quarta-feira, 7 de julho de 2010

Ignomínias

Estes eram os juramentos impostos aos «servidores do Estado» no acto de posse. A primeira, constante da Lei n.º 1901, de 21 de Maio de 1935 - que só veio a ser expressamente revogada em 1975 - suscitou um famoso opúsculo de Fernando Pessoa: «As associações secretas». A segunda, constava do Decreto-Lei n.º 27003, de 14 de Setembro de 1936 e, por isso, ficou conhecido como a «declaração 27003». Ambas as declarações foram abolidas em 1969. O decreto que as abolia foi publicado no mesmo número do Diário do Governo que extinguia a PIDE e criava a Direcção-Geral de Segurança!
Há aquele dito sobre as moscas e a merda...

Muitos dos nossos melhores foram expulsos (aposentados ou demitidos) das nossas escolas e universidades por se terem recusado a prestar tal declaração ou por revelarem "espírito de oposição aos princípios fundamentais da Constituição Política ou não dêem garantias de cooperar na realização dos fins superiores do Estado": Agostinho da Silva,  Abel Salazar, Aurélio Quintanilha, Manuel Rodrigues Lapa, Sílvio Lima, Ruy Luís Gomes, Mário Silva, Celestino da Costa, Pulido Valente, Fernando Fonseca, Crabée Rocha, Aniceto Monteiro, Manuel Valadares e tantos outros. Não os podemos - porque não devemos - esquecer.

Os sinais dos tempos, I

Dei aulas durante 18 anos e um espectáculo recorrente, digamos que dos últimos 5 anos, era a pressa com que nas férias da Páscoa os meus alunos do 12.º ano iam tirar a carta. Razão? Porque não concebiam ir para a Universidade em transporte público. No meu tempo, na Cidade Universitária encontravam-se estacionados meia dúzia de carros, na melhor das hipóteses, dos senhores professores. Em poucos anos, tudo mudou. Mesmo o alargamento da rede do Metropolitano de Lisboa, a introdução do comboio na ponte 25 de Abril e a melhoria das embarcações da Transtejo, não incentivarem o uso do transporte público por parte dos jovens - que, por definição, não têm rendimentos do trabalho. Das outras regiões não sou competente para falar, mas parece-me ter havido um desinvestimento nas acessibilidades das linhas de Cascais e Sintra, bem como do Oeste.
Uma geração cujos bisavós andavam a pé ou de burro, os avós começaram pelos Mini, Renault 4 e Fiat 127 e os pais pelos Renault 5 e pelos Panda, inunda Lisboa de automóveis (presumo que nos outros pólos universitários se passe o mesmo), gasta o que não tem e o que não deve e concorre para o risco ambiental já elevadíssimo. Mesmo os meus alunos de Almada que ingressavam na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova, no Monte de Caparica, não dispensava o "pópó". Vai ser giro ver esta gente apeada nos anos vindouros.

Diz acertadamennte o Eduardo Pitta: "Num país atrasado como Portugal, a cultura do automóvel subverteu o interesse colectivo. Em 1986, com a entrada na CEE, actual União, centenas de milhares de famílias deram o salto da carroça para o Fiat 127. Não teria mal se, em simultâneo, os sucessivos governos, autarcas de todas as cores e poderes fáticos não tivessem aproveitado o upgrade de motorização para encerrar linhas de caminho de ferro e reduzir drasticamente a rede de carreiras rodoviárias."

Chapeau!

terça-feira, 6 de julho de 2010

Saramago na Playboy


(Com a devida vénia ao Cadeirão Voltaire)

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Descobertas


Um grande sítio: Classica Digitalia

*

Uma grande iniciativa de Pedro Almeida Vieira: uma base de dados do romance histórico português.

George Harrison - Here Comes The Sun, de George Harrison (The Beatles, Abbey Road - 1969)



A propósito do calor de ananases

A criança, a avó, as tias, o pai dela e a russa namorada dele



Rica criança que rica ficará

Pobre criança que crescerá entre tal gente

(Mais valia deixá-lo aos cuidados de Marge Simpson)

domingo, 4 de julho de 2010

Eça de Queirós - Correspondência de Fradique Mendes

Hoje, que está tanto calor - «um calor de ananases» - relembro o Eça:

"Pela escada, o poeta das LAPIDÁRIAS aludiu ao tórrido calor de Agosto. E eu que nesse instante, defronte do espelho no patamar, revistava, com um olhar furtivo, a linha da minha sobrecasaca e a frescura da minha rosa--deixei estouvadamente escapar esta coisa hedionda:
- Sim, está de escachar!
E ainda o torpe som não morrera, já uma aflição me lacerava, por esta «chulice» de esquina de tabacaria, assim atabalhoadamente lançada como um pingo de sebo sobre o supremo artista das LAPIDÁRIAS. O homem que conversara com Hugo à beira-mar!... Entrei no quarto atordoado, com bagas de suor na face. E debalde rebuscava desesperadamente uma outra frase sobre o calor, bem trabalhada, toda cintilante e nova! Nada! Só me acudiam sordidezes paralelas, em calão teimoso: - «é de rachar»! «está de ananases»! «derrete os untos»!... Atravessei ali uma dessas angústias atrozes e grotescas, que, aos vinte anos, quando se começa a vida e a literatura, vincam a alma - e jamais esquecem."

(da 1.ª ed. (1900), exemplar da Biblioteca Nacional)

The Beatles - A Hard Day's Night (1964)

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Passagens Canónicas V - Ultimatum britânico


"O Governo de Sua Majestade Britânica não pode aceitar, como satisfatórias ou suficientes, as seguranças dadas pelo Governo Português, tais como as interpreta.
O Cônsul interino de Sua Majestade em Moçambique telegrafou, citando o próprio major Serpa Pinto, que a expedição estava ainda ocupando o Chire, e que Katunga e outros lugares mais no território dos Makololos iam ser fortificados e receberiam guarnições. O que o Governo de Sua Majestade deseja e em que mais insiste é no seguinte:
Que se enviem ao governador de Moçambique instruções telegráficas imediatas para que todas e quaisquer forças militares portuguesas actualmente no Chire e nos países dos Makololos e Mashonas se retirem.
O Governo de Sua Majestade entende que, sem isto, as seguranças dadas pelo Governo Português são ilusórias.
Mr. Petre ver-se-á obrigado, à vista das suas instruções, a deixar imediatamente Lisboa, com todos os membros da sua legação, se uma resposta satisfatória à precedente intimação não for por ele recebida esta tarde; e o navio de Sua Majestade, Enchantress, está em Vigo esperando as suas ordens.

Legação Britânica, 11 de Janeiro de 1890."

O legado de Maria de Lurdes Rodrigues

A defesa da escola pública - contras as diversas corporações que a parasitam -, a revalorização da educação pré-escolar e do 1.º ciclo do ensino básico, as actividades de enriquecimento curricular, com a introdução do Ensino de Inglês no 1.º ciclo, os centros escolares e o encerramento de escolas obsoletas, a modernização do parque escolar do ensino secundário, o reforço da autonomia, os directores de escola, a introdução do princípio da diferenciação e da avaliação do desempenho docente, a avaliação externa das escolas, a ocupação plena dos tempos escolares e as aulas de substituição, o travão ao «ministério-Fenprof», a educação especial, as Novas Oportunidades (cursos de educação e formação, cursos profissionais, formação de adultos, reconhecimento e validação de competências), as transferências de competências para as autarquias, etc., etc., etc.


Em nome de tudo isto, também houve muita trapalhada: a confusão entre o princípio da senioridade e a criação de «professores titulares», a efectiva burocratização da avaliação do desempenho docente, o destemperado Estatuto do Aluno, ainda que o seu objectivo último fosse a defesa dos interesses dos estudantes.
Destacaria do seu legado a noção muito nítida de que o sistema educativo deve servir aqueles para os quais está concebido - os alunos (por isso, não é normal os alunos irem à escola e não terem aulas) - e não as diversas corporações, administração educativa incluida.

Registos Centrais

Removido o post Sarita Montiel - El Relicario, por alegada violação dos direitos de autor.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Una, grande y libre?

Dizia-me ontem, por mail, o meu amigo basco, Fernan:


"Mañana juegan Portugal y España, si gana Portugal, lo celebraré mucho, y cuando vaya a Lisboa lo celebraremos, invito yo. En el país vasco la mayoria irá con Portugal. Todavía recuerdo el gol de Nuno Gomes contra España en la eurocopa. Fue fantastico!"

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Para a História da Educação em Portugal, III - Cartilha Maternal


Hoje, por obra e graça de Maria do Rosário Pedreira, lembrei-me do tormento que os Pedros passavam por causa da Cartilha Maternal de João de Deus. Os adultos insistiam em repetir ad nauseam, sempre que encontravam um: «Ó Pedro, que é do livro de capa verde que te deu o avô?». Mas, parafraseando o Álvaro de Campos, «quem me dera no tempo» em que me atormentavam - e eu dava por isso - com aquela malfadada frase!

Se não agora, quando?

"A introdução de portagens nas Scut, a partir da próxima quinta-feira (não será o chumbo dos chips que impedirá a sua cobrança: quem tem Via Verde fica com o assunto resolvido, quem não tem é fotografado), é o momento ideal para os falcões da Invicta darem ao Presidente da República um pretexto para dissolver o Parlamento. Como Cavaco só o poderá fazer até 9 de Setembro, convém apressar a tranquibérnia... Lembrar que Rui Rio enfatizou a possibilidade de um levantamento popular a Norte. Uma insurreição organizada das comissões de utentes, de molde a provocar resposta dos GOE, daria azo a uma crise política de consequências imprevisíveis. Há quem aposte nessa solução, sobretudo agora que as sondagens parecem estender o tapete vermelho ao PSD.
Naturalmente, os mais avisados dentro do PSD sabem que ainda não é chegado o momento. Lá para Outubro ou Novembro de 2011, talvez. Antes é preciso obrigar o PS a acabar o trabalho sujo. E só depois [Não temos nada com isso. Foram decisões do eng. Sócrates.] então dividir o bolo. Ah!, como seria instrutivo vê-los a tomar hoje mesmo as rédeas do poder." (Eduardo Pitta)

domingo, 27 de junho de 2010

Protocolo

Já que tanto disparate tem sido dito e para arrumar - pela minha parte - a questão da ausência do Cavaco no funeral de José Saramago, gostaria de lembrar o que reza o n.º 3 do artigo 10.º da Lei das precedências do Protocolo do Estado Português:

"[...] o Presidente da República não pode fazer-se representar por ninguém.»

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Lupicínio Rodrigues - Vingança, de Lupicínio Rodrigues



"Eu gostei tanto,
Tanto quando me contaram
Que lhe encontraram
Bebendo e chorando
Na mesa de um bar,

[...]

Mas, enquanto houver força em meu peito
Eu não quero mais nada
Só vingança, vingança, vingança
Aos santos clamar
Ela há de rolar como as pedras
Que rolam na estrada
Sem ter nunca um cantinho de seu
Pra poder descansar"

Há dois grandes textos sobre a vingança. Um, é este samba-canção de Lupicínio. O outro, como é sabido, é O Conde de Monte-Cristo. E, claro, há a Medeia (mas isso é outra história).

quinta-feira, 24 de junho de 2010

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Leilão






Hoje descobri que venho num leilão!

Nota oficiosa

Ena, o Francisco José Viegas publicou uma observação minha de carácter teológico!

Há festa na minha terra

No dia de S. João
Há fogueiras e folias
Gozam uns e outros não
Tal qual como os outros dias

(Fernando Pessoa, Quadras ao Gosto Popular)

terça-feira, 22 de junho de 2010

Ditosa Pátria

"Estamos em vida fictícia como país independente. Somos como o sapateiro que se veste de príncipe no Entrudo. Pois bem! Comédia geral! Seja Portugal um teatro desde Monção ao Cabo da Roca!"


Camilo Castelo Branco, A Queda dum Anjo (1866)

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Ídolos


Coluna, Chico Buarque e Eusébio

(com a devida vénia a Ana Cristina Leonardo)

Censuras

"Vi por mandado da santa & geral inquisição estes dez Cantos dos Lusíadas de Luís de Camões, dos valerosos feitos em armas que os Portugueses fizerão em Ásia & Europa, e não achey nelles cousa algua escandalosa nem contrária â fe & bõs custumes, somente me pareceo que era necessário advertir os Lectores que o Autor pera encarecer a difficuldade de navegação & entrada dos Portugueses na India, usa de hua fição dos Deoses dos Gentios. (…) Toda via como isto he Poesia & fingimento, & o Autor como poeta, não pretende mais que ornar o estilo Poético não tivemos por incoveniente yr esta fabula dos Deoses na obra, conhecendoa por tal, & ficando sempre salva a verdade da nossa sancta fe, que todos os Deoses dos Gentios sam Demónios."

Frei Bartolomeu Ferreira, O.P.

Saramago antes de Saramago



Lembro-me de ter visto A Noite no velho teatro da Academia Almadense pelo Grupo de Campolide - que ainda não se chamava Companhia de Teatro de Almada -, numa encenação de Joaquim Benite. Tinha uma fabulosa cenografia, simulando a redacção e impressão de um jornal e passava-se durante a noite do 25 de Abril de 1974. Nunca mais esqueci e até aí não sabia que o teatro podia ser tão "cinematográfico". 
Lembro que vi, logo depois, Que farei com este livro?, com Canto e Castro.
Da segunda peça retenho as idas de Camões à Inquisição e o famoso parecer de Frei Bartolomeu Ferreira, as actuações de Canto e Castro e de Ema Paul e o carácter datado do tom e do discurso.

domingo, 20 de junho de 2010

Na morte de Saramago

Um asco, o artigo "L'onnipotenza (presunta) del narratore" no  L'Osservatore Romano de hoje, a contrastar com o texto sereno da Igreja portuguesa: "O Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura expressa o seu pesar na morte de José Saramago, grande criador da língua portuguesa e expoente da nossa cultura. José Saramago ampliou o inestimável património que a literatura representa, capaz de espelhar profundamente a condição humana nas suas buscas, incertezas e vislumbres.
Como é público, o cristianismo e o texto bíblico interessaram muito ao autor como objecto para a sua livre recriação literária. Há uma exigência e beleza nessa aproximação que gostaríamos de sublinhar. O único lamento é que ela nem sempre fosse levada mais longe, e de forma mais desprendida de balizamentos ideológicos. Mas a vivacidade do debate que a sua importante obra instaura, em nada diminui o dever da cordialidade de um encontro cultural que, acreditamos, só pode ser gerado na abertura e na diferença." (Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura).

Muito bem, a blogosfera portuguesa - mesmo a de direita (31 de Armada, incluído; menos bem o Blasfémias).
Muito mal, o senhor Presidente da República, a mostrar a sua total falta de grandeza humana e de Estadista: "Sendo um momento importante para o Estado português, ninguém faria questão que lá estivessem o Aníbal ou o Cavaco. Mas o Presidente da República, esse, nunca poderia faltar à última homenagem ao único prémio Nobel da Literatura de língua portuguesa. A um dos mais importantes escritores do século XX. Àquele que, com Pessoa, atingiu maior notoriedade internacional. É incoerente decretar dois dias de luto nacional e depois estar ausente da cerimónia oficial.
Cavaco Silva mostrou este fim-de-semana que, mesmo no cargo que ocupa, não consegue ser mais do que ele próprio. Não consegue representar o País. E um Presidente que não está acima da sua pequenez, que não percebe a grandeza de um cargo que o transcende, é e será sempre um mau Presidente." (Daniel Oliveira).

Muito mal o pateta que dá pelo nome de Duarte Pio, a quem muita gente insiste em tratar por "dom". Mas ser infeliz é o seu destino.

Muito bem a selecção nacional e a federação portuguesa de futebol.

*

Um dia destes quero escrever sobre Saramago. O escritor venerado por tantos, de Eduardo Lourenço a George Steiner, de Harold Bloom a Susan Sontag, mas desprezado pelos medíocres que ninguém conhece do outro lado da sua própria rua.

Gostaria de destacar os belíssimos textos de Francisco José Viegas e de Manuel Gusmão. Transcrevo o do primeiro:
"A consagração de Saramago deve-se à literatura e à sua «intervenção cívica» — mas só a literatura, que está ligada à eternidade, o irá transcrever mais tarde nas palavras da terra, no gigantesco poema do mundo, onde entrará Manual de Pintura e Caligrafia, por exemplo, um livro injustamente esquecido, e essa «trilogia do cânone» [Memorial do ConventoO Ano da Morte de Ricardo Reis e Ensaio sobre a Cegueira] e  onde estão inscritas as linhas de quase toda a sua obra: a atenção aos pequenos personagens (quase anónimos, quase insignificantes), o absurdo da História, a ideia de epopeia, a fragilidade do humano e do humanismo.
Tanto em Levantado do Chão como em Memorial do Convento ou em Todos os Nomes, os seus grandes personagens são essencialmente humildes, anónimos e colhidos (e escondidos) da massa da multidão. Baltazar e Blimunda em vez do rei que manda construir o convento de Mafra; os camponeses e o cão atravessando os campos do Alentejo e ressuscitando no final, em vez dos «exemplos de classe"; uma mulher anónima e discreta que enfrenta a cegueira do mundo e interpreta as suas metáforas. Mesmo o amor, mesmo o amor: é uma das suas mais belas histórias de amor, a de História do Cerco de Lisboa, a que é vivida pela editora e pelo revisor — ele, mais uma vez, o homem anónimo, humilde, modesto, que representa toda a modéstia e toda a humildade dos homens e mulheres sem história (à maneira de Gogol; ou encarando o absurdo, como Kafka).
Creio, acreditei sempre — e escrevi-o — que Saramago era um homem extremamente religioso. Só um homem religioso pode rondar a blasfémia e interrogar directamente a figura de um Deus «humanamente injusto». O resto é polémica, passagem, indignações. O que passará à eternidade é isso: talento, trabalho, dedicação" (Francisco José Viegas).

sexta-feira, 18 de junho de 2010

José Saramago (1922-2010)


Prémio Camões

Prémio da Associação de Críticos Portugueses
Prémio Cidade de Lisboa
Prémio PEN Clube Português
Prémio Literário Município de Lisboa
Prémio da Crítica (Associação Portuguesa de Críticos)
Prémio Dom Dinis
Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores
Prémio Consagração SPA (Sociedade Portuguesa de Autores)
Prémio Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores (APE)

Prémio Grinzane-Cavour
Prémio Internacional Ennio Flaiano
Prémio do jornal The Independent
Prémio Internacional Literário Mondello (Palermo)
Prémio Literário Brancatti (Zafferana/Sicília)

A minha geração, 1

Para a krida

quarta-feira, 16 de junho de 2010

As sinecuras


A extinção dos governos civis é uma boa ideia. Não se percebe, sequer, a razão da sua permanência. Ou melhor, percebe-se: acabam por ser mais uns lugares para quem não conseguiu ser eleito Deputado, não arranjou lugar no Governo ou nos gabinetes ou não alcançou uma câmara municipal. Tendo perdido grande parte das suas competências próprias - a maior parte delas absorvidas pelas autarquias locais - permanecem algumas funções que podem ser desempenhadas por qualquer outro serviço existente, como seja a emissão de passaportes ou a autorização para o uso de alarmes. Esta foi, aliás, uma das últimas competências atribuídas ao órgão, como que a tentar dar-lhe algum conteúdo. Ridículo!
Pode não ser significativa a diminuição de despesa - governador, nalguns casos vice-governador, conselho, staff, o próprio serviço - mas daria um sinal quanto à necessidade de abolição de sinecuras injustificáveis.
Provavelmente, é necessário alterar a Constituição (artigo 291.º) mas a coisa pode resolver-se imediamente pela não designação de novos titulares e a distribuição das suas funções pelas lojas do cidadão, IMTT, municípios e freguesias, associações de municípios, juntas metropolitanas, outros serviços do Estado, etc.
Aliás, Lisboa ficou, de repetente, muito perto. Os governadores civis ficarão na memória dos povos e podem ser, sempre, revisitados - juntamente com os regedores - em Camilo, em Júlio Dinis ou n'A Ilustre Casa de Ramires de Eça.
(Bandeira do governador civil)

Futebóis

A minha selecção é o Benfica.

Amália - La Tarantela

E já que ando em maré de língua napolitana, eis Amália a cantar em Nápoles como se tivesse lá nascido:



Projecto para o Verão: férias no Sul de Itália e/ou na Sicília - quero ver o "mundo" de Lampedusa, Pirandello, VittoriniSciascia e do grande Andrea Camilleri.

domingo, 13 de junho de 2010

Anna Magnani - O Surdato 'Nnamurato


 


La Magnani no filme La Sciantosa (1971). Se, como disse Fellini, Anna Magnani é Roma e Roma é a minha cidade favorita, tenho de voltar a ambas um dia destes.

A interpretação de Massimo Ranieri é magnífica (melhor de que as dos próprios tenores Pavarotti e Bocelli), num napolitano cristalino:



Massimo Ranieri também entra em La Sciantosa e toca guitarra na cena apresentada.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Registos Centrais

O meu livro da 2.ª classe no Museu Virtual da Educação (actualizando este post já antigo).

Para a História da Educação em Portugal, II


O Decreto-Lei n.º 27 279, de 24 de Novembro de 1936 é todo um programa: a ideia de que "o ensino primário elementar trairia a sua missão se continuasse a sobrepor um estéril enciclopedismo racionalista, fatal para a saúde moral e física da criança, ao ideal prático e cristão de ensinar bem a ler, escrever, contar, e a exercer as virtudes morais de um vivo amor a Portugal"; a desvalorização do diploma de professor "tantas vezes só decorativo", o elogio do posto escolar "escola aconchegada da terra pequenina, onde outra maior se tornaria desproporcionada, ao mesmo tempo que, pelo desperdício, inimiga da restante terra portuguesa"; a instrumentalização dos inspectores escolares.

António Manuel Couto Viana (1923-2010) e os escritores conservadores

Morreu há uns dias aquele que era, provavelmente, o último sobrevivente da geração da Távola Redonda (David Mourão-Ferreira, Fernanda Botelho, Alberto de Lacerda, entre outros). Este poema - tardio - representa todo o programa de vida de Couto Viana:

"O poeta e o mundo

Podem pedir-me, em vão,
Poemas sociais,
Amor de irmão p'ra irmão
E outras coisas mais:

Falo de mim - só falo
Daquilo que conheço.
O resto... calo

E esqueço."

(Uma vez uma voz, 1985)

P.S.: Eduardo Pitta presta-lhe, também hoje, homenagem.

*

Não é, propriamente, o caso de Couto Viana, mas há alguns escritores de tradição conservadora que me interessam (para além, obviamente, de Agustina Bessa-Luís).
O primeiro é Joaquim Paço d'Arcos, de quem tenho lido umas magníficas short stories (Neve sobre o MarO Navio dos Mortos e Outras Novelas e Carnaval e Outros Contos, etc.) e de quem espero ler o ciclo de seis romances de «Crónica da Vida Lisboeta» e a Cela 27. Em miúdo tinha lido as Memórias duma Nota de Banco. O Autor - outrora muito lido e responsável por haver tantas «Anas Paulas» - tinha mau nome, em parte justificado pelo seu apoio à intervenção da Legião Portuguesa na Sociedade Portuguesa de Escritores e à posterior extinção da mesma, consubstanciado num célebre panfleto. Sei que Paço d'Arcos tinha boa relação com escritores da Oposição - possuo um exemplar de Nus e Suplicantes de Urbano Tavares Rodrigues, em que um dos contos lhe é dedicado, dedicatória essa que é retirada em ulteriores reedições. Sei também - e devo-o a uma conferência de Eduardo Lourenço - que o encostar de Paço d'Arcos à extrema-direita do Regime assentou, em grande parte, num equívoco. Aliás, para além do célebre cosmopolitismo do Autor e do português enxuto é, por exemplo, o erotismo da sua escrita e das suas imagens o que mais o faz estranhar nessa tradição conservadora. Um pouco como Pedro Homem de Mello, embora num registo inverso.
Outros casos são Luís Forjaz Trigueiros - excelente contista -, Tomaz de Figueiredo - cujo vernaculismo é, para mim, um obstáculo como o são Aquilino Ribeiro e João de Araújo Correia -, o escritor católico Francisco Costa, bem como a romancista e ensaísta Esther de Lemos, ainda viva.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Passagens Canónicas, IV - O Conde d'Abranhos, de Eça de Queirós

"O ministério Cardoso Torres, ao fim da última sessão parlamentar, estava gasto. Esta expressão a que eu chamaria, se me não contivesse o respeito, a «gíria constitucional», refere-se a um fenómeno venerável e repetido, que eu nunca compreendi bem, apesar das explicações benévolas que me foram dadas por conservadores, republicanos e cépticos.
Há ministérios que se gastam. E todavia, esses ministérios, como os outros, administram o tesouro com honestidade, fazem o expediente das secretarias com suficiente regularidade, mantêm no país uma ordem benéfica, não oprimem nem a imprensa nem a consciência, são respeitosos para com o Chefe de Estado, acompanham com dignidade, ao Alto de S. João, todos os defuntos ilustres, falam nas Câmaras com honrosa correcção, são na vida privada cidadãos estimáveis, e no entanto – ao fim de alguns meses desta rotina honesta, pacata e higiénica – gastam-se.
Gastam-se porquê? Compreende-se que um ministério que luta com dificuldades, que se coloca ao través da opinião pública, se gaste, como ao través de um frágil estacado que uma corrente hostil incessantemente bate. Compreende-se ainda que um governo criado especialmente para resolver certas questões sociais ou políticas, se torne desnecessário, desde que as tenha resolvido, e fique como o zângão que fecundou a abelha e é daí em diante um inútil.
Mas quando se não dá nenhuma destas hipóteses, quando os ministros não foram trazidos do seio da sua família para resolver questões sociais, – ou porque as não haja, ou porque seja um princípio tacitamente estabelecido deixá-las sem resolução – quando, em lugar de se esforçarem contra a larga corrente da opinião, os ministros lhe bolam regaladamente no dorso, não compreendo como um ministério se possa gastar.
Um dia pedi respeitosamente ao Conde d'Abranhos a explicação da palavra e do fenómeno, e S. Exª, o que raras vezes sucedia, deu uma resposta vaga, tortuosa, reticente:
– É uma coisa que se sente no ar. É um não sei quê... Sente-se que a situação está gasta...
Não me permitiu o respeito que insistisse, mas, no fundo do meu entendimento, guardo um secreto terror por este fenómeno incompreensível!
O ministério Cardoso Torres estava portanto gasto. Calculava-se que ele pudesse talvez sobreviver durante grande parte da próxima sessão, mas, para o fim de Abril, devia desaparecer subitamente, como tinham desaparecido os Bexigosos e a corveta Saragoça!"

(Imagem retirada, com a devida vénia, da Colóquio/Letras, n.º 73 - Maio de 1983)

Lá vem o disparate, 2

Lá vem mais um 10 de Junho e lá vem mais um rol de condecorações pátrias. Nunca percebi porque é que tanto militar arrebanha condecoração, a maior parte dos casos apenas porque se chegou a oficial superior ou general. A tão falada banalização das agraciações mantém a incólume tradição de premiar banalidades. António Sala? Fernando Alves? Rosa Lobato Faria (atribuição póstuma a uma vulgaríssima escritora)? Eunice Muñoz, pela terceira vez? Uma pesquisa nas bases de dados da Chancelaria das Ordens Honoríficas Portuguesas permite ter noção do desvario.

Justíssima a atribuição, a título póstumo, a José Luís Saldanha Sanches da Ordem da Liberdade. Nunca tantos deveram tanto a tão poucos.

MP


Será que amanhã, em Aveiro, também haverá saudações romanas?

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Tom Jones - What's New Pussycat?



70 anos feitos hoje, grande Tom Jones!

Lá vem o disparate, 1


Porra!

Licença Graciosa

Pedro Sales certeiro, sobre as «férias de Estado» de Cavaco na Capadócia.

Ao mesmo tempo, o Ministro da Economia, Vieira da Silva, perdeu uma boa oportunidade de estar calado. Isto de um Ministro vir a correr tecer comentários ao que diz o Chefe de Estado chega a ser ridículo.

O problema não é os portugueses passarem férias no estrangeiro. Antigamente - "antigamente, sim", dizia a Agustina - ia-se de férias a Paris, a Londres, ver a Civilização. O problema é que os portugueses trocaram o Algarve da sua transumância por lugares chamados Punta Cana, Porto Galinhas e quejandos.

sábado, 5 de junho de 2010

Registos Centrais

Actualizado o post de desagravo a Chico Buarque, depois da ofensa do apedeuta.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Celeste Rodrigues - Meu Corpo, de Fernando Tordo e José Carlos Ary dos Santos



Eu ao colo da minha mãe e, na ponta, dois irmãos de Amália, Filipe Roberdão e Celeste Rodrigues.
(Na sequência do que escrevi aqui)

terça-feira, 1 de junho de 2010

Gaza


Revista de Blogues

Importantíssima análise de André Freire sobre o conteúdo da demagógica proposta de redução do número de Deputados à Assembleia da República. Os verdadeiros números e os verdadeiros alvos. Facta.

Análise certeira de Ana Gomes sobre Israel e o ataque à embarcação humanitária turca.

Nem há palavras para a atitude dos amiguinhos dos sionistas que polulam nos blogues portugueses de direita e extrema direita (do Blasfémias ao 31 da Armada).

Sião

Todos os dias Israel perde o respeito pela sua memória. Ignomínia. Vergonha. E: shame on you, amiguinhos portugueses dos sionistas.
Sobre a posição de Portugal nem é bom falar: "Trata-se de uma política de Estado: ser capacho de todos os regimes, sem qualquer excepção. De Caracas a Washington, de Pequim a Luanda, de Moscovo a Bruxelas, de Telavive a Rabat, o governo português mantém sempre a coerente posição de não ter posição sobre nada, esperando que a sua irrelevância seja premiada com umas migalhas. No caso da Europa, ficou quase sozinho, não acompanhando sequer a posição oficial da União".

Ferreira Gullar - Poema Sujo (1976)

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Ferreira Gullar (n. 1930) - Prémio Camões 2010



Traduzir-se


Uma parte de mim

é todo mundo:

outra parte é ninguém:

fundo sem fundo.


Uma parte de mim

é multidão:

outra parte estranheza

e solidão.


Uma parte de mim

pesa, pondera:

outra parte

delira.


Uma parte de mim

almoça e janta:

outra parte

se espanta.


Uma parte de mim

é permanente:

outra parte

se sabe de repente.


Uma parte de mim

é só vertigem:

outra parte,

linguagem.


Traduzir uma parte

na outra parte

— que é uma questão

de vida ou morte —

será arte?

Revista de Blogues

Excelente blogue, o de Maria do Rosário Pedreira. Chama-se Horas Extraordinárias - as horas que passamos a ler.

Acto de desagravo

O meu ídolo Chico Buarque teve de aturar «o faroleiro que contava vantagem», o apedeuta José Sócrates.



Casório

Está feito. Agora só espero que não me convidem para casamentos, independentemente da modalidade. Tenho sempre umas mentirolas guardadas para não ir.

Denis Hopper (1936-2010)

domingo, 30 de maio de 2010

sábado, 29 de maio de 2010

PR

Parece que a Direita beata se zangou com Cavaco e procura um candidato alternativo. Bagão Félix? Não acredito, até pela consideração que tem pelo algarvio. Uma outra Direita parece inclinar-se para Pedro Santana Lopes. Era bem feito, mas não acredito que o Vereador tenha hipóteses, agora que o mito da sua invencibilidade foi, finalmente, vencido.
À Esquerda, as coisas vão de mal a pior. Algo similar e não menos maquiavélico transparece dos pronunciamentos de Mário Soares. Fernando Nobre não tem condições de partida. Manuel Alegre tem dito alguma coisa nos últimos tempos? Não tenho reparado.
Estamos bonitos!
O Blasfémias acerta em cheio quanto ao Bagão.

(bandeira do Presidente da República, com as armas nacionais sob um rectângulo verde)

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Grandes Actrizes Portuguesas IV - Cecília Guimarães

Uma grande actriz portuguesa, infelizmente pouco recordada, condenados que somos a só reconhecer «Eunice & Ruy». Privei com Dona Cecília Guimarães quando participei na peça As Suplicantes (Companhia de Teatro de Almada, 1990-1991) em que ela brilhava. Como não lembrar a sua Juliana - que obteve um prémio de representação - em O Primo Basílio (1959) de António Lopes Ribeiro?



P.S.: Há demasiados filmes invisíveis em Portugal. O acima referido é um deles. Mesmo alguns que ainda existiram em VHS nunca foram transpostos para o DVD e o Blu-Ray. Há Oliveiras a que não temos acesso (o fabuloso Benilde ou a Virgem-Mãe, com os fabulosos Glória de Mattos e Varela Silva); mas também se tornaram invisíveis a generalidade dos filmes de António de Macedo, Manuel Guimarães (à excepção de O Crime da Aldeia Velha), Alberto Seixas Santos, Ernesto de Sousa, mesmo Paulo Rocha, Eduardo Geada, Alfredo Tropa. Nem a filmes tão importantes como Sem Sombra de Pecado de José Fonseca e Costa e A Estrangeira de João Mário Grillo temos acesso. Ironia: diz-se mal do cinema português quando a generalidade dos filmes portugueses não são vistos por ninguém! Voltarei a este assunto.

Centenário da República, II


Lisboa, esquina da Praça do Comércio (Terreiro do Paço) com a Rua do Arsenal

Centenário da República, I

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Grandes Actores Portugueses I - Varela Silva


Amália sempre

Amália, para além da consolidação do cânone fadista, foi responsável por fixar interpretações canónicas no âmbito do folclore português e pela fixação definitiva de interpretações das marchas de lisboa.
No primeiro caso, podemos dizer que há Amália e há as outras e que se deixam resumir em Maria Teresa de Noronha, Lucília do Carmo, Hermínia Silva, Beatriz da Conceição e Argentina Santos. Sem elas, não haveria Mariza, Aldina Duarte, Ana Moura, Carminho ou Raquel Tavares.
No segundo caso, há as interpretações enxutas da tradição folclórica nacional, acompanhadas das excelentes orquestrações de Joaquim Luís Gomes na sequência dos famosos concertos no Lincoln Center de Nova Iorque e no Hollywood Bowl de Los Angeles, sob a direcção de André Kostelanetz. Interpretações contidas, sem sotaques regionais, sem sombra de rancho folclórico, sem mácula. As posteriores séries de folclore acompanhado à guitarra e à viola não resultariam tão bem.
No terceiro caso, estamos em presença de interpretações definitivas na exacta medida em que depois de Amália o ter feito ninguém mais o deve fazer. Não morro de amores por marchas populares de Lisboa e por tudo o que lhe está associado, mas as versões de Amália são sublimes e estão para este género como José Afonso está para o fado de Coimbra: não mexam mais que só pode ficar pior!



O LP Marchas de Lisboa, de 1969 (33 RPM, Columbia, PMX5014, Stereo) - editado na sequência de anteriores EP's - tem, na capa, o meu tio Celestino Silva ao lado da Amália. O meu tio Celestino - tio por afinidade - é irmão do saudoso Varela Silva, cunhado de Amália pelo casamento com Celeste Rodrigues. Começou, tal como ele, na Guilherme Cossoul e é, actualmente, actor na Companhia de Teatro de Almada.

P.S.: Esta raridade já cá canta - estava num leilão na Net.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Dilema I

Onde vota quem não faz nenhuma tenção de votar em Cavaco Silva?

P.S.: Sampaio também avançou sem autorização do partido!

Registos Centrais

Actualizado o post sobre Escola Primária - 1.ª e 2.ª classes.

terça-feira, 25 de maio de 2010

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Passagens Canónicas, III - Livro dos Actos dos Apóstolos

"Quando chegou o dia de Pentecostes, os Apóstolos estavam todos reunidos no mesmo lugar. Subitamente, fez-se ouvir, vindo do Céu, um rumor semelhante a forte rajada de vento, que encheu toda a casa onde se encontravam. Viram então aparecer uma espécie de línguas de fogo, que se iam dividindo, e poisou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que se exprimissem. Residiam em Jerusalém judeus piedosos, procedentes de todas as nações que há debaixo do céu. Ao ouvir aquele ruído, a multidão reuniu-se e ficou muito admirada, pois cada qual os ouvia falar na sua própria língua. Atónitos e maravilhados, diziam: «Não são todos galileus os que estão a falar? Então, como é que os ouve cada um de nós falar na sua própria língua? Partos, medos, elamitas, habitantes da Mesopotâmia, da Judeia e da Capadócia, do Ponto e da Ásia, da Frígia e da Panfília, do Egipto e das regiões da Líbia, vizinha de Cirene, colonos de Roma, tanto judeus como prosélitos, cretenses e árabes, ouvimo-los proclamar nas nossas línguas as maravilhas de Deus»."
Actos, 2 , 1-11
(ontem foi Domingo de Pentecostes)

Registos Centrais - A Fazenda

O post sobre a trapalhada das novas tabelas de retenção na fonte de IRS foi actualizado.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Registos Centrais

Colocada uma nova foto de Catherine Deneuve em Divas VI.
A propósito. A Deneuve, tal como 'Jimmy' Stewart, era uma querida e tinha um ar doce. Jacques Demy captou-o, designadamente em Les Parapluies de Cherbourg e em Les Demoiselles de Rochefort. Com os anos tornou-se não apenas distante e gélida - epítetos consagrados na sua legenda - mas pura e simplesmente antipática.

A Fazenda


O Ministro de Estado e das Finanças acaba de aprovar as novas tabelas de retenção na fonte de IRS, expediente encontrado para proceder ao aumento da tributação em sede desse imposto antes da aprovação na Assembleia da República da lei que decrete o agravamento fiscal. O que é interessante é que o despacho que foi aprovado ontem foi, hoje, publicado, em suplemento ao Diário da República de ontem e entra em vigor hoje.
Já estive a ver que, no meu intervalo de remuneração, subo um ponto e meio de retenção.
Porra!

P.S.: Afinal só se aplica aos vencimentos a partir de Junho, de acordo com a alteração publicada aqui.

Os feriados

Uma proposta das Deputadas Rosário Carneiro e Teresa Venda e um abaixo-assinado subscrito por Medina Carreira visam limitar os feriados nacionais, com a extinção de quatro deles (5 de Outubro, 1.º de Dezembro, Corpo de Deus e Todos-os-Santos), a passagem a feriado móvel de outros, a fim de impedir as famosas «pontes» (Carnaval, 25 de Abril, 1.º de Maio, 10 de Junho, Assunção e Imaculada Conceição), os quais seriam encostados ao fim de semana.
Não se percebe como é que o Carnaval - que não é feriado nacional - poderá ser «móvel». Por outro lado, faz-me um bocadinho de impressão tornar «móveis» o 25 de Abril e o 1.º de Maio (este, um feriado «internacional»), bem como a extinção dos dias da Implantação da República e da Restauração da Independência.
Penso que uma solução viável seria:
- A suspensão por um período conveniente (e não a extinção) dos feriados nacionais do 5 de Outubro e do 1.º de Dezembro;
- A extinção dos feriados nacionais do Corpo de Deus (Festa móvel), da Assunção (15 de Agosto) e do dia de Todos-os-Santos. Uma possível extinção do feriado da Imaculada Conceição esbarra, provavelmente, com o facto de esta ser a «Padroeira de Portugal». As romagens aos cemitérios que se fazem no dia 1 de Novembro, a propósito do dia 2 (Fiéis Defuntos) podem ser feitas em qualquer outra altura;
- A forte limitação à concessão de tolerâncias de ponto;
- Converter o Dia de Portugal em feriado móvel.

Não sei é se a extinção de feriados religiosos não desencadeará outra Maria da Fonte!

Astor Piazzolla - Libertango

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Divas VII



Dizem que os olhos da Taylor são violeta - o meu daltonismo não me permite apreciar essa diferença. Hélas!

Aviso

Ainda não percebi o que é que o Governo está à espera para propôr ao Parlamento uma lei que impeça as progressões nas carreiras da função pública nos próximos anos ou, como nas experiências de 2005 e 2006, «a não contagem de tempo de serviço». A não acontecer, a execução orçamental será desastrosa.
A não admissão de pessoal não resolve o que quer que seja. As aposentações não desoneram o Tesouro, apenas transferem responsabilidades dos serviços para a Caixa Geral de Aposentações. E essas mesmas aposentações - que crescem vertiginosamente - acabarão por paralisar os serviços. O que nalgumas casos até não será mau!

P.S.: O Comunicado do Conselho de Ministros de hoje não faz qualquer menção a progressões na carreira, mas apenas a recrutamento.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Israel no seu labirinto

Ao impedir a entrada no país a Noam Chomsky, Israel perdeu completamente o respeito por si próprio.

Feira do Livro

A Feira do Livro de Lisboa é, cada vez mais, um cadáver adiado. Contribui para isso o desaparecimento de alguns editores, o estado moribundo de alguns - Livros do Brasil, Europa-América - e a concentração que, em vez de somar, comprime. A Leya é menor do que a soma das partes. A babel é muito menor do que a soma das partes.
É um facto que há algumas editoras novas e algumas com grande actividade editorial. O que é certo é que a existência das Fnac, a multiplicação de feiras e mercados do livro e de iniciativas semelhantes ao longo de todo o ano, bem como a possibilidade de comprar livros na Internet, retira muita da razão de ser de uma grande Feira do Livro.
Desforrei-me nos alfabarrabistas. É sempre bom encontrar aquele livro e falar com pessoas que amam os livros e sabem de livros.
*
Um fenómeno interessante dos últimos tempos é a ressurreição de velhas editoras e chancelas, Assim de fugida, lembro-me da Portugália, da Arcádia, grandes casas editoras do passado, bem como da Parceria A. M. Pereira. Se somarmos a  isso o renovamento da Guimarães, da Ática, da Verbo, da Ulisseia, da Sá da Costa estaremos em presença de uma feliz reconfiguração do panorama editorial português ou tratar-se-á de mera dispersão? Serão reeditados os respectivos fundos?
Era bom que alguém ressuscitasse a Moraes!

terça-feira, 18 de maio de 2010

Chico


O número especial da revista franco-brasileira Brazuka dedicado ao meu ídolo Chico Buarque pode ser descarregado gratuitamente aqui

Os pequenos estadistas

De Jugular:

"discurso patético - patético o ar enojado, patética e enojante a vitimização. já sabíamos que lhe custa muito perceber como funciona a democracia e que ser presidente tem regras, mas é sempre bom que o torne claro. [...] é: esta coisa chata, chatérrima, chama-se democracia, sr presidente."


A propósito: Cavaco era assim tão cioso de grandes consensos nacionais quando legislava e executava do alto das suas maiorias absolutas?

segunda-feira, 17 de maio de 2010

domingo, 16 de maio de 2010

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Regresso a Roma e o que adiante se verá

Balanço muito positivo da visita do Papa. À parte um ou dois recados, nem sombra de ultramontanismo e de integrismo.
Negativo: o tom acrítico da totalidade da imprensa e o seu tom festivo e celebratório. É necessário os jornalistas dizerem «o Santo Padre» e «Sua Santidade»? Também negativo, o modo como os críticos do Papa e da Igreja foram remetidos à condição de párias da Pátria. Igualmente negativo, a perseguição de Cavaco ao Bispo de Roma. Pelos vistos, o Trono preciso mais do Altar do que o contrário.

Nas próximas visitas a Chipre - em que os católicos romanos estão em esmagadora minoria - e, sobretudo, no Reino Unido - é que elas vão doer. Aguardemos.

P.S.: Na Grã-Bretanha - em que a comunidade católica romana é minoritária mas forte e expressiva - será interessante assistir às consequências dos casos de pedofilia, de que o caso Dawkins é um epifenómeno significativo, e aos efeitos reais da Anglicanorum Coetibus nas relações entre a Igreja Católica e a Igreja de Inglaterra e com a Comunhão Anglicana em geral.

Saldanha Sanches (1944-2010)





Entrevista na Pública, aqui (com a devida vénia ao Caminhos da Memória)

quarta-feira, 12 de maio de 2010

O Papa em Portugal



Bispo de Roma, Vigário de Jesus Cristo, Sucessor do Príncipe dos Apóstolos, Sumo Pontífice da Igreja Universal, [Patriarca do Ocidente], Primaz da Itália, Arcebispo Metropolita da Província Romana, Soberano do Estado da Cidade do Vaticano, Servo dos Servos de Deus

*
Bons discursos de Bento XVI: a vocação histórica de Portugal no encontro de culturas e a natureza verdadeiramente "patriarcal" da Igreja portuguesa (fundadora de Igrejas locais pelo mundo e pelas terras de Missão); o valores da cultura e da civilização; o ecumenismo e o diálogo inter-religioso; a renovação da Igreja e a expiação dos seus pecados internos.
Tirando alguns pronunciamentos em blogues e, sobretudo, em comentários em blogues, não há sinais de ultramontanismo. Ainda bem.