida vénia ao Caminhos da Memória)

quarta-feira, 12 de maio de 2010

O Papa em Portugal



Bispo de Roma, Vigário de Jesus Cristo, Sucessor do Príncipe dos Apóstolos, Sumo Pontífice da Igreja Universal, [Patriarca do Ocidente], Primaz da Itália, Arcebispo Metropolita da Província Romana, Soberano do Estado da Cidade do Vaticano, Servo dos Servos de Deus

*
Bons discursos de Bento XVI: a vocação histórica de Portugal no encontro de culturas e a natureza verdadeiramente "patriarcal" da Igreja portuguesa (fundadora de Igrejas locais pelo mundo e pelas terras de Missão); o valores da cultura e da civilização; o ecumenismo e o diálogo inter-religioso; a renovação da Igreja e a expiação dos seus pecados internos.
Tirando alguns pronunciamentos em blogues e, sobretudo, em comentários em blogues, não há sinais de ultramontanismo. Ainda bem.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

"We are not amused"


Her Majesty Elizabeth the Second, by the Grace of God, of the United Kingdom of Great Britain and Northern Ireland, and of Her other Realms and Territories, Queen, Head of the Commonwealth, Defender of the Faith
 Duke of Lancaster, Lord of Mann, Duke of Normandy

[e também Rainha de Antigua e Barbuda, das Bahamas, de Barbados, de Belize, do Canadá, de Granada, da  Jamaica, de Saint Kitts and Nevis, de Santa Lúcia, de Saint Vincent and the Grenadines, da Austrália, da Nova Zelândia, da Papua Nova Guiné, das Ilhas Salomão e de Tuvalu]

Very british

Um dos aspectos mais marcantes das eleições de ontem no Reino Unido foi a referência constante - assisti pela BBC e, em alguns momentos, pela Sky News - à Constituição. O que é interessante é que os Britânicos falam da Constituição como se tivessem uma. De facto, não têm ou, melhor, têm uma Constituição 'de facto' (não escrita, não codificada ou de facto). A ausência de um texto unificado e singular definido como a Constituição não significa a ausência de leis constitucionais, enquanto tal. A regra básica da Supremacia do Parlamento faz com que tenha esse estatuto aquilo que o Parlamento defina como tal.
Nos próximos dias - a menos que a coisa se resolva imediatamente com o pedido de demissão de Gordon Brown - vai ser interessante analisar o debate sobre a própria natureza da Constituição Britânica. David Cameron será Primeiro-Ministro se a Rainha o nomear. Mas a Rainha só o nomeará se Brown se demitir. A Rainha - dentro do sistema 'Queen in Parliament' - ocupa, neste dias, o centro da vida política britânica. Mas, como lembrava um erudito nestas questões ontem na BBC, a Rainha (e, provavelmente, o Privy Council) tem de ser "accionada".

*

Se os Tories formarem governo, vai ser interessante observar se as reformas constitucionais prosseguirão, nomeadamente:
- o processo de "devolution", sobretudo no caso da Escócia onde os Conservadores quase que desapareceram, e a própria configuração da União;
- a reforma da Câmara dos Lordes;
- a reforma eleitoral;
- a integração europeia;
- o estatuto da Igreja de Inglaterra.

Mas, provavelmente, a crise económica dominará grande parte do mandato. O certo é que, no actual e futuro contexto, a libra permanecerá.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

The Amazing Dr. Clitterhouse, de Antatole Litvak


The Amazing Dr. Clitterhouse, de Antatole Litvak (Warner Bros., 1938)

Brother Orchid, de Llyod Bacon


Brother Orchid, de Llyod Bacon (Warner Bros., 1940)

Sunset Boulevard, de Billy Wilder



De facto, nunca pensei que se tivessem tornado tão pequenos!
Fabulosa Gloria Swanson

quarta-feira, 5 de maio de 2010

A Transição

Muitas vezes na opinião que se publica surge a ideia de que haveria uma bondade intrínseca na transição espanhola em comparação com a revolução portuguesa. Como, aliás, nas independências das antigas colónias e inglesas, francesas ou outras. Uma dia voltarei a este último tema.
Os recentes acontecimentos relacionados com o processo contra Baltazar Garzón e com a Ley da la Memoria Histórica mostram-nos uma Espanha ainda irreconciliada, assente numa tensão e num equilíbrio instável que o tempo acentuará, designadamente a propósito do aprofundamento das autonomias regionais - em direcção a, na melhor das hipóteses, uma confederação ou, na pior, à secessão - e da sucessão da Coroa. A violência do Passado faz-se sentir a todos os níveis e a uma Espanha ultra-moderna tende a impôr-se o espinho de uma memória que vem da República, da Guerra Civil e do franquismo.
A nossa Revolução, por mais críticas que se lhe possam fazer, permitiu um arrumar da casa e não atirou para o futuro coisas por resolver. Os "fascistas" democratizaram-se e, tirando alguns abencerrages, os portugueses podem olhar-se face a face.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Rita Guerra - Eu Só Quero

Deus sabe o que me custa, posto que detesto a persona artística de Rita Guerra. Mas a voz é fabulosa e a memória de Gabriela Schaaf - que já aqui foi alvo de um apelo de «what happened?» - povoa-me a adolescência.

What happened? (II)


O que é que aconteceu a Teresa Silva Carvalho?

(quadro de Maluda)

O Regabofe, II

Várias são as vozes que, desde há vários anos, mas agora com maior incidência, clamam, ciclicamente, pela urgência de um emagrecimento do Estado. Tal emagrecimento passa, como é óbvio, pela racionalização dos recursos humanos, designadamente através de mecanismos que dificultem a entrada de mais funcionários. Já se percebeu, aliás, que a regra de «saem três, entra um» não é solução. Para além de ser uma medida cega - há funcionários e funcionários - não desonera o Estado, apenas transferindo a despesa da administração directa para a Caixa Geral de Aposentações.
O Parlamento, no momento em que tanto se apela à contenção da entrada de trabalhadores para a Administração Pública, acaba de aprovar, por larga maioria, uma proposta do CDS-PP, hoje publicada, que recomenda ao Governo a integração excepcional dos docentes contratados com mais de 10 anos de serviço. Um dia falarei das razões porque há docentes que se mantêm como contratados por tanto tempo. Agora, trata-se apenas de constatar a incongruência entre o discurso público da contenção e as acções que não visam outra coisa senão tentar pescar, à linha, todo o eleitorado que se consiga reunir. As eleições podem ser a qualquer momento.

91 anos de Pete Seeger - Where have all the flowers gone



O ano passado não assinalei os 90 anos de Pete Seeger

sábado, 1 de maio de 2010

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Passagens Canónicas, I

“É este o fundamento da crítica irreligiosa: o homem faz a religião; a religião não faz o homem. E a religião é, de facto, a autoconsciência e o sentimento de si do homem, que ou ainda não se conquistou ou voltou a perder-se. Mas o homem não é um ser abstracto, acocorado fora do mundo. O homem é o mundo do homem, o Estado, a sociedade. Este Estado e esta sociedade produzem a religião, uma consciência invertida do mundo, porque eles são um mundo invertido. A religião é a teoria geral deste mundo, o seu resumo enciclopédico, a sua lógica em forma popular, o seu point d’honneur espiritualista, o seu entusiasmo, a sua sanção moral, o seu complemento solene, a sua base geral de consolação e de justificação. É a realização fantasmal da essência humana, porque a essência humana não possui verdadeira realidade. Por conseguinte, a luta contra a religião é indirectamente a luta contra aquele mundo cujo aroma espiritual é a religião.
A miséria religiosa é, ao mesmo tempo, a expressão da miséria real e o protesto contra a miséria real. A religião é o suspiro da criatura oprimida, o âmago de um mundo sem coração e a alma de situações sem alma. É o ópio do povo.
A abolição da religião enquanto felicidade ilusória dos homens é a exigência da sua felicidade real. O apelo para que eles deixem as ilusões a respeito da sua situação é o apelo para abandonarem uma situação que precisa de ilusões. A crítica da religião é, pois, em germe a crítica do vale de lágrimas de que a religião é a auréola. A crítica colheu nas cadeias as flores imaginárias, não para que o homem suporte as cadeias sem fantasia ou sem consolação, mas para que lance fora as cadeias e colha a flor viva. A crítica da religião liberta o homem da ilusão, de modo que ele pense, actue e configure a sua realidade como homem que perdeu as ilusões e recuperou entendimento, a fim de que ele gire à volta de si mesmo e, assim, à volta do seu verdadeiro sol. A religião é apenas o sol ilusório que gira à volta do homem enquanto ele não gira à volta de si mesmo.
Por isso, a tarefa da história, depois que o além da verdade se desvaneceu, é estabelecer a verdade do aquém. A imediata tarefa da filosofia, que está ao serviço da história, é desmascarar a autoalienação humana nas suas formas não sagradas, agora que ela foi desmascarada na sua forma sagrada. A crítica do céu transforma-se deste modo em crítica da terra, a crítica da religião em crítica do direito, a crítica da teologia em crítica da política.”

Karl Marx, Para a Crítica da Filosofia do Direito de Hegel. Introdução (1844)

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Pico della Mirandola - Discurso sobre a Dignidade do Homem


"Não te demos, ó Adão, nem um lugar determinado, nem um aspecto que te seja próprio, nem tarefa alguma específica, a fim de que obtenhas e possuas aquele lugar, aquele aspecto, aquela tarefa que tu seguramente desejares, tudo segundo o teu parecer e a tua decisão. A natureza bem definida dos outros seres é refreada por leis por nós prescritas. Tu, pelo contrário, não constrangido por nenhuma limitação, determiná-la-ás para ti, segundo o teu arbítrio, a cujo poder te entreguei. Coloquei-te no centro do mundo para que daí possas olhar melhor tudo o que há no mundo. Não te fizemos nem celeste nem terreno, nem mortal nem imortal, a fim de que tu, árbitro e soberano artífice de ti mesmo, te plasmasses e te enformasses, na forma que tivesses seguramente escolhido. Poderás degenerar até aos seres que são as bestas, poderás regenerar-te até às realidades superiores que são divinas, por decisão do teu ânimo."

Giovanni Pico della Mirandola, Discurso sobre a Dignidade do Homem (Oratio de hominis dignitate)

À memória de José Vitorino de Pina Martins

José Vitorino de Pina Martins (1920-2010)

Humanista no verdadeiro sentido da palavra -  cultor das Humanidades -, a erudição do Prof. Pina Martins é um legado para o futuro. Relembro a sua Cultura Italiana (Lisboa, Verbo, 1971), os seus estudos sobre a Menina e Moça (e respectiva edição fac-similada, na Gulbenkian). A importância da sua personalidade enquanto investigar de estudos humanistas e renascentistas em geral e, em particular, sobre Erasmo e o erasmismo, Pico della Mirandola, Camões, Thomas More, Bernardim Ribeiro, entre tantos outros é incomensurável e é dos poucos a ombrear com grandes estudiosos europeus como Eugenio Ascensio, Marcel Bataillon ou Luciana Stegagno Picchio.
Lembre-se que foi Pina Martins o descobridor do Tratado de Confissom (em 8 de Agosto de 1949), o primeiro livro impresso em língua portuguesa até hoje conhecido, que editou.
Relembro a sua fama de grande aquisidor e proprietário de livros raros e valiosos e de preciosos manuscritos, tendo inclusivamente doado à Biblioteca Nacional um dos manuscritos da Menina e Moça, hoje conhecido como o Ms. Bernardiniano da BNL ou Ms. Pina Martins e que antes era de Eugenio Ascensio.
Nunca li a sua obra de ficção, Utopia III, uma sequela da Utopia original de Thomas More. Tenho de ler.

P.S.: O Google Books contém o catálogo da exposição bibliográfica 129 trabalhos científicos de um grande investigador. José Vitorino de Pina Martins, com extensa bibliografia e uma biografia do homenageado, da autoria de Manuel Cadafaz de Matos e editada pela Biblioteca Nacional.

Jacques Brel - Mathilde

Jacques Brel - Rosa



Homenagem ao meu velho professor de Latim, Padre Joaquim Guilherme de Matos, C.M.F.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Estatística vaticana

Parece que havia, no final de 2008, 1 bilião e 166 milhões de católicos baptizados, segundo o Annuarium Statisticum Ecclesiae do Ufficio Centrale di Statistica della Chiesa. Será? E os praticantes? Eu sei que há um sentido teológico-sacramental no facto de se ser, justamente, baptizado. Mas não há possibilidades de saber, a nível global, o grau de participação efectiva. Eu sei que, localmente, se tem apurado essa taxa. Convinha agora saber à escala planetária.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Cravo

Diz Daniel Oliveira:

"Os cravos nas lapelas de Aguiar-Branco e Passos Coelho provam apenas que a direita portuguesa precisou de 36 anos para se libertar da sua relação complexada com a ditadura e fazer as pazes com a revolução. Não foi a esquerda que tomou aquele símbolo como seu, foi a direita que o renegou durante anos. O que não espanta, não tivesse sido o PSD (muito mais do que o CDS) a casa de acolhimento dos quadros locais e intermédios do Estado Novo que procuraram protecção debaixo da asa dos homens da Ala Liberal. Quem se lembra da vitória da Aliança Democrática, no final dos anos 70, lembra-se de como nas bases da AD surgia com tanta facilidade um tom saudosista e revanchista.
Mais recentemente, foi a intelectualidade de direita (e sobretudo os seus novíssimos historiadores) que andou a tentar convencer o portugueses que a coisa até ia bem lançada para chegarmos à democracia de forma “civilizada” e sem baderna na rua.
Em vez de se encaixar no sentimento popular em relação à data a direita passou mais de trinta anos a tentar reescrever a história. Nunca percebeu que, ao mostrar, sobretudo por ressentimento social, tanto incómodo com uma data que a esmagadora maioria dos portugueses lembra com alegria, se condenava a representar um país decadente e anacrónico.
Por ser tão tardio (e ainda não chegou ao Presidente da República), o gesto simbólico e concertado dos dirigentes do PSD denuncia o problema de identidade em que o partido viveu até hoje. Por ter acontecido mostra inteligência táctica da nova direcção: o cravo na lapela transforma o 25 de Abril numa comemoração consensual e retira-lhe a carga ideológica que realmente tem. Faz o corte com o passado. 36 anos depois, o PSD pôs o ressentimento na gaveta."

Família & Amigos


O Senhor Cacau

Descobertas


sábado, 24 de abril de 2010

sexta-feira, 23 de abril de 2010

As "pessoas de consideração"

Que Deus nos proteja dos antónios martins deste mundo! Felizmente não mandam ou mandam muito menos do que aquilo que pensam que mandam. E, nas suas declarações, é preocupante a forma como se assume a ideia de que "Nós" (os juízes, ou os juízes da associação sindical dos juízes) somos o Estado.

Já que se fala de extinções - para quando a extinção do sindicato dos juízes portugueses? Desde quando os titulares de um órgão de soberania podem ter sindicato?

E que dizer do singular Prof. Paulo Otero? O infantilismo, a irresponsabilidade e a ignorância catedráticas. Faz escola!

O Regabofe

Gabinete do Primeiro-Ministro

Despacho n.º 7127/2010

Considerando a importância que reveste a visita a Portugal de Sua Santidade o Papa Bento XVI;
Considerando o interesse de grande número de portugueses em poderem estar presentes nas celebrações;
Considerando as contingências de segurança necessárias nestas ocasiões e o seu impacto na mobilidade dos cidadãos e no tráfego rodoviário dos locais onde vão ocorrer as celebrações;
Considerando a tradição existente no sentido da concessão de tolerância de ponto aquando das visitas a Portugal de Sua Santidade o Papa João Paulo II:
Determino, ao abrigo da alínea d) do artigo 199.º da Constituição e no uso dos poderes delegados pelo n.º 4 do artigo 6.º da Lei Orgânica do XVIII Governo Constitucional, aprovada pelo Decreto-Lei n.º 321/2009, de 11 de Dezembro, o seguinte:
1 — É concedida tolerância de ponto aos trabalhadores que exercem funções públicas na administração central e nos institutos públicos, no concelho de Lisboa, durante a parte da tarde do dia 11 de Maio de
2010.
2 — É concedida tolerância de ponto aos trabalhadores que exercem funções públicas na administração central e nos institutos públicos, em todo o território nacional, no dia 13 de Maio de 2010.
3 — É concedida tolerância de ponto aos trabalhadores que exercem funções públicas na administração central e nos institutos públicos, no concelho do Porto, durante a parte da manhã do dia 14 de Maio de 2010.

Considerando que só o terceiro "Considerando" é válido, considero que o "grande número de portugueses" que querem ir a Fátima deveria meter um dia de férias, como forma de sacrifício. E dado que vão à Cova da Iria, esse sacrifício podia ser consagrado ao "Imaculado Coração de Maria". Mas assim não é. Cavaco e Sócrates terão tirado o curso de acólitos?

*

O Bollettino da «Sala Stampa» da Santa Sé publicou ontem um conjunto de informações estatísticas sobre Portugal a propósito da visita do Papa. Parece que há 9.368 milhões de católicos num total de 10.610 milhões de habitantes. Será?

terça-feira, 20 de abril de 2010

Os Poemas, V

Deixe-me estar aqui, nesta cadeira,
Até virem meter-me no caixão.
Nasci pra mandarim de condição,
Mas falta-me o sossego, o chá e a esteira
 
De Opiário, de Álvaro de Campos

domingo, 18 de abril de 2010

O Vulcão


A interdição do espaço aéreo em quase toda a Europa levou a que haja menos ruído no céu de Lisboa! Bendito sejas, Eyjafjallajökull!

[foto do El Pais]

sexta-feira, 16 de abril de 2010

O Sr. Duarte de Bragança

O descendente de D. Miguel e pretendente ao trono virtual de Portugal de acordo com o suposto «pacto de Dover» - cuja existência deve ser tão verdadeira como as invenções de Frei Bernardo de Brito sobre D. Afonso Henriques - veio lamentar que se gaste tanto dinheiro com as comemorações do centenário da República, as quais classifica de «propaganda republicana primária». Tem direito à opinião!
Depois, vem dizer que as presidências da República saem mais caras do que as Casas Reais. Duvido, mas mesmo que seja assim há uma pequenina diferença: a legitimidade que deriva da origem democrática do poder conferido ao Chefe de Estado num regime republicano. E o exemplo de Espanha não colhe: D. Juan Carlos, por mais críticas que se lhe possa fazer - "No queremos monarquia! Ni Juan Carlos Ni Sofia!" - é um rei quase-democrático. Uma coisa que os monárquicos tendem a esquecer é que - e digo-o de forma chocante - a República não tem de se justificar. A Monarquia, tendo instituições em tudo republicanas excepto a chefia do Estado, tem de o fazer. E um referendo não resolve a questão porque apenas pode "legitimar" o primeiro Rei. É aliás esse o problema que o Príncipe das Astúrias e a sua sucessora ou sucessor irão ter.
Só nos faltava, agora, andarmos com os Bragança ao colo.
Só nos saem é «duques»!

quinta-feira, 15 de abril de 2010

A amizade segundo Montaigne

"Au demeurant, ce que nous appellons ordinairement amis et amitiez, ce ne sont qu'accoinctances et familiaritez nouées par quelque occasion ou commodité, par le moyen de laquelle nos ames s'entretiennent. En l'amitié dequoy je parle, elles se meslent et confondent l'une en l'autre, d'un melange si universel, qu'elles effacent et ne retrouvent plus la couture qui les a jointes. Si on me presse de dire pourquoy je l'aymois, je sens que cela ne se peut exprimer, qu'en respondant: Par ce que c'estoit luy; par ce que c'estoit moy. Il y a, au delà de tout mon discours, et de ce que j'en puis dire particulierement, ne sçay quelle force inexplicable et fatale, mediatrice de cette union."

Michel de Montaigne, Essais, I - De l'amitié

(ortografia da época)

Equador

Muito importante a decisão do Tribunal Cível de Lisboa, ao condenar quem tinha acusado Miguel Sousa Tavares de plágio (Equador) socorrendo-se de referências a um blogue anónimo onde tais acusações foram proferidas.

Talvez se comece a perceber que A Rede não pode ser o esgoto para onde se destila o ódio, a injúria, o inuendo e que os órgãos de comunicação social não podem, sem mais, ser o eco dessa imundície.

Haja quem não desista - gente corajosa como o Miguel Sousa Tavares.

P.S.: Não li o Equador.

Querida Europa

Pacheco Pereira, hoje na Sábado em linha:

"Este retorno àquilo que os europeístas chamam de “egoísmo nacional” é algo de mais que normal numa Europa que é o fruto de um entendimento entre nações que ainda são soberanas (pelo menos a Alemanha ainda é), e que os fundadores da Europa conheciam bem e tinham em conta. Os seus sucessores, os des-fundadores da Europa, esses acham que basta a retórica europeísta, misturada com um certo chauvinismo gaulês anti-americano, para obrigar os outros a pagarem.

Acabado o ciclo em que a Alemanha ainda tinha que pagar reparações de guerra disfarçadas de “contribuições líquidas para a União”, havia que encontrar outras soluções e elas existiam, mais prudentes, mais modestas, mas mais sólidas. Mas esse não foi o caminho seguido pelos signatários impantes do Tratado de Lisboa e o resultado é que a crise grega arrastou-se sem glória europeia e sem solução. Os alemães ainda vão pagar, mas todos compreendem que a Europa não está a funcionar, e se tivermos em conta as proclamações hiper-optimistas à volta do Tratado, então não está a funcionar de todo."

Jaime Salazar Sampaio (1925-2010)

Poeta e dramaturgo, lembro-me de ter visto uma peça sua - Fernando (talvez) Pessoa - há muitos anos (1983), no Teatro Nacional D. Maria II, com encenação de Artur Ramos e interpretação de Varela Silva, Curado Ribeiro e Rogério Paulo (recordo até que este se enganou). A peça não era grande coisa, mas acho que foi a minha primeira notícia da existência de Fernando Pessoa, enquanto tal. Nessa peça os heterónimos desfilavam e diziam poemas e lembro-me que nos dias a seguir comprei o Livro do Desassossego, de que nessa altura tinha saído a 1.ª edição.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Para a História da Educação em Portugal, I




Este diploma limitou-se a extinguir os liceus remanescentes, já que, em 1975, a maior parte dos liceus e das escolas técnicas tinham sido transformados em escolas secundárias.                                            

Na Cova dos Leões

Afinal, parece que também vai haver tolerância de ponto nos dias 11 da parte da tarde (em Lisboa) e 14 da parte da manhã (no Porto), bem como o já anunciado dia 13 (em todo o país).
Para os nossos índices de produtividade não está mal! Toda Nação deverá convergir para Fátima. O Trono e o Altar reconciliados.

O ponto

Eu contra mim falo, mas terá alguma justificação conceder «tolerância de ponto» no dia 13 de Maio, a propósito da visita do Papa? Justamente no dia 13, dando o Estado caução ao, assim chamado, "acontecimento" de Fátima. Talvez se admitisse nos dias 11 ou 12 em Lisboa ou no dia 14 no Porto - e apenas em virtude dos grandes congestionamentos previsíveis. Agora, para o pessoal ir à Cova da Iria? Então e o sacrifício? Não podem pôr um dia de férias? O pessoal que vai trabalhar para a Festa do Avante! «mete» férias...
Para a confusão ser total já só falta mesmo amnistia e perdão genérico.
Como diz o Douta Ignorância: "A tolerância de ponto anunciada a propósito da visita do Papa é apenas uma evidência da nossa falta de capacidade para distinguir o que é de Deus e o que é de César. Não é o papel de um Estado laico improvisar feriados por motivos destes. Ou bem que se entende isto, ou mais vale oficializar o retrocesso".

A chama imensa

Hoje, dia grande, depois da grande vítória de ontem. Obrigado, papoilas saltitantes!
Pablo enorme.

(com a devida vénia ao 31 da Armada)

terça-feira, 13 de abril de 2010

Divas VI



Verdade e Reconciliação

Bem a Conferência Episcopal Portuguesa - na sequência aliás de intervenções correctas do Cardeal-Patriarca de Lisboa e de D. Carlos Moreira Azevedo bem como do Bispo do Porto. Bem o Arcebispo Primaz, ao falar da necessidade de «restabelecer a justiça, purificar a memória e reafirmar, humildemente, o compromisso da Igreja de fidelidade a Deus e de serviço aos homens», «perante a grave lesão da dignidade pessoal das vítimas dos casos de pedofilia». Um instrumento que se tem mostrado eficaz nessa purificação da memória têm sido - lembre-se o processo de transição na África do Sul - as Comissões de Verdade e Reconciliação. E, dada a gravidade da questão, com efeitos à escala global, porque não um Concílio Ecuménico ou, pelo menos, uma assembleia especial do Sínodo dos Bispos?
Muito mal o Cardeal Secretário de Estado. Eduardo Pitta é, como sempre, magistral. O pior é que se calhar para Tarcisio Bertone isso não seria castigo - era bem capaz de gostar!

Here comes the sun

Here comes the sun

Deo Gratias

segunda-feira, 12 de abril de 2010

O costume

Diz Daniel Oliveira (com quem a maior parte das vezes não concordo):

"Passos Coelho não precisou de mais do que 15 dias para usar a mais fácil das receitas: alimentar o ressentimento contra as principais vítimas da crise. [...]
Vou tentar explicar isto devagarinho: aqueles que recebem, por exemplo, o subsídio de desemprego são os mesmos que pagaram as suas prestações à segurança social. Eles deram a sua parte. O que recebem não é nem uma esmola nem um favor. É um direito. Um direito pelo qual pagaram ao longo dos seus anos de trabalho e descontos. O dinheiro não é nem de Sócrates, nem de Passos Coelho, nem das juntas de freguesia ou ONG’s onde os querem pôr de castigo. É deles. Foi pago por eles. Eles são a sociedade que deu e que agora recebe. Que foi solidária e que agora precisa da solidariedade. Não são criminosos condenados a “trabalho para a comunidade”. [...]
É assim que estes senhores, de Paulo Portas a Pedro Passos Coelho, querem os cidadãos: a esgatanharem-se pelas migalhas que sobram. Convencidos que a culpa da sua miséria é do miserável que mora ao lado. E um dia destes, convencidos que culpa da sua miséria é deles próprios.
Assim, entretidos uns com outros, não põem em causa os fundamentos da desigualdade social neste país. Assim, espalhando as culpas pelas aldeias, estaremos todos dispostos a exigir menos. A olhar para os direitos que demorámos décadas a conquistar como privilégios. Prontos para sermos aliados de quem quer destruir esses direitos em vez de lutarmos pelos nossos.
Por mim, sei o que a história nos ensinou: que dividir para reinar sempre foi a melhor estratégia. E que a ela só se resiste percebendo que aqueles que vivem do seu trabalho só têm uma força que os salve: tomar cada ataque a um direito de alguém da sua condição como um ataque a si próprio.
A função do discurso contra os supostos “direitos adquiridos” (que se deviam chamar direitos conquistados e ainda por conquistar) é simples: transportar o trabalhador de novo para o século XIX. Mas talvez quando voltarmos todos a trabalhar à jorna e nada nos segurar no desespero do desemprego voltemos a perceber quem são realmente os privilegiados.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

George Harrison, Ringo Starr, Eric Clapton, Phil Collins, Elton John and Jeff Lyne - While My Guitar Gently Weeps, de George Harrison (The Beatles, Álbum Branco - 1969)

Submarino ao fundo

Diz, hoje, Ana Gomes:
"O Correio da Manhã de hoje escreve que desapareceu a acta do contrato das contrapartidas dos submarinos.
Com sorte, talvez o Dr. Paulo Portas consiga encontrá-la lá por casa, entre os milhares de documentos fotocopiados que levou do Ministério da Defesa Nacional. Já agora, mai-lo contrato de «leasing» onde se fixam as condições e o prazo de pagamento pelo Estado ao consórcio financeiro, engendrado pelo BES, que financiou a aquisição dos ditos cujos...."

Aliás, a questão das fotocópias do Dr. Portas nunca foi muito bem esclarecida. A propósito: será que as pagou? Presumo que as tenha pago: afinal não era para serviço do ministério, mas para «seu governo».

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Os Poemas, IV


Uma nêspera
estava na cama
deitada
muito calada
a ver
o que acontecia

chegou a Velha
e disse
olha uma nêspera
e zás comeu-a

é o que acontece
às nêsperas
que ficam deitadas
caladas
a esperar
o que acontece

Mário-Henrique Leiria, Rifão Quotidiano (in Novos Contos do Gin-Tónico)

As minhas escolas, II



Escola Primária nº 1 de Almada - «Escola Conde de Ferreira»


Em 1974/1975. Lá está a bruxa-retornada da minha professora da 2.ª classe e lá estou eu à extrema-direita de quem vê - na estrema-esquerda de quem posa -, na 2.ª fila.