"Para ensinar há uma formalidadezinha a cumprir - saber"
Eça de Queirós, Notas Contemporâneas
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Os Poemas, III
Acabou nosso carnaval
Ninguém ouve cantar canções
Ninguém passa mais brincando feliz
E nos corações
Saudades e cinzas foi o que restou
Pelas ruas o que se vê
É uma gente que nem se vê
Que nem se sorri
Se beija e se abraça
E sai caminhando
Dançando e cantando cantigas de amor
E no entanto é preciso cantar
Mais que nunca é preciso cantar
É preciso cantar e alegrar a cidade
A tristeza que a gente tem
Qualquer dia vai se acabar
Todos vão sorrir
Voltou a esperança
É o povo que dança
Contente da vida, feliz a cantar
Porque são tantas coisas azuis
E há tão grandes promessas de luz
Tanto amor para amar de que a gente nem sabe
Quem me dera viver pra ver
E brincar outros carnavais
Com a beleza dos velhos carnavais
Que marchas tão lindas
E o povo cantando seu canto de paz
Seu canto de paz
Vinicius de Moraes, Marcha da Quarta-Feira de Cinzas
[Infelizmente não existe na Rede nenhuma versão de qualidade]
Ninguém ouve cantar canções
Ninguém passa mais brincando feliz
E nos corações
Saudades e cinzas foi o que restou
Pelas ruas o que se vê
É uma gente que nem se vê
Que nem se sorri
Se beija e se abraça
E sai caminhando
Dançando e cantando cantigas de amor
E no entanto é preciso cantar
Mais que nunca é preciso cantar
É preciso cantar e alegrar a cidade
A tristeza que a gente tem
Qualquer dia vai se acabar
Todos vão sorrir
Voltou a esperança
É o povo que dança
Contente da vida, feliz a cantar
Porque são tantas coisas azuis
E há tão grandes promessas de luz
Tanto amor para amar de que a gente nem sabe
Quem me dera viver pra ver
E brincar outros carnavais
Com a beleza dos velhos carnavais
Que marchas tão lindas
E o povo cantando seu canto de paz
Seu canto de paz
Vinicius de Moraes, Marcha da Quarta-Feira de Cinzas
[Infelizmente não existe na Rede nenhuma versão de qualidade]
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
O pós-socratismo
Agora que o pós-cavaquismo está definido, quem será o rosto do pós-socratismo?
- António Costa?
- António José Seguro?
Talvez apostasse no segundo - até para permitir o paralelismo rotativista com Pedro Passos Coelho. Na última legislatura, o prestígio que lhe adveio das alterações que protagonizou quanto ao próprio funcionamento do Parlamento permitu-lhe ultrapassar o «Tó Zé».
Agora que Alegre ou será Presidente ou não será nada - será sempre um grande poeta -, tudo o mais é a violência do passado (Gama, João Soares), o bloco central de interesses (Vitorino) ou a irrelevância (Sérgio Sousa Pinto).
Que dirá o Velho?
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
O bloqueio das forças
Alguém ainda se lembra das «forças de bloqueio» (do Presidente da República ao Tribunal de Contas)? Do «deixem-nos governar»? De quando a «qualidade da Democracia» não era tão invocada a torto e a direito? Tudo isto num contexto em que não havia televisões privadas, Internet e mesmo as rádios livres começavam a dar os primeiros passos? Alguém se lembra de um Ministro Adjunto que ditava a grelha do Telejornal? Francisco José Viegas lembra-o, e bem!
Suma summarum: é indiscutível que também este Governo lida muito mal com a liberdade de informação. Mas qual não lidou: Soares (aqueles telejornais... o Velho ele-próprio já o reconheceu)? Barroso e Santana (lembram-se de Marcelo?)? Deixem-me rir.
A histeria
Tem toda a razão Constança Cunha e Sá: «se a liberdade de expressão está, de facto, em causa, não se percebe porque é que a Oposição, nomeadamente, o PSD do dr. Rangel, não tira daí as devidas consequências e apresenta uma moção de censura na Assembleia da República. Ou, melhor, percebe-se: porque a Oposição sabe que, por pior que seja o eng. Sócrates, não existe qualquer alternativa ao seu famigerado Governo. Daí que apelar ao Presidente da República para que demita o primeiro-ministro, na situação em que o País se encontra, seja um exercício fútil que dificilmente pode ser levado a sério. Ou seja mais um sinal da histeria que por aí abunda».
E se como diz Miguel Serras Pereira o que estamos a assistir é «ao branqueamento antecipado de um próximo governo “de verdade”, e das suas previsíveis tentativas de berlusconização do regime por via presidencial ou “mista” (coligação da Presidência e forças político-partidárias eventualmente recombinadas), e de “limitação económica” agravada dos direitos sociais e liberdades», há todas as razões do mundo para não fazermos dos inimigos dos nossos inimigos nossos amigos.
E se como diz Miguel Serras Pereira o que estamos a assistir é «ao branqueamento antecipado de um próximo governo “de verdade”, e das suas previsíveis tentativas de berlusconização do regime por via presidencial ou “mista” (coligação da Presidência e forças político-partidárias eventualmente recombinadas), e de “limitação económica” agravada dos direitos sociais e liberdades», há todas as razões do mundo para não fazermos dos inimigos dos nossos inimigos nossos amigos.
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Automatonofobia



Descobri o conceito de uma fobia de que parece que sofro: automatonofobia! O problema é que o conteúdo empírico do conceito aponta para coisas de que não tenho, em princípio, medo: estátuas de cera - só tenho medo das de pedra -, bonecos, palhaços...
A propósito. Há três sítios de horror. Dois em Roma: um é o museu-atelier Canova Tadolini, na Via del Babuino - onde me aventurei um dia, sozinho, sabe-se lá porquê, e de repente me vi rodeado de estátuas por tudo o que é sítio; o outro, é o cruzamento da Piazza delle Quattro Fontane, onde uma noite, também sozinho, apanhei um grande susto. Um outro, em Lisboa, a «Casa das Estátuas», acho que perto de Santa Engrácia e que nunca vi, graças a Deus, a não ser numa reportagem do Expresso.
A propósito. Há três sítios de horror. Dois em Roma: um é o museu-atelier Canova Tadolini, na Via del Babuino - onde me aventurei um dia, sozinho, sabe-se lá porquê, e de repente me vi rodeado de estátuas por tudo o que é sítio; o outro, é o cruzamento da Piazza delle Quattro Fontane, onde uma noite, também sozinho, apanhei um grande susto. Um outro, em Lisboa, a «Casa das Estátuas», acho que perto de Santa Engrácia e que nunca vi, graças a Deus, a não ser numa reportagem do Expresso.
Euskadi

Diz-me um amigo basco:
«Supongo que despues de esto, la prensa y los partidos politicos españoles intentaran influiir y presionar a Portugal y su opinion publica en contra de ETA y del nacionalismo vasco (cosas muy diferentes). Estas noticias, a mi no me gustan, porque cuando voy a Portugal, intento y lo logro, escapar y olvidar de la presión y ambiente muy cargado que vivimos en el Pais Vasco...Y temo que ahora esto cambie.»
«Supongo que despues de esto, la prensa y los partidos politicos españoles intentaran influiir y presionar a Portugal y su opinion publica en contra de ETA y del nacionalismo vasco (cosas muy diferentes). Estas noticias, a mi no me gustan, porque cuando voy a Portugal, intento y lo logro, escapar y olvidar de la presión y ambiente muy cargado que vivimos en el Pais Vasco...Y temo que ahora esto cambie.»
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Memórias do JI
O jardim-de-infância onde eu andei foi notícia numa publicação da Câmara Municipal de Almada. Parece que alguém fez uma tese sobre a experiência de fundação de um creche e jardim-de-infância, antes do 25 de Abril, por funcionárias autárquicas. Tem fotos e tudo. Sou fácil de identificar: sou o único que aparece em todas.
domingo, 7 de fevereiro de 2010
Acordo ortográfico
Um dos melhores contra-exemplos às virtualidades do acordo ortográfico é lapidarmente exibido por Ana Cristina Leonardo:«Aliás, não sei como as luminárias que tiraram o "p" a EGIPTO, suponho que com base no extraordinário argumento que não se pronuncia, resolvem a questão da palavra EGÍPCIO — será que nos vão obrigar a ler "EGÍTIO"?!
Os Poemas, II
INSCRIÇÃO
Eu vi a luz em um país perdido.
A minha alma é lânguida e inerme.
Oh! Quem pudesse deslizar sem ruído!
No chão sumir-se, como faz um verme...
Camilo Pessanha, Clepsidra
Eu vi a luz em um país perdido.
A minha alma é lânguida e inerme.
Oh! Quem pudesse deslizar sem ruído!
No chão sumir-se, como faz um verme...
Camilo Pessanha, Clepsidra
sábado, 6 de fevereiro de 2010
Casa de Fados
Magistral!
Trata-de de uma das cenas finais de Fados de Carlos Saura.
De entre os mais actuais e mais conhecidos, alçados, com toda a justiça, ao mainstream - Ricardo Ribeiro, Pedro Moutinho, Ana Sofia Varela, Carminho - a grande Maria da Nazaré. Os fadistas das "casas de fado" tendem a ser esquecidos. Aqui fica.
De entre os mais actuais e mais conhecidos, alçados, com toda a justiça, ao mainstream - Ricardo Ribeiro, Pedro Moutinho, Ana Sofia Varela, Carminho - a grande Maria da Nazaré. Os fadistas das "casas de fado" tendem a ser esquecidos. Aqui fica.
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Conselho de Estado
A composição do Conselho de Estado não tem pés nem cabeça: não estão lá, por exemplo, nem o Procurador-Geral da República nem o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça. Não estão presentes os líderes dos restantes partidos com assento parlamentar (pelo menos o CDS, o PCP e o BE). Cavaco não teve a grandeza de, ao contrário do que fez Sampaio, nomear os líderes dos restantes partidos. De que interessa ser aconselhado por "amigos"? Para isso, pode ter conversas pessoais e informais e tem os "conselheiros" que não são "de Estado".
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
The Girl from Ipanema, de Tom Jobim
Nunca gostei de Astrud Gilberto, da sua vózita infantil, da sua desafinação, do seu timbre desagradável, dos disparates que sempre disse e fez e das horríveis coisas que cantou dos anos setenta em diante. Mas há Stan Getz, Tom Jobim e há a memória presente/ausente de João Gilberto. De Astrud bem se pode dizer com propriedade: em terra de cegos... (de «gringo», como eles dizem).
Aliás, as mulheres de João Gilberto tinham vozinhas pequenas - mas Miúcha é mais afinada, tem uma voz menos "suja", embora tenha um timbre meloso irritante. E, claro, sempre é irmã de Chico Buarque e mãe de Bebel, a melhor das três mulheres Gilberto.
Aqui fica a versão em Inglês, com o poema de Vinicius completamente assassinado.
De lembrar que The Girl from Ipanema ganhou o Grammy em 1965.
Etiquetas:
Bossa Nova,
Grandes Canções,
Grandes Músicos
Manuel Serra (1931-2010)

A propósito da morte de Manuel Serra - nunca tantos deveram tanto a tão poucos. Há quantos anos eu não via este cartaz!
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
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