sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

União Nacional


O pior que pode acontecer a Portugal é instalar-se uma atmosfera de «união nacional», de um falso unanimismo em torno de uma suposta necessidade de «salvação nacional». Nada pior do que os apelos que vão surgindo de nos colocarmos «acima da política», «dos partidos» e pensarmos «sobretudo em Portugal». Estas tentativas de solução de momentos de profunda crise nacional nunca deram bom resultado, numa tentativa de diluir artificialmente a conflitualidade própria de uma sociedade democrática. Aquilo de que Portugal precisa é de projectos plurais, contraditórios, por vezes antagónicos e que correspondam uma efectividade pluralidade de vozes e de opções quanto aos caminhos para o nosso futuro colectivo.
Tudo o mais cheira a ranço.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Amália - Estranha Forma de Vida, de Alfredo Marceneiro e Amália Rodrigues

Livros do Brasil



Uma das piores coisas que uma editora pode fazer é abandonar a imagem de marca que a tornou única. Mesmo que habitualmente as achemos toscas, pouco sofisticadas, as capas dos livros da Livros do Brasil tinham um charme retro, demodée - o cartão, as cores por vezes demasiado garridas, as «orelhas»,mais atrás os cadernos ainda por abrir, o tamanho, as ilustrações de grandes nomes da arte portuguesa, aquele aviso "proibida a venda na República Federativa dos Estados Unidos do Brasil" (sic), o tipo, o papel, os autores, as grandes - e as péssimas! - traduções. A colecção «Dois Mundos», a «Livros do Brasil», mesmo a «Autores de Sempre» tinham esse charme. Mesmo as sucessivas modificações gráficas nunca alteraram a fundo a ideia que presidia a essas colecções e ao modo de as editar. A editora renovou totalmente as colecções e deitou tudo a perder. Mas nada disso se compara ao crime perpetrado à velha colecção «Vampiro» ou à «Argonauta», aumentando o tamanho dos livros, descaracterizando-os por completo, "melhorando-os", retirando-lhes a fragilidade que era a marca distintiva da sua "personalidade".


Rita Hayworth, Glen Ford - Gilda, de Charles Vidor (1946), USA, Columbia Pictures

Rita Hayworth - Put The Blame On Mame

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Chico Buarque e Roberto Carlos - O que será (À flor da pele)

Um improvável encontro?

Off-shores

A bem da equidade. Ninguém fala da Zona Franca da Ilha de Santa Maria nos Açores. Pelo menos não tem consagração no estatuto político-administrativo da Região...

Off-shores

Já que tanto se falou do Estatuto Político-Administrativo dos Açores - e estando o Presidente da República cheio de razão, seja quanto à limitação dos seus poderes, seja sobretudo quanto aos da Assembleia da República -, pouco se tem dito acerca da consagração no Estatuto da Madeira da sua Zona Franca, integrada no «Centro Internacional de Negócios» (artigo 146º, com honras de "Capítulo VI" do diploma). Para além de ser bizarro prever tal coisa em sede de uma lei reforçada como é um estatuto político-administrativo de uma região autónoma, sabemos a dificuldade que será alterá-la. O Estatuto da Madeira ainda não se adaptou, por exemplo, às alterações da última revisão constitucional em matéria de lei eleitoral. Sabendo nós que cabe à assembleia legislativa da região autónoma da Madeira «Exercer, por direito próprio e exclusivo, o poder de elaborar, modificar e retirar, projectos ou propostas de alteração do Estatuto Político-Administrativo da Região, bem como emitir parecer sobre a respectiva rejeição ou introdução de alterações pela Assembleia da República...», está-se mesmo a ver quando é que a Zona Franca da Madeira será extinta.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

What happened? (I)

O que é que aconteceu a Gabriela Schaaf?

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Mercedes Sosa - Gracias a La Vida (Violeta Parra)

JL - Jornal de Letras, Artes e Ideias


«Antigamente, antigamente sim», como diria Agustina. Há muito que deixei de ser leitor assíduo do JL. A partida de muitos colaboradores, a ausência de dossiers significativos - que saudades dos cadernos especiais sobre o Romance Policial, Kafka ou Orwell!- um certo anquilosamento e a falta daquela frescura dos primeiros tempos ou da direcção de António Mega Ferreira, levaram a que a maior parte das vezes não me apetecesse ler o JL. Por vezes um certo tom de "lusofonia" festiva e os encartes do Instituto Camões são insuportáveis. Agora que chegou ao nº 1000, a melhor forma de o comemorar seria a digitalização completa e colocação em linha de toda a colecção. Malgré tout, pelo JL passaram os maiores nomes da cultura de língua portuguesa destes últimos anos. Parabéns|

Maysa - O Barquinho

myZONcard

Agora que a Autoridade da Concorrência, após denúncia de Paulo Branco, suspendeu a campanha promocional myZONcard (oferta de bilhetes), a Lusomundo, pela exibição do dito cartão, oferece dois bilhetes pelo preço de um ou - pasme-se! - "1 bilhete + pipocas (peq.) + bebida (peq.)". Para usufruir da promoção de dois bilhetes pelo preço de um tem de se exibir o bilhete de identidade tanto na bilheteira como na entrada para o cinema. A Lusomundo receia que o espectador portador do cartão vá vender os bilhetes ao espectador não portador de cartão? Mas está tudo doido? E não se pode exterminá-los?

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

John Updike (1932-2007)


Tinha acabado de ler um artigo de John Updike sobre Marte na edição portuguesa de Janeiro da National Geographic quando as televisões anunciaram a sua morte.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Caetano Veloso - Chega de Saudade

Com a devida vénia a João Gilberto

Defesa do Consumidor I

A Zon-Lusomundo tem um inenarrável serviço de venda on-line de bilhetes de cinema. Ao contrário do que se passa com todas as compras na Net, em que os preços são mais baratos, a distribuidora/exibidora cobra, à cabeça, 0,25€ como "taxa de serviço". Mas que "serviço"? Não se trata de um serviço de "reserva" já que o consumidor compra efectivamente o bilhete na hora.
Mas há mais. O documento impresso pelo comprador (devia ser este a cobrar "taxa de serviço") não vale como bilhete como acontece com muitas empresas, por exemplo de transporte. O pobre espectador ainda tem de ir para a fila da bilheteira, trocar o impresso pelo bilhete definitivo. O que ganhou com a compra na Net? Eventualmente, garantir o bilhete, mas as salas raramente esgotam.
Nada disto nos devia espantar. Lembro-me de uma vez na Lusomundo Amoreiras o filme - Vinicius, de Miguel Faria, Jr. - ter começado antes da hora, para espanto dos espectadores, numa daquelas salas "Vip" que de Vip nada tem a não ser os bilhetes mais caros.
Claro que nada disto nos devia espantar - abusando da sua posição dominante, quer no Cabo, quer nas salas de cinema, a Lusomundo tudo pode. E nós deixamos!

sábado, 24 de janeiro de 2009

Ditosa Pátria I

Uma das indignidades de que foram alvo os funcionários públicos - perdão, «Trabalhadores Que Exercem Funções Públicos», na newspeak socratista - foi o Certificado de Incapacidade Temporária, nova designação para o célebre Atestado Médico. Eu sei que havia abusos - continuarão! -, mas o novo regime instituído pelo Decreto-Lei nº 181/2007, de 9 de Maio transformou num Inferno a justificação de faltas por doença na Administração Pública. Ponha-se no lugar de um desgraçado, doente, que foi ao seu médico que, por acaso, não tem acordo com a ADSE. Ou vai ao hospital, centro de saúde ou coisa do género - e sabemos a maçada que é, para além de os entupirmos inutilmente. Vai mendigar o atestado submetendo-se, provavelmente, a novo exame médico, ou tem de ir a um médico convencionado com a ADSE, onde e quando puder ser.
Raramente se fala disto; a Ordem dos Médicos não fala disto. Afinal um médico não pode «atestar», embora o Estado lhe reconheça competência para «atestar» - com excepção das doenças dos seus pobres funcionários e agentes.
Ah, é verdade! O pobre doente ainda tem de ir munido do certificado, descarregado do sítio da Direcção-Geral de Protecção Social aos Funcionários e Agentes da Administração Pública (ADSE)!

São Paulo

Assisti hoje a uma magnífica conferência de José Tolentino de Mendonça sobre São Paulo. Antecipando a Festa da Conversão de S. Paulo (25 de Janeiro) aqui fica a extraordinária Carta a Filémon, na tradução dos Capuchinhos:
«Apresentação e saudação - 1Paulo, prisioneiro por causa de Cristo Jesus, e o irmão Timóteo, a Filémon, nosso querido colaborador, 2à irmã Ápia, a Arquipo, nosso companheiro de luta, e à igreja que se reúne em tua casa: 3a vós, graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo!

Acção de graças - 4Dou graças ao meu Deus, lembrando-me sempre de ti nas minhas orações, 5por ouvir falar do teu amor e da tua fé: fé no Senhor Jesus e amor para com todos os santos. 6Que a tua comunhão de fé se torne eficaz, no reconhecimento de tudo aquilo que entre nós é considerado bom em relação a Cristo.
7De facto, foi grande a alegria e a consolação que tive com o teu amor, porque os corações dos santos foram reconfortados por meio de ti, irmão.

Pedido a respeito de Onésimo - 8Por isso, embora tenha toda a autoridade em Cristo para te impor o que mais convém, 9levado pelo amor, prefiro pedir como aquele que sou: Paulo, um ancião e, agora, até prisioneiro por causa de Cristo Jesus.
10Peço-te pelo meu filho, que gerei na prisão: Onésimo, 11que outrora te era inútil, mas agora é, para ti e para mim, bem útil. 12É ele que eu te envio: ele, isto é, o meu próprio coração.
13Eu bem desejava mantê-lo junto de mim, para, em vez de ti, se colocar ao meu serviço nas prisões que sofro por causa do evangelho. 14Porém, nada quero fazer sem o teu consentimento, para que o bem que fazes não seja por obrigação, mas de livre vontade.
15É que, afinal, talvez tenha sido por isto que ele foi afastado por breve tempo: para que o recebas para sempre, 16não já como escravo, mas muito mais do que um escravo: como irmão querido; isto especialmente para mim, quanto mais para ti, que com ele estás relacionado tanto humanamente como no Senhor.
17Se, pois, me consideras em comunhão contigo, recebe-o como a mim próprio. 18E se ele te causou algum prejuízo ou alguma coisa te deve, põe isso na minha conta. 19Sou eu, Paulo, que o escrevo pela minha própria mão: serei eu a pagar. Isto, para não te dizer que me deves a tua própria pessoa.
20Sim, irmão, possa eu sentir-me satisfeito contigo no Senhor: reconforta o meu coração em Cristo. 21Escrevo-te porque confio na tua obediência: sei que até farás mais do que aquilo que digo. 22Mas, ao mesmo tempo, prepara também alojamento para mim, pois espero, graças às vossas orações, poder brevemente ser entregue a vós.

Saudações e bênção - 23Saúdam-te Epafras, meu companheiro de prisão em Cristo Jesus, 24assim como Marcos, Aristarco, Demas e Lucas, meus colaboradores.
25A graça do Senhor Jesus Cristo esteja convosco.»

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Escola Primária - 1.ª e 2.ª classes



Graças ao Santa Nostalgia, consegui rever os meus livros da primeira e segunda classes do ensino primário elementar, feitas em 1974-1975 e 1975-1976, mas com livros do tempo da «velha senhora» (ou do Velho Senhor). O mais espantoso é que só agora descobri que as ilustrações são de Maria Keil. Os livros das 3ª e 4ª classes já eram dos Novos Tempos. Mas nunca mais consegui vê-los...
A Secretaria-Geral do Ministério da Educação possui um Museu Virtual da Educação - que será feito do espólio do nado-morto Instituto Histórico da Educação? - onde pelo menos o manual da 2ª classe pode ser consultado.

Mais páginas aqui, aqui e aqui. Obrigado ao Santa Nostalgia. Quem me dera ter um PDF destes dois livros! Vou-me habilitar...

domingo, 18 de janeiro de 2009

Ricardo Montalbán (1920-2009)


Lembro-me vagamente dos seus filmes com Esther Williams ou Cyd Charrisse, lembro-me ainda mais vagamente de «Fantasy Island», mas lembro-me muito bem do seu papel de Khan no magnífico Star Trek III - The Wrath of Khan (1982)