terça-feira, 18 de maio de 2010

Os pequenos estadistas

De Jugular:

"discurso patético - patético o ar enojado, patética e enojante a vitimização. já sabíamos que lhe custa muito perceber como funciona a democracia e que ser presidente tem regras, mas é sempre bom que o torne claro. [...] é: esta coisa chata, chatérrima, chama-se democracia, sr presidente."


A propósito: Cavaco era assim tão cioso de grandes consensos nacionais quando legislava e executava do alto das suas maiorias absolutas?

segunda-feira, 17 de maio de 2010

domingo, 16 de maio de 2010

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Regresso a Roma e o que adiante se verá

Balanço muito positivo da visita do Papa. À parte um ou dois recados, nem sombra de ultramontanismo e de integrismo.
Negativo: o tom acrítico da totalidade da imprensa e o seu tom festivo e celebratório. É necessário os jornalistas dizerem «o Santo Padre» e «Sua Santidade»? Também negativo, o modo como os críticos do Papa e da Igreja foram remetidos à condição de párias da Pátria. Igualmente negativo, a perseguição de Cavaco ao Bispo de Roma. Pelos vistos, o Trono preciso mais do Altar do que o contrário.

Nas próximas visitas a Chipre - em que os católicos romanos estão em esmagadora minoria - e, sobretudo, no Reino Unido - é que elas vão doer. Aguardemos.

P.S.: Na Grã-Bretanha - em que a comunidade católica romana é minoritária mas forte e expressiva - será interessante assistir às consequências dos casos de pedofilia, de que o caso Dawkins é um epifenómeno significativo, e aos efeitos reais da Anglicanorum Coetibus nas relações entre a Igreja Católica e a Igreja de Inglaterra e com a Comunhão Anglicana em geral.

Saldanha Sanches (1944-2010)





Entrevista na Pública, aqui (com a devida vénia ao Caminhos da Memória)

quarta-feira, 12 de maio de 2010

O Papa em Portugal



Bispo de Roma, Vigário de Jesus Cristo, Sucessor do Príncipe dos Apóstolos, Sumo Pontífice da Igreja Universal, [Patriarca do Ocidente], Primaz da Itália, Arcebispo Metropolita da Província Romana, Soberano do Estado da Cidade do Vaticano, Servo dos Servos de Deus

*
Bons discursos de Bento XVI: a vocação histórica de Portugal no encontro de culturas e a natureza verdadeiramente "patriarcal" da Igreja portuguesa (fundadora de Igrejas locais pelo mundo e pelas terras de Missão); o valores da cultura e da civilização; o ecumenismo e o diálogo inter-religioso; a renovação da Igreja e a expiação dos seus pecados internos.
Tirando alguns pronunciamentos em blogues e, sobretudo, em comentários em blogues, não há sinais de ultramontanismo. Ainda bem.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

"We are not amused"


Her Majesty Elizabeth the Second, by the Grace of God, of the United Kingdom of Great Britain and Northern Ireland, and of Her other Realms and Territories, Queen, Head of the Commonwealth, Defender of the Faith
 Duke of Lancaster, Lord of Mann, Duke of Normandy

[e também Rainha de Antigua e Barbuda, das Bahamas, de Barbados, de Belize, do Canadá, de Granada, da  Jamaica, de Saint Kitts and Nevis, de Santa Lúcia, de Saint Vincent and the Grenadines, da Austrália, da Nova Zelândia, da Papua Nova Guiné, das Ilhas Salomão e de Tuvalu]

Very british

Um dos aspectos mais marcantes das eleições de ontem no Reino Unido foi a referência constante - assisti pela BBC e, em alguns momentos, pela Sky News - à Constituição. O que é interessante é que os Britânicos falam da Constituição como se tivessem uma. De facto, não têm ou, melhor, têm uma Constituição 'de facto' (não escrita, não codificada ou de facto). A ausência de um texto unificado e singular definido como a Constituição não significa a ausência de leis constitucionais, enquanto tal. A regra básica da Supremacia do Parlamento faz com que tenha esse estatuto aquilo que o Parlamento defina como tal.
Nos próximos dias - a menos que a coisa se resolva imediatamente com o pedido de demissão de Gordon Brown - vai ser interessante analisar o debate sobre a própria natureza da Constituição Britânica. David Cameron será Primeiro-Ministro se a Rainha o nomear. Mas a Rainha só o nomeará se Brown se demitir. A Rainha - dentro do sistema 'Queen in Parliament' - ocupa, neste dias, o centro da vida política britânica. Mas, como lembrava um erudito nestas questões ontem na BBC, a Rainha (e, provavelmente, o Privy Council) tem de ser "accionada".

*

Se os Tories formarem governo, vai ser interessante observar se as reformas constitucionais prosseguirão, nomeadamente:
- o processo de "devolution", sobretudo no caso da Escócia onde os Conservadores quase que desapareceram, e a própria configuração da União;
- a reforma da Câmara dos Lordes;
- a reforma eleitoral;
- a integração europeia;
- o estatuto da Igreja de Inglaterra.

Mas, provavelmente, a crise económica dominará grande parte do mandato. O certo é que, no actual e futuro contexto, a libra permanecerá.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

The Amazing Dr. Clitterhouse, de Antatole Litvak


The Amazing Dr. Clitterhouse, de Antatole Litvak (Warner Bros., 1938)

Brother Orchid, de Llyod Bacon


Brother Orchid, de Llyod Bacon (Warner Bros., 1940)

Sunset Boulevard, de Billy Wilder



De facto, nunca pensei que se tivessem tornado tão pequenos!
Fabulosa Gloria Swanson

quarta-feira, 5 de maio de 2010

A Transição

Muitas vezes na opinião que se publica surge a ideia de que haveria uma bondade intrínseca na transição espanhola em comparação com a revolução portuguesa. Como, aliás, nas independências das antigas colónias e inglesas, francesas ou outras. Uma dia voltarei a este último tema.
Os recentes acontecimentos relacionados com o processo contra Baltazar Garzón e com a Ley da la Memoria Histórica mostram-nos uma Espanha ainda irreconciliada, assente numa tensão e num equilíbrio instável que o tempo acentuará, designadamente a propósito do aprofundamento das autonomias regionais - em direcção a, na melhor das hipóteses, uma confederação ou, na pior, à secessão - e da sucessão da Coroa. A violência do Passado faz-se sentir a todos os níveis e a uma Espanha ultra-moderna tende a impôr-se o espinho de uma memória que vem da República, da Guerra Civil e do franquismo.
A nossa Revolução, por mais críticas que se lhe possam fazer, permitiu um arrumar da casa e não atirou para o futuro coisas por resolver. Os "fascistas" democratizaram-se e, tirando alguns abencerrages, os portugueses podem olhar-se face a face.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Rita Guerra - Eu Só Quero

Deus sabe o que me custa, posto que detesto a persona artística de Rita Guerra. Mas a voz é fabulosa e a memória de Gabriela Schaaf - que já aqui foi alvo de um apelo de «what happened?» - povoa-me a adolescência.

What happened? (II)


O que é que aconteceu a Teresa Silva Carvalho?

(quadro de Maluda)

O Regabofe, II

Várias são as vozes que, desde há vários anos, mas agora com maior incidência, clamam, ciclicamente, pela urgência de um emagrecimento do Estado. Tal emagrecimento passa, como é óbvio, pela racionalização dos recursos humanos, designadamente através de mecanismos que dificultem a entrada de mais funcionários. Já se percebeu, aliás, que a regra de «saem três, entra um» não é solução. Para além de ser uma medida cega - há funcionários e funcionários - não desonera o Estado, apenas transferindo a despesa da administração directa para a Caixa Geral de Aposentações.
O Parlamento, no momento em que tanto se apela à contenção da entrada de trabalhadores para a Administração Pública, acaba de aprovar, por larga maioria, uma proposta do CDS-PP, hoje publicada, que recomenda ao Governo a integração excepcional dos docentes contratados com mais de 10 anos de serviço. Um dia falarei das razões porque há docentes que se mantêm como contratados por tanto tempo. Agora, trata-se apenas de constatar a incongruência entre o discurso público da contenção e as acções que não visam outra coisa senão tentar pescar, à linha, todo o eleitorado que se consiga reunir. As eleições podem ser a qualquer momento.

91 anos de Pete Seeger - Where have all the flowers gone



O ano passado não assinalei os 90 anos de Pete Seeger

sábado, 1 de maio de 2010

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Passagens Canónicas, I

“É este o fundamento da crítica irreligiosa: o homem faz a religião; a religião não faz o homem. E a religião é, de facto, a autoconsciência e o sentimento de si do homem, que ou ainda não se conquistou ou voltou a perder-se. Mas o homem não é um ser abstracto, acocorado fora do mundo. O homem é o mundo do homem, o Estado, a sociedade. Este Estado e esta sociedade produzem a religião, uma consciência invertida do mundo, porque eles são um mundo invertido. A religião é a teoria geral deste mundo, o seu resumo enciclopédico, a sua lógica em forma popular, o seu point d’honneur espiritualista, o seu entusiasmo, a sua sanção moral, o seu complemento solene, a sua base geral de consolação e de justificação. É a realização fantasmal da essência humana, porque a essência humana não possui verdadeira realidade. Por conseguinte, a luta contra a religião é indirectamente a luta contra aquele mundo cujo aroma espiritual é a religião.
A miséria religiosa é, ao mesmo tempo, a expressão da miséria real e o protesto contra a miséria real. A religião é o suspiro da criatura oprimida, o âmago de um mundo sem coração e a alma de situações sem alma. É o ópio do povo.
A abolição da religião enquanto felicidade ilusória dos homens é a exigência da sua felicidade real. O apelo para que eles deixem as ilusões a respeito da sua situação é o apelo para abandonarem uma situação que precisa de ilusões. A crítica da religião é, pois, em germe a crítica do vale de lágrimas de que a religião é a auréola. A crítica colheu nas cadeias as flores imaginárias, não para que o homem suporte as cadeias sem fantasia ou sem consolação, mas para que lance fora as cadeias e colha a flor viva. A crítica da religião liberta o homem da ilusão, de modo que ele pense, actue e configure a sua realidade como homem que perdeu as ilusões e recuperou entendimento, a fim de que ele gire à volta de si mesmo e, assim, à volta do seu verdadeiro sol. A religião é apenas o sol ilusório que gira à volta do homem enquanto ele não gira à volta de si mesmo.
Por isso, a tarefa da história, depois que o além da verdade se desvaneceu, é estabelecer a verdade do aquém. A imediata tarefa da filosofia, que está ao serviço da história, é desmascarar a autoalienação humana nas suas formas não sagradas, agora que ela foi desmascarada na sua forma sagrada. A crítica do céu transforma-se deste modo em crítica da terra, a crítica da religião em crítica do direito, a crítica da teologia em crítica da política.”

Karl Marx, Para a Crítica da Filosofia do Direito de Hegel. Introdução (1844)

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Pico della Mirandola - Discurso sobre a Dignidade do Homem


"Não te demos, ó Adão, nem um lugar determinado, nem um aspecto que te seja próprio, nem tarefa alguma específica, a fim de que obtenhas e possuas aquele lugar, aquele aspecto, aquela tarefa que tu seguramente desejares, tudo segundo o teu parecer e a tua decisão. A natureza bem definida dos outros seres é refreada por leis por nós prescritas. Tu, pelo contrário, não constrangido por nenhuma limitação, determiná-la-ás para ti, segundo o teu arbítrio, a cujo poder te entreguei. Coloquei-te no centro do mundo para que daí possas olhar melhor tudo o que há no mundo. Não te fizemos nem celeste nem terreno, nem mortal nem imortal, a fim de que tu, árbitro e soberano artífice de ti mesmo, te plasmasses e te enformasses, na forma que tivesses seguramente escolhido. Poderás degenerar até aos seres que são as bestas, poderás regenerar-te até às realidades superiores que são divinas, por decisão do teu ânimo."

Giovanni Pico della Mirandola, Discurso sobre a Dignidade do Homem (Oratio de hominis dignitate)

À memória de José Vitorino de Pina Martins

José Vitorino de Pina Martins (1920-2010)

Humanista no verdadeiro sentido da palavra -  cultor das Humanidades -, a erudição do Prof. Pina Martins é um legado para o futuro. Relembro a sua Cultura Italiana (Lisboa, Verbo, 1971), os seus estudos sobre a Menina e Moça (e respectiva edição fac-similada, na Gulbenkian). A importância da sua personalidade enquanto investigar de estudos humanistas e renascentistas em geral e, em particular, sobre Erasmo e o erasmismo, Pico della Mirandola, Camões, Thomas More, Bernardim Ribeiro, entre tantos outros é incomensurável e é dos poucos a ombrear com grandes estudiosos europeus como Eugenio Ascensio, Marcel Bataillon ou Luciana Stegagno Picchio.
Lembre-se que foi Pina Martins o descobridor do Tratado de Confissom (em 8 de Agosto de 1949), o primeiro livro impresso em língua portuguesa até hoje conhecido, que editou.
Relembro a sua fama de grande aquisidor e proprietário de livros raros e valiosos e de preciosos manuscritos, tendo inclusivamente doado à Biblioteca Nacional um dos manuscritos da Menina e Moça, hoje conhecido como o Ms. Bernardiniano da BNL ou Ms. Pina Martins e que antes era de Eugenio Ascensio.
Nunca li a sua obra de ficção, Utopia III, uma sequela da Utopia original de Thomas More. Tenho de ler.

P.S.: O Google Books contém o catálogo da exposição bibliográfica 129 trabalhos científicos de um grande investigador. José Vitorino de Pina Martins, com extensa bibliografia e uma biografia do homenageado, da autoria de Manuel Cadafaz de Matos e editada pela Biblioteca Nacional.

Jacques Brel - Mathilde

Jacques Brel - Rosa



Homenagem ao meu velho professor de Latim, Padre Joaquim Guilherme de Matos, C.M.F.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Estatística vaticana

Parece que havia, no final de 2008, 1 bilião e 166 milhões de católicos baptizados, segundo o Annuarium Statisticum Ecclesiae do Ufficio Centrale di Statistica della Chiesa. Será? E os praticantes? Eu sei que há um sentido teológico-sacramental no facto de se ser, justamente, baptizado. Mas não há possibilidades de saber, a nível global, o grau de participação efectiva. Eu sei que, localmente, se tem apurado essa taxa. Convinha agora saber à escala planetária.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Cravo

Diz Daniel Oliveira:

"Os cravos nas lapelas de Aguiar-Branco e Passos Coelho provam apenas que a direita portuguesa precisou de 36 anos para se libertar da sua relação complexada com a ditadura e fazer as pazes com a revolução. Não foi a esquerda que tomou aquele símbolo como seu, foi a direita que o renegou durante anos. O que não espanta, não tivesse sido o PSD (muito mais do que o CDS) a casa de acolhimento dos quadros locais e intermédios do Estado Novo que procuraram protecção debaixo da asa dos homens da Ala Liberal. Quem se lembra da vitória da Aliança Democrática, no final dos anos 70, lembra-se de como nas bases da AD surgia com tanta facilidade um tom saudosista e revanchista.
Mais recentemente, foi a intelectualidade de direita (e sobretudo os seus novíssimos historiadores) que andou a tentar convencer o portugueses que a coisa até ia bem lançada para chegarmos à democracia de forma “civilizada” e sem baderna na rua.
Em vez de se encaixar no sentimento popular em relação à data a direita passou mais de trinta anos a tentar reescrever a história. Nunca percebeu que, ao mostrar, sobretudo por ressentimento social, tanto incómodo com uma data que a esmagadora maioria dos portugueses lembra com alegria, se condenava a representar um país decadente e anacrónico.
Por ser tão tardio (e ainda não chegou ao Presidente da República), o gesto simbólico e concertado dos dirigentes do PSD denuncia o problema de identidade em que o partido viveu até hoje. Por ter acontecido mostra inteligência táctica da nova direcção: o cravo na lapela transforma o 25 de Abril numa comemoração consensual e retira-lhe a carga ideológica que realmente tem. Faz o corte com o passado. 36 anos depois, o PSD pôs o ressentimento na gaveta."

Família & Amigos


O Senhor Cacau

Descobertas


sábado, 24 de abril de 2010

sexta-feira, 23 de abril de 2010

As "pessoas de consideração"

Que Deus nos proteja dos antónios martins deste mundo! Felizmente não mandam ou mandam muito menos do que aquilo que pensam que mandam. E, nas suas declarações, é preocupante a forma como se assume a ideia de que "Nós" (os juízes, ou os juízes da associação sindical dos juízes) somos o Estado.

Já que se fala de extinções - para quando a extinção do sindicato dos juízes portugueses? Desde quando os titulares de um órgão de soberania podem ter sindicato?

E que dizer do singular Prof. Paulo Otero? O infantilismo, a irresponsabilidade e a ignorância catedráticas. Faz escola!

O Regabofe

Gabinete do Primeiro-Ministro

Despacho n.º 7127/2010

Considerando a importância que reveste a visita a Portugal de Sua Santidade o Papa Bento XVI;
Considerando o interesse de grande número de portugueses em poderem estar presentes nas celebrações;
Considerando as contingências de segurança necessárias nestas ocasiões e o seu impacto na mobilidade dos cidadãos e no tráfego rodoviário dos locais onde vão ocorrer as celebrações;
Considerando a tradição existente no sentido da concessão de tolerância de ponto aquando das visitas a Portugal de Sua Santidade o Papa João Paulo II:
Determino, ao abrigo da alínea d) do artigo 199.º da Constituição e no uso dos poderes delegados pelo n.º 4 do artigo 6.º da Lei Orgânica do XVIII Governo Constitucional, aprovada pelo Decreto-Lei n.º 321/2009, de 11 de Dezembro, o seguinte:
1 — É concedida tolerância de ponto aos trabalhadores que exercem funções públicas na administração central e nos institutos públicos, no concelho de Lisboa, durante a parte da tarde do dia 11 de Maio de
2010.
2 — É concedida tolerância de ponto aos trabalhadores que exercem funções públicas na administração central e nos institutos públicos, em todo o território nacional, no dia 13 de Maio de 2010.
3 — É concedida tolerância de ponto aos trabalhadores que exercem funções públicas na administração central e nos institutos públicos, no concelho do Porto, durante a parte da manhã do dia 14 de Maio de 2010.

Considerando que só o terceiro "Considerando" é válido, considero que o "grande número de portugueses" que querem ir a Fátima deveria meter um dia de férias, como forma de sacrifício. E dado que vão à Cova da Iria, esse sacrifício podia ser consagrado ao "Imaculado Coração de Maria". Mas assim não é. Cavaco e Sócrates terão tirado o curso de acólitos?

*

O Bollettino da «Sala Stampa» da Santa Sé publicou ontem um conjunto de informações estatísticas sobre Portugal a propósito da visita do Papa. Parece que há 9.368 milhões de católicos num total de 10.610 milhões de habitantes. Será?

terça-feira, 20 de abril de 2010

Os Poemas, V

Deixe-me estar aqui, nesta cadeira,
Até virem meter-me no caixão.
Nasci pra mandarim de condição,
Mas falta-me o sossego, o chá e a esteira
 
De Opiário, de Álvaro de Campos

domingo, 18 de abril de 2010

O Vulcão


A interdição do espaço aéreo em quase toda a Europa levou a que haja menos ruído no céu de Lisboa! Bendito sejas, Eyjafjallajökull!

[foto do El Pais]

sexta-feira, 16 de abril de 2010

O Sr. Duarte de Bragança

O descendente de D. Miguel e pretendente ao trono virtual de Portugal de acordo com o suposto «pacto de Dover» - cuja existência deve ser tão verdadeira como as invenções de Frei Bernardo de Brito sobre D. Afonso Henriques - veio lamentar que se gaste tanto dinheiro com as comemorações do centenário da República, as quais classifica de «propaganda republicana primária». Tem direito à opinião!
Depois, vem dizer que as presidências da República saem mais caras do que as Casas Reais. Duvido, mas mesmo que seja assim há uma pequenina diferença: a legitimidade que deriva da origem democrática do poder conferido ao Chefe de Estado num regime republicano. E o exemplo de Espanha não colhe: D. Juan Carlos, por mais críticas que se lhe possa fazer - "No queremos monarquia! Ni Juan Carlos Ni Sofia!" - é um rei quase-democrático. Uma coisa que os monárquicos tendem a esquecer é que - e digo-o de forma chocante - a República não tem de se justificar. A Monarquia, tendo instituições em tudo republicanas excepto a chefia do Estado, tem de o fazer. E um referendo não resolve a questão porque apenas pode "legitimar" o primeiro Rei. É aliás esse o problema que o Príncipe das Astúrias e a sua sucessora ou sucessor irão ter.
Só nos faltava, agora, andarmos com os Bragança ao colo.
Só nos saem é «duques»!

quinta-feira, 15 de abril de 2010

A amizade segundo Montaigne

"Au demeurant, ce que nous appellons ordinairement amis et amitiez, ce ne sont qu'accoinctances et familiaritez nouées par quelque occasion ou commodité, par le moyen de laquelle nos ames s'entretiennent. En l'amitié dequoy je parle, elles se meslent et confondent l'une en l'autre, d'un melange si universel, qu'elles effacent et ne retrouvent plus la couture qui les a jointes. Si on me presse de dire pourquoy je l'aymois, je sens que cela ne se peut exprimer, qu'en respondant: Par ce que c'estoit luy; par ce que c'estoit moy. Il y a, au delà de tout mon discours, et de ce que j'en puis dire particulierement, ne sçay quelle force inexplicable et fatale, mediatrice de cette union."

Michel de Montaigne, Essais, I - De l'amitié

(ortografia da época)

Equador

Muito importante a decisão do Tribunal Cível de Lisboa, ao condenar quem tinha acusado Miguel Sousa Tavares de plágio (Equador) socorrendo-se de referências a um blogue anónimo onde tais acusações foram proferidas.

Talvez se comece a perceber que A Rede não pode ser o esgoto para onde se destila o ódio, a injúria, o inuendo e que os órgãos de comunicação social não podem, sem mais, ser o eco dessa imundície.

Haja quem não desista - gente corajosa como o Miguel Sousa Tavares.

P.S.: Não li o Equador.

Querida Europa

Pacheco Pereira, hoje na Sábado em linha:

"Este retorno àquilo que os europeístas chamam de “egoísmo nacional” é algo de mais que normal numa Europa que é o fruto de um entendimento entre nações que ainda são soberanas (pelo menos a Alemanha ainda é), e que os fundadores da Europa conheciam bem e tinham em conta. Os seus sucessores, os des-fundadores da Europa, esses acham que basta a retórica europeísta, misturada com um certo chauvinismo gaulês anti-americano, para obrigar os outros a pagarem.

Acabado o ciclo em que a Alemanha ainda tinha que pagar reparações de guerra disfarçadas de “contribuições líquidas para a União”, havia que encontrar outras soluções e elas existiam, mais prudentes, mais modestas, mas mais sólidas. Mas esse não foi o caminho seguido pelos signatários impantes do Tratado de Lisboa e o resultado é que a crise grega arrastou-se sem glória europeia e sem solução. Os alemães ainda vão pagar, mas todos compreendem que a Europa não está a funcionar, e se tivermos em conta as proclamações hiper-optimistas à volta do Tratado, então não está a funcionar de todo."

Jaime Salazar Sampaio (1925-2010)

Poeta e dramaturgo, lembro-me de ter visto uma peça sua - Fernando (talvez) Pessoa - há muitos anos (1983), no Teatro Nacional D. Maria II, com encenação de Artur Ramos e interpretação de Varela Silva, Curado Ribeiro e Rogério Paulo (recordo até que este se enganou). A peça não era grande coisa, mas acho que foi a minha primeira notícia da existência de Fernando Pessoa, enquanto tal. Nessa peça os heterónimos desfilavam e diziam poemas e lembro-me que nos dias a seguir comprei o Livro do Desassossego, de que nessa altura tinha saído a 1.ª edição.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Para a História da Educação em Portugal, I




Este diploma limitou-se a extinguir os liceus remanescentes, já que, em 1975, a maior parte dos liceus e das escolas técnicas tinham sido transformados em escolas secundárias.                                            

Na Cova dos Leões

Afinal, parece que também vai haver tolerância de ponto nos dias 11 da parte da tarde (em Lisboa) e 14 da parte da manhã (no Porto), bem como o já anunciado dia 13 (em todo o país).
Para os nossos índices de produtividade não está mal! Toda Nação deverá convergir para Fátima. O Trono e o Altar reconciliados.

O ponto

Eu contra mim falo, mas terá alguma justificação conceder «tolerância de ponto» no dia 13 de Maio, a propósito da visita do Papa? Justamente no dia 13, dando o Estado caução ao, assim chamado, "acontecimento" de Fátima. Talvez se admitisse nos dias 11 ou 12 em Lisboa ou no dia 14 no Porto - e apenas em virtude dos grandes congestionamentos previsíveis. Agora, para o pessoal ir à Cova da Iria? Então e o sacrifício? Não podem pôr um dia de férias? O pessoal que vai trabalhar para a Festa do Avante! «mete» férias...
Para a confusão ser total já só falta mesmo amnistia e perdão genérico.
Como diz o Douta Ignorância: "A tolerância de ponto anunciada a propósito da visita do Papa é apenas uma evidência da nossa falta de capacidade para distinguir o que é de Deus e o que é de César. Não é o papel de um Estado laico improvisar feriados por motivos destes. Ou bem que se entende isto, ou mais vale oficializar o retrocesso".

A chama imensa

Hoje, dia grande, depois da grande vítória de ontem. Obrigado, papoilas saltitantes!
Pablo enorme.

(com a devida vénia ao 31 da Armada)

terça-feira, 13 de abril de 2010

Divas VI



Verdade e Reconciliação

Bem a Conferência Episcopal Portuguesa - na sequência aliás de intervenções correctas do Cardeal-Patriarca de Lisboa e de D. Carlos Moreira Azevedo bem como do Bispo do Porto. Bem o Arcebispo Primaz, ao falar da necessidade de «restabelecer a justiça, purificar a memória e reafirmar, humildemente, o compromisso da Igreja de fidelidade a Deus e de serviço aos homens», «perante a grave lesão da dignidade pessoal das vítimas dos casos de pedofilia». Um instrumento que se tem mostrado eficaz nessa purificação da memória têm sido - lembre-se o processo de transição na África do Sul - as Comissões de Verdade e Reconciliação. E, dada a gravidade da questão, com efeitos à escala global, porque não um Concílio Ecuménico ou, pelo menos, uma assembleia especial do Sínodo dos Bispos?
Muito mal o Cardeal Secretário de Estado. Eduardo Pitta é, como sempre, magistral. O pior é que se calhar para Tarcisio Bertone isso não seria castigo - era bem capaz de gostar!

Here comes the sun

Here comes the sun

Deo Gratias

segunda-feira, 12 de abril de 2010

O costume

Diz Daniel Oliveira (com quem a maior parte das vezes não concordo):

"Passos Coelho não precisou de mais do que 15 dias para usar a mais fácil das receitas: alimentar o ressentimento contra as principais vítimas da crise. [...]
Vou tentar explicar isto devagarinho: aqueles que recebem, por exemplo, o subsídio de desemprego são os mesmos que pagaram as suas prestações à segurança social. Eles deram a sua parte. O que recebem não é nem uma esmola nem um favor. É um direito. Um direito pelo qual pagaram ao longo dos seus anos de trabalho e descontos. O dinheiro não é nem de Sócrates, nem de Passos Coelho, nem das juntas de freguesia ou ONG’s onde os querem pôr de castigo. É deles. Foi pago por eles. Eles são a sociedade que deu e que agora recebe. Que foi solidária e que agora precisa da solidariedade. Não são criminosos condenados a “trabalho para a comunidade”. [...]
É assim que estes senhores, de Paulo Portas a Pedro Passos Coelho, querem os cidadãos: a esgatanharem-se pelas migalhas que sobram. Convencidos que a culpa da sua miséria é do miserável que mora ao lado. E um dia destes, convencidos que culpa da sua miséria é deles próprios.
Assim, entretidos uns com outros, não põem em causa os fundamentos da desigualdade social neste país. Assim, espalhando as culpas pelas aldeias, estaremos todos dispostos a exigir menos. A olhar para os direitos que demorámos décadas a conquistar como privilégios. Prontos para sermos aliados de quem quer destruir esses direitos em vez de lutarmos pelos nossos.
Por mim, sei o que a história nos ensinou: que dividir para reinar sempre foi a melhor estratégia. E que a ela só se resiste percebendo que aqueles que vivem do seu trabalho só têm uma força que os salve: tomar cada ataque a um direito de alguém da sua condição como um ataque a si próprio.
A função do discurso contra os supostos “direitos adquiridos” (que se deviam chamar direitos conquistados e ainda por conquistar) é simples: transportar o trabalhador de novo para o século XIX. Mas talvez quando voltarmos todos a trabalhar à jorna e nada nos segurar no desespero do desemprego voltemos a perceber quem são realmente os privilegiados.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

George Harrison, Ringo Starr, Eric Clapton, Phil Collins, Elton John and Jeff Lyne - While My Guitar Gently Weeps, de George Harrison (The Beatles, Álbum Branco - 1969)

Submarino ao fundo

Diz, hoje, Ana Gomes:
"O Correio da Manhã de hoje escreve que desapareceu a acta do contrato das contrapartidas dos submarinos.
Com sorte, talvez o Dr. Paulo Portas consiga encontrá-la lá por casa, entre os milhares de documentos fotocopiados que levou do Ministério da Defesa Nacional. Já agora, mai-lo contrato de «leasing» onde se fixam as condições e o prazo de pagamento pelo Estado ao consórcio financeiro, engendrado pelo BES, que financiou a aquisição dos ditos cujos...."

Aliás, a questão das fotocópias do Dr. Portas nunca foi muito bem esclarecida. A propósito: será que as pagou? Presumo que as tenha pago: afinal não era para serviço do ministério, mas para «seu governo».

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Os Poemas, IV


Uma nêspera
estava na cama
deitada
muito calada
a ver
o que acontecia

chegou a Velha
e disse
olha uma nêspera
e zás comeu-a

é o que acontece
às nêsperas
que ficam deitadas
caladas
a esperar
o que acontece

Mário-Henrique Leiria, Rifão Quotidiano (in Novos Contos do Gin-Tónico)

As minhas escolas, II



Escola Primária nº 1 de Almada - «Escola Conde de Ferreira»


Em 1974/1975. Lá está a bruxa-retornada da minha professora da 2.ª classe e lá estou eu à extrema-direita de quem vê - na estrema-esquerda de quem posa -, na 2.ª fila.

Continua o disparate

"Ora contro la Chiesa viene brandita l'accusa della pedofilia. Prima ci sono state le battaglie del modernismo contro Pio X, poi l'offensiva contro Pio XII per il suo comportamento durante l'ultimo conflitto mondiale e infine quella contro Paolo VI per l'Humanae vitae."

Cardeal Angelo Sodano, entrevista a L'Osservatore Romano, 6-7 de Abril de 2010

E, a propósito de Pio XII, muito haveria a esclarecer. Sobretudo: porque razão arrepiou caminho relativamente ao que o seu predecessor havia prescrito na Mit brennender Sorge, a propósito do nacional-socialismo? Porque escolheu o silêncio? O silêncio, sempre o mesmo silêncio.

E é evidente que as duas situações - com Pacelli ou, agora, com Ratzinger mas também com Wojtila - nada tem a ver com a questão do Modernismo ou da Humanae Vitae.

P.S.: A colecção dos 12 volumes dos Actes et Documents du Saint-Siège relatifs à la Seconde Guerre Mondiale, publicados a partir de 1965, por vontade de Paulo VI, preparados por uma equipa especializada de quatro historiadores jesuítas estão disponíveis aqui.

Divas V



Divas IV



segunda-feira, 5 de abril de 2010

Renúncia, já se ouve

Caso seja preciso, convém lembrar que:

«§ 2. Se acontecer que o Romano Pontífice renuncie ao seu ofício, requere-se para a validade dessa renúncia que esta seja livremente feita e devidamente manifestada, mas não que seja aceite por alguém.»

Can. 332 do Código do Direito Canónico e Can. 44 do Código de Cânones das Igrejas Orientais


Os animais

Eu até gosto da senhora, mas porque é que a Hélia Correia tem de aparecer nas entrevistas sempre com o gatinho a marinhar por ela acima ou ao colo? E a minha alergia?

O Sistema

O Sistema está a reorganizar-se e a reconfigurar-se: da Federação às eleições para a Liga, passando por alguns desempenhos da arbitragem. É o Sistema que regressa, depois de ter andado distraído ou assustado.

Proporções

A histeria afecta, hoje, vozes autorizadas da Igreja Católica. A propósito do silenciamento de actos pedófilos praticados por membros do clero surgiram três tipos de reacções:

- as que reduziram tais comportamentos a «questões internas»;
- as que tentaram relativizar, afirmando que outras igrejas e outras instituições também as praticaram;
- as que tentaram transformar as acusações numa campanha contra a Igreja.

Entre as primeiras, temos o pronunciamento do sinistro Cardeal Saraiva Martins, a que me referi em anterior post e sobre o qual Fernanda Câncio escreve um artigo arrasador.
O segundo tipo de reacções é difuso e abunda nas declarações de bispos, padres e leigos. A ideia é de que a pedofilia é praticada no seio das famílias e também no protestantismo, por exemplo, e não se vê ninguém a atacar tais instituições. Em primeiro lugar, não existe A Família e, portanto, não pode ser escrutinada enquanto tal. Também não existe a «Igreja protestante», sendo que cada congregação evangélica, reformada, baptista ou de outra denominação é autónoma. E, ao contrário do que se diz, têm sido bastantes as acusações de actos sexuais com menores feitas a pastores evangélicos, designadamente nos Estados Unidos da América. Só a Igreja Católica possui uma estrutura supranacional hierarquizada. E é, justamente, esta estrutura - que vai do pároco ao bispo, do religioso ao seu superior, da conferência episcopal às congregações romanas e ao próprio Papa - que, durante anos, silenciou as acusações e transferiu padres permitindo a perpetuação dos crimes noutro local. Os que silenciaram foram promovidos e mandados recolher a Roma, como seja o caso do Cardeal Bernard Law, antigo Arcebispo de Boston e actual Arcipreste da Basílica Papal de Santa Maria Maior.
O terceiro tipo de reacções são exemplarmente representadas pela inenarrável comparação feita pelo Pregador da Casa Pontífica, Raniero Cantalamessa O.F.M. Cap., entre as acusações feitas à Igreja e as perseguições anti-semitas. Socorrendo-se de uma carta de um seu amigo judeu, afirma: «Tenho acompanhado com desgosto o ataque violento e concêntrico contra a Igreja, o Papa e todos os féis do mundo inteiro. O recurso ao estereótipo, a passagem da responsabilidade pessoal para a coletividade me lembram os aspectos mais vergonhosos do anti-semitismo.»
Mas esta gente perdeu o sentido das proporções?

quarta-feira, 31 de março de 2010

Submarinos

(The Beatles, Yellow Submarine)

Diz acertadamente Ana Gomes no Causa Nossa:

«Sei que a aquisição dos submarinos foi feita através de um negócio corrompido, com um preço grotescamente inflaccionado (mais de 35%, já aqui o escrevi) à custa do erário público – ou seja, à custa dos contribuintes que pagam impostos e a quem agora vão ser pedidos mais; e dos portugueses mais pobres, agora em risco de perder apoios sociais.
Mas também sei que a aquisição dos submarinos foi preparada pelo governo PSD/CDS encabeçado pelo Dr. Barroso e decidida pelo curto governo PDS/CDS do Dr. Santana Lopes, passando pelo crivo da Ministra das Finanças Dra. Manuela Ferreira Leite, depois de uma negociação conduzida sob a responsabilidade do Ministro da Defesa Paulo Portas, que entregou o “encargo negocial” que devia ser assegurado pelo Estado (para isso pagamos a quadros públicos no MDN) a uma empresa - a ESCOM, do Grupo BES – que só pela sua intervenção se cobrou (nos cobrou) uns astronómicos 30 milhões de euros. Uma negociação que passou pela AR – a compra foi aprovada em Lei de Programação Militar – logo, terá de ter passado pelos partidos com assento parlamentar, incluindo o PS certamente (como, é questão pertinente, sobre a qual nada sei mas não desisti de saber).
E também sei que este negócio fraudulento, tornado suspeito pelos súbitos depósitos nas contas do CDS feitas por devotos acompanhantes de um tal Jacinto Leite Capelo Rego, desencadeou uma investigação judicial que se arrasta há anos na obscuridade.
Ah, e também sei que os chamados “offsets” – os contratos de contrapartidas, supostos trazer tecnologia inovativa para dinamizar diversas indústrias nacionais – negociados com os fabricantes dos submarinos pela “especializada” ESCOM, deram entretanto com os burrinhos na água: segundo a estatal CPC - Comissão de Contrapartidas, em Dezembro de 2009 nem 25% estavam ainda em execução, tornando o contrato dos submarinos "inexequível". Incumprimento que também se verifica a nivel preocupante nas contrapartidas dos helicópteros EH101, que o Ministro Paulo Portas também teve a responsabilidade de negociar: como me observou um chefe militar (e qualquer soldado raso percebe) - “mas já viu alguma empresa séria e sustentável vender-lhe material, e ainda lhe entregar máquinas e tecnologia de valor superior ao que você acordou pagar?".»

E Ana Gomes anda a dizê-lo há muito tempo. Mas parece que era a única. Aguardemos.

Google Books e Biblioteca Digital Camões

A Google Books é uma das grandes iniciativas na Rede e que poderá, num futuro mais ou menos próximo, aproximar-se do Youtube em termos de importância, que não em termos de popularidade: haverá sempre mais pessoas a ver filmes e ouvir música do que a ler.
Aspirando a ser a maior biblioteca do mundo (virtualmente, A Biblioteca), a Google Livros contém um acervo considerável de livros à escala mundial que podem ser visualizados integralmente - obras do domínio público e obras autorizadas - ou parcialmente.
Obras que nunca consegui ler ou que, para o fazer, teria de me deslocar a uma biblioteca estão hoje disponíveis na Rede e podem ser «arrumadas» nas Prateleiras que cada pessoa pode ter na sua conta.
Hoje foi o dia de poder ler as Rimas de Luís de Camões, com o texto estabelecido e prefaciado por Álvaro Júlio da Costa Pimpão e editadas em Coimbra em 1953 «Por Ordem da Universidade nos «Acta Universitatis Conimbrigensis» e de consultar as Obras Médicas de Pedro Hispano, editadas por Maria Helena da Rocha Pereira na mesma colecção. Já estão na minha Prateleira.

A Biblioteca Digital Camões, do Instituto Camões, também disponibiliza para download (em PDF) um conjunto de obras, de que destacaria a célebre «Biblioteca Breve» do antigo ICALP e as recentes edições ne varietur dos Opera Omnia de Agustina Bessa-Luís.

A disponibilização de livros na Rede permite preservar os espécimes físicos e os constrangimentos dos horários e do funcionamento das bibliotecas e arquivos. E proteger-nos dos ácaros.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Conceito do dia - A tirania do auxílio

A tirania do auxílio

"– A tirania do auxílio. Havia entre nós quem, em vez de mandar nos outros, em vez de se impor aos outros, pelo contrário os auxiliava em tudo quanto podia. Parece o contrário, não é verdade? Pois olhe que é o mesmo. É a mesma tirania nova. É do mesmo modo ir contra os princípios anarquistas.

– Essa é boa! Em quê?

– Auxiliar alguém, meu amigo, é tomar alguém por incapaz; se esse alguém não é incapaz, é ou fazê-lo tal, ou supô-lo tal, e isto é, no primeiro caso uma tirania, e no segundo um desprezo. Num caso cerceia-se a liberdade de outrem; no outro caso parte-se, pelo menos inconscientemente, do princípio de que outrem é desprezível e indigno ou incapaz de liberdade."
 
Fernando Pessoa, O Banqueiro Anarquista

Essenciais, 6

"Mas julgar mulheres é vão emprego, pois delas tudo são memórias e não culpas."

Agustina Bessa-Luís, Adivinhas de Pedro e Inês

domingo, 28 de março de 2010

A iniquidade

As declarações de D. José Saraiva Martins C.M.F., Prefeito emérito da Congregação para a Causa dos Santos e Cardeal-Bispo de Palestrina, de que "Não devemos ficar demasiado escandalizados se alguns bispos sabiam e mantiveram o segredo. É isso que acontece em todas as famílias. Não se lava a roupa suja em público." são eloquentes de um determinado modo de ser e de estar na Igreja. Desde quando actos pedófilos praticados por membros do Clero e silenciados pelos respectivos Bispos e pela própria Santa Sé são «roupa suja»? Estas declarações não provêm de um obscurso clérigo mas da 7ª figura da Igreja Católica Apostólica Romana (por ordem de precedência do Colégio dos Cardeais). Vindo de alguém que tem como motto como «Príncipe da Igreja» Veritas in Caritate, tais palavras só podem significar que desta Igreja há muito que a Igreja de Cristo se ausentou.

sábado, 27 de março de 2010

quinta-feira, 25 de março de 2010

Cien Años de Soledad, de Gabriel García Márquez

"Muchos años después, frente al poletón de fusilamiento, el coronel Aureliano Buendía había de recordar aquella tarde remota en que su padre lo llevó a conocer el hielo. Macondo era entonces una aldea de veinte casas de barro y cañabrava construidas a la orilla de un río de aguas diáfanas que se precipitaban por un lecho de piedras pulidas, blancas y enormes como huevos prehistóricos. El mundo era tan reciente, que muchas cosas carecían de nombre, y para mencionarlas había que que señalarlas con el dedo."

Moby Dick, de Herman Melville

"Call me Ishmael. Some years ago—never mind how long precisely—having little or no money in my purse, and nothing particular to interest me on shore, I thought I would sail about a little and see the watery part of the world. It is a way I have of driving off the spleen and regulating the circulation. Whenever I find myself growing grim about the mouth; whenever it is a damp, drizzly November in my soul; whenever I find myself involuntarily pausing before coffin warehouses, and bringing up the rear of every funeral I meet; and especially whenever my hypos get such an upper hand of me, that it requires a strong moral principle to prevent me from deliberately stepping into the street, and methodically knocking people's hats off—then, I account it high time to get to sea as soon as I can. This is my substitute for pistol and ball. With a philosophical flourish Cato throws himself upon his sword; I quietly take to the ship. There is nothing surprising in this. If they but knew it, almost all men in their degree, some time or other, cherish very nearly the same feelings towards the ocean with me."

Há páginas assim. E percebemos que alguém se esgotou absolutamente no acto de Dizer.

quarta-feira, 24 de março de 2010

segunda-feira, 22 de março de 2010

O ministério-Fenprof

Depois do consulado Maria de Lurdes Rodrigues que, se outros méritos não tivesse tido, conseguiu reduzir ao mínimo a influência sindical na 5 de Outubro, eis que o ministério-Fenprof está de volta. Ou muito me engano ou o país ainda vai pagar um preço demasiado alto por deixar Mário Nogueira co-governar: o Estatuto da Carreira Docente, o diploma sobre avaliação do desempenho docente e o Estatuto do Aluno arriscam-se a ter a marca Fenprof. E mais o que ainda a diante se verá...
N.B.: A enésima versão do Estatuto da Carreira Docente tem uma virtude: retira da alçada disciplinar dos Directores das escolas os membros docentes do Conselho Geral, pelas infracções que cometerem no exercício dessas funções. Não se percebendo o porquê de serem apenas os membros docentes, é de aplaudir uma alteração que poderá revitalizar este tipo de órgão ao tornar o uso da palavra mais livre e, portanto, potencialmente, de maior qualidade.

P.S.: Este versão foi abandonada. O ministério-Fenprof está activo. Temo que se tenha deitado fora o bébé com a água do banho.

Mahalia Jackson - He's Got the Whole World in His Hands

Frank Sinatra - Fly Me Too The Moon

domingo, 21 de março de 2010

O respeitinho

Na Carta Pastoral que, anteontem, o Papa Bento XVI enviou aos católicos da Irlanda lê-se a dado passo que há uma «tendência na sociedade a favorecer o clero e outras figuras com autoridade e uma preocupação inoportuna pelo bom nome da Igreja e para evitar os escândalos, que levaram como resultado à malograda aplicação das penas canónicas em vigor e à falta da tutela da dignidade de cada pessoa.» (sublinhado meu).

Em Portugal também há essa tendência, à mistura com o célebre «respeitinho».

(Texto completo da Carta aqui)

Divas II

Divas I

sábado, 20 de março de 2010

Peixe de águas profundas

Jaime Gama, de uma assentada, meteu na ordem o tenebroso José Lello e lembrou a um "menino de ouro" do ISCTE - João Mata, Secretário de Estado da Educação - regras de boa educação e de respeito perante o órgão representativo dos cidadãos portugueses. Muito bem!



Artigo 89.º do Regimento da Assembleia da República


«Modo de usar a palavra

1 - No uso da palavra, os oradores dirigem-se ao Presidente e à Assembleia e devem manter-se de pé.»

Artigo 177.º, n.º 1 da Constituição:

«(Participação dos membros do Governo)


1. Os Ministros têm o direito de comparecer às reuniões  plenárias da Assembleia da República, podendo ser coadjuvados ou substituídos pelos Secretários de Estado, e uns e outros usar da palavra, nos termos do Regimento.»

quarta-feira, 17 de março de 2010

segunda-feira, 15 de março de 2010

Peter Graves (1926-2010)



Good Morning, Mr. Phelps

Peter Graves não conseguiu cumprir a sua última Missão Impossível

Inscrições IX


Junto ao Palácio das Necessidades

A invejazinha nacional

Última palavra de Os Lusíadas, a inveja portuguesa é a causa eficiente do verdadeiro desporto nacional: a má-língua, a calúnia, o boato e o innuendo. Um dos acontecimentos que fazem o the talk of the town são as ajudas de custo pagas a Inês de Medeiros. Gostava de saber quanto é que isso custa de verdadeiramente significativo ao erário público. Inês de Medeiros mora efectivamente em Paris e não vai à cidade-luz para se passear nos Champs-Élysées. Vai a casa, vai ver os filhos, vai tratar de assuntos. E os senhores Deputados que vivem em Lisboa e recebem ajudas de custo para se deslocaram ao seu círculo eleitoral? Põem lá os «butes»? Não me parece. Inês de Medeiros deverá ser impedida de ser Deputada por residir em Paris? E por residir em Paris deverá ser prejudicada financeiramente?

Nem sequer discuto se Inês de Medeiros é boa Deputada. Desconfio, até, que não seja grande coisa. O que não falta são maus Deputados. Mas reajo à invejazinha nacional que está no fundo destes pronunciamentos. Inês de Medeiros é uma figura importante do panorama cinematográfico europeu. Uma visita ao Internet Movie Database chega para se ter uma ideia.

Ter sucesso no estrangeiro - sucesso verdadeiro, não o sucesso "mítico" daqueles que dizem que estiverem em Nova Iorque a fazer qualquer coisa em que ninguém reparou - é algo interdito, quase um crime para os portugueses que cá ficam. José Saramago tem sofrido dessa inveja. Maria de Medeiros também não pôde - para o medíocre que ninguém conhece em Badajoz - ser Directora do Teatro Nacional D. Maria II. Só pôde fazer cerca de 80 filmes, alguns dos quais com Quentin Tarantino, Philip Kaufman, Bigas Luna, Oliveira e outras pessoas sem nenhuma importância.

N.B.: as 'de Medeiros' são vagamente minhas primas.

A lei da rolha

Agora que se fala da "lei da rolha" convém lembrar que Marçal Grilo foi o Ministro que a revogou expressamente quando substituiu Manuela Ferreira Leite na pasta da Educação. Eram outros tempos e gente de outro nível.

domingo, 14 de março de 2010

Zizi Possi e Chico Buarque - Pedaço de Mim, de Chico Buarque (de Ópera do Malandro)



Terrível e belo:

«Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu»

Chico Buarque

sexta-feira, 12 de março de 2010

Maria Helena da Rocha Pereira, II

Pacheco Pereira presta, hoje, na Sábado, uma significativa homenagem a Maria Helena da Rocha Pereira:

"A Senhora, que uma vez disse que vivia com os gregos, os antigos, é frágil como uma pena. Quase que não se vê no meio das pessoas, mas sabe-se que ela lá está. Vai-se lá por causa dela, haja chuva, trovões, tempestades, coisa que ela conhece certamente bem dos poemas antigos que, como ninguém, estudou em Portugal. Dentro dela estão as grandes tempestades homéricas, mas também as palavras de Píndaro, de Anacreonte, a sabedoria de Sólon, a prosa esplêndida de Platão. Fala baixo o que impõe o silêncio absoluto que tão raro é. E descreve a Grécia arcaica com a familiaridade de quem viveu sempre lá. Ocasionalmente fala em grego, porque, para o que quer dizer, essas são as palavras precisas. E não precisa de falar muito para dizer muito. Diz com ironia, para comentar Esparta na sua decadência, que havia pelo menos uma qualidade que tinham mantido: os espartanos falavam sempre pouco.
A Senhora, Maria Helena da Rocha Pereira, ganhou mais um prémio. Se houvesse uns Jogos Olímpicos na categoria do saber, Píndaro escreveria sobre ela."