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Uma das piores coisas que uma editora pode fazer é abandonar a imagem de marca que a tornou única. Mesmo que habitualmente as achemos toscas, pouco sofisticadas, as capas dos livros da Livros do Brasil tinham um charme retro, demodée - o cartão, as cores por vezes demasiado garridas, as «orelhas»,mais atrás os cadernos ainda por abrir, o tamanho, as ilustrações de grandes nomes da arte portuguesa, aquele aviso "proibida a venda na República Federativa dos Estados Unidos do Brasil" (sic), o tipo, o papel, os autores, as grandes - e as péssimas! - traduções. A colecção «Dois Mundos», a «Livros do Brasil», mesmo a «Autores de Sempre» tinham esse charme. Mesmo as sucessivas modificações gráficas nunca alteraram a fundo a ideia que presidia a essas colecções e ao modo de as editar. A editora renovou totalmente as colecções e deitou tudo a perder. Mas nada disso se compara ao crime perpetrado à velha colecção «Vampiro» ou à «Argonauta», aumentando o tamanho dos livros, descaracterizando-os por completo, "melhorando-os", retirando-lhes a fragilidade que era a marca distintiva da sua "personalidade".
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